quinta-feira, junho 14, 2018

SOB O CÉU DE MOSCOU, SELEÇÃO RUSSA ABRE A COPA DO MUNDO COM UM SHOW

Por Danilo Dias


Os sete jogos sem vitória somado a uma possível “responsabilidade” por jogar em casa, parece em nada ter afetado a Seleção Russa, no jogo de abertura do melhor torneio do planeta. Os comandados de Stanislav Cherchesov não tomaram conhecimento e simplesmente atropelaram a seleção da Arábia Saudita, aparentemente muito limitada para disputar uma Copa do Mundo.

Logo aos 12, minutos, Golovin cruzou da esquerda na medida para Gazinskiy cabecear e marcar o primeiro gol da Copa do Mundo da Rússia. Era o início de um passeio no estádio Lujniki, em Moscou.

O gol parece ter feito muito bem para os anfitriões e muito mal para a equipe asiática. Sem apresentar uma proposta de jogo bem definida e cometendo muitos erros, os sauditas foram cada vez mais sucumbindo ao belo futebol apresentado pelos russos. Mas, nem tudo foram flores para os donos da casa. Ainda na primeira etapa, Dzagoev caiu sozinho no gramado, levando a mão à parte posterior da coxa. Foi prontamente substituído por Cheryshev. E o camisa 6 estava em um dia iluminado. Nos minutos finais da primeira etapa, em um belo ataque da equipe russa, ele limpou dois marcadores e soltou uma bomba, vencendo o goleiro Al Maiouf e ampliando o marcador.

Veio a segunda etapa e a Arábia até esboçou alguma chegadas a frente, mas em lances totalmente isolados, sem nenhuma organização maior, sendo Akinfeev quase um espectador ao longo dos 90 minutos. Dzyuba também foi um espectador, mas não durante todo o jogo. Aos 25, ele saiu do banco de reservas para adentrar o grmado, na vaga de Smolov. E cerca de um minuto depois ele apareceu na área para efetuar bela cabeçada: 3x0. Era o banco de reservas da Rússia funcionando muito bem, obrigado. Acreditem que nunca em um jogo de abertura, um jogador que saiu do banco de reservas havia balançados as redes. Imagine a festa para um feito desse em dose dupla! Quer dizer, tripla. Nos acréscimos, Cheryshev invadiu a área e efetuou belo chute de canhota, marcando seu segundo gol na partida. E para fechar a conta, Golovin acertou bela cobrança de falta, no canto esquerdo do goleiro.

Destaque para o jogo coletivo da Rússia, em especial para  movimentação ofensiva da equipe, que buscou o gol praticamente todos os 90 minutