segunda-feira, novembro 21, 2022

Jogo 3 - Senegal joga melhor, mas Holanda vence com 2 gols no final

 Por Danilo Silveira

Holanda e Senegal fizeram uma partida muito equilibrada e muito bem disputada taticamente. A impressão passada é que os dois treinadores estudaram muito o adversário. No saldo disso tudo, tivemos uma partida com poucas chances de gol, em que os goleiros não trabalharam muito, o que não significa que a partida tenha sido pouco movimentada.

Podemos dizer que ambas as equipes tentaram atacar mais pelo lado direito. Pelo lado senegalês, Sabaly e Diatta, infernizavam a vida do lateral esquerdo hplandês, Blind, que tinha dificuldades de ir ao ataque, preso tentando conter as investidas adversárias. Enquanto isso, Bergwijn tentava explorar as costas do lateral direito senegalês, Diallo, pelo flanco direito de ataque holandês. E foi justamente por essa faixa de campo que surgiu a primeira grande chance da Holanda. A boa troca de passes terminou com De Jong de cara para o gol. O camisa 21 ficou sem ângulo para chutar, teve que cortar dois marcadores para conseguir espaço para o arremate, eis que surgiu um terceiro marcador para bloquear o chute.

Por falar em De Jong, faltou ele aparecer mais no meio campo para dar mais fluidez e desenvoltura à parte criativa holandesa. A bem da verdade, podemos dar mérito ao sistema de marcação senegalês, que anulou o camisa 21 holandês. A verdade é que a seleção africana foi melhor na maior parte da partida.

Veio a segunda etapa e com ela, parece ter vindo o cansaço holandês. Cada vez mais, Senegal parecia próximo do gol. O grande craque senegalês, Sadio Mané, contundido, fazia uma falta absurda. Mas os comandados de Aliou Cissé eram valentes, aguerridos.

Podemos dizer que o goleiro holandês, Noppert pouco trabalhou na primeira etapa. Só não podemos dizer que ele pouco foi notado em campo, pois os seus 2 metros e 3 centímetros, fazem dele o jogador mais alto a participar de uma Copa do Mundo. E na segunda etapa, ele começou a trabalhar de maneira mais intensa. Foi em um chute de Diatta pela direita, que ele evitou que Senegal abrisse o placar.

Bateu os 30 minutos no relógio e o cenário parecia promissor aos africanos. Foi aí que veio a máxima do futebol que "é comum quem joga melhor, perder".

Aos 38, De Jong cruzou da direita, Gakpo apareceu livre de marcação, se antecipou ao goleiro para cabecear e abrir o placar. Senegal se lançou ao ataque para tentar o empate. Desguarnecido, sofreu o segundo gol aos 53 minutos. Depay, que entrou no meio do segundo tempo, já que não estava 100% fisicamente, chutou, Mendy rebateu para o meio e Klassen pegou o rebote para dar números finais ao jogo. Números esses que não refletem aquilo que foi jogado durante os 90 minutos na cidade de Doha.

Jogo 2 - Inglaterra massacra o sistema defensivo iraniano e tem estreia de gala

Por Danilo Silveira

Antes do apito inicial em Ar-Rayyab, talvez fosse possível prever um jogo de ataque contra defesa, muito duro. A Inglaterra, vice-campeã europeia, com um ataque poderosíssimo, diante do Irã, comandado por Carlos Queiróz, conhecido e famoso por montar defesas muito sólidas, além de hiper experiente em Copas do Mundo.

Logo nos primeiros instantes de partida, deu para perceber que a tônica do jogo seria a descrita no parágrafo anterior. A Inglaterra tinha a posse de bola quase integral, mas não se lançava toda ao ataque. Parecia tentar entender qual a melhor forma de partir para cima. A bola ficou boa parte do início do jogo retida no defensores Maguire e Stones, que jogavam quase na linha do meio campo. Do outro lado, via-se dez jogadores de vermelho, mais o goleiro iraniano espremidos no campo defensivo.

Falando em goleiro iraniano, Beiranvand foi o protagonista do jogo por alguns minutos. Por volta dos 5 minutos, ele se chocou com um defensor e teve uma lesão na face. A partida ficou parada durante algum tempo. O arqueiro tentou voltar ao jogo, mas não conseguiu e acabou substituído por Hosseini.

Voltando ao, cabe destacar que a Inglaterra foi cada vez mais se soltando. Saka pela direita, Sterling pela esquerda, Kane por dentro. Aos poucos, o jogo foi fluindo. Até que aos 34 minutos, Shaw cruzou da esquerda e o volante Bellingham apareceu para cabecear e vencer o goleiro iraniano.

Do primeiro gol em diante, o que mais se viu foi a Inglaterra crescer na partida. A seleção comandada por Gareth Southgate não parecia sentir nenhum tipo de ansiedade ou desconforto por se tratar de uma estreia em Mundial. Um entrosamento fora do comum, aliado aos jogadores em uma forma técnica fora do normal. O sistema defensivo de Carlos Queiróz foi simplesmente massacrado, aniquilado até o apito final. Ainda na primeira etapa, Saka e Sterling ampliaram.

Uma reviravolta no placar era algo praticamente inimaginável. O que poderia se esperar é que a Inglaterra reduzisse o ritmo na segunda etapa, já que a vitória parecia bem encaminhada. Mas isso não ocorreu. O que se viu foi uma Inglaterra ainda mais intensa e um Irã que resolveu tentar sair para o jogo um pouco mais que na etapa inicial. Ainda que o duelo tenha perdido um pouco em emoção, tamanha era a superioridade inglesa (tanto no jogo jogado, quanto no marcador), o jogo ficou legal de ser assistido. De repente, surgem do banco de reservas da Inglaterra, Folden, Rashford e Grealish. Meu amigo, essa seleção inglesa é fantástica. E os caras entraram comendo a bola. 

No resumo da obra, a segunda etapa teve mais 5 gols. Taremi marcou duas vezes para o Irã e Saka fez mais um, Grelish e Rashford anotaram um cada, para os ingleses
. Não vamos perder a conta. Final de jogo: Inglaterra 6x2 Irã;

Se andaram por aí colocando Argentina, Brasil, França e Espanha como favoritas ao título, a Inglaterra jogou 90 minutos hoje para dar o seguinte recado: "eu também sou favorita!"

domingo, novembro 20, 2022

JOGO 1 - Catar vira Quito por uma noite

 Por Danilo Silveira

O Equador venceu e convenceu no jogo de estreia da Copa do Mundo 2022. A equipe comandada pelo argentino Gustavo Alfaro mostrou uma consciência enorme daquilo que precisava fazer durante a partida. Horas marcava alto, horas recuava um pouco a linha de marcação. Horas atacava com mais velocidade e intensidade, horas cadenciava mais o jogo. Horas tentava evoluir ofensivamente pelo meio, horas abria o jogo pelas pontas.

Aos 5 minutos, após cobrança de falta alçada na área, Félix Torres emendou um voleio e Enner Valencia completou para as redes. Ao que tudo indicava, o gol mais rápido da história das Copas do Mundo tinha sido anotado. Mas o VAR apontou impedimento na origem do lance e Daniele Orsato anulou o tento. Mas o dia era de Enner Valencia, o melhor jogador em campo. Aos 15 minutos, ele recebeu de cara para o gol, teve lucidez e habilidade para driblar o goleiro Saad Al Sheeb, que cometeu a penalidade. O próprio camisa 13 do Equador cobrou, com extrema categoria, para agora sim, marcar o primeiro gol do Mundial do Catar. Quinze minutos mais tarde, Enner Valencia repetiu a dose. Preciado cruzou da direita e o atacante executou uma cabeçada fenomenal, no canto direito, para ampliar o marcador.

O fato é que a partida apresentava-se fácil para o Equador. O time não parecia sentir o peso da estreia e jogava leve, solto e hiper a vontade no gramado do Al Bayt, na cidade de Khor. O Catar, por sua vez, não conseguia produzir praticamente nada de positivo no campo ofensivo. Para ser sincero, a equipe pouco conseguia se organizar na parte defensiva e quando o Equador adiantava a linha de marcação, os comandados do espanhol Félix Sánchez pareciam se perder ainda mais em campo. Em um dos lances de rara beleza plástica do Catar, uma boa troca de passes pela direita terminou em um ótimo cruzamento para Almoez Ali. O camisa 19, no entanto, cabeceou muito mal. Foi o último lance da primeira etapa.

Vieram os 45 minutos finais e o Equador continuou melhor em campo. Na frente no marcador, por dois gols de vantagem, a equipe sul-americana soube controlar bem a vantagem e conter as investidas ofensivas do Catar, que pareciam mais corriqueiras, porém com a mesma efetividade baixa.

A vitória do Equador parece um fato normal, mas chama muito a atenção, o nível elevadíssimo de futebol apresentado.
Pela primeira vez na história das Copas, um país sede é derrotado no jogo inaugural. Podemos dizer que o Equador fez o catar parecer a capital Quito por uma noite.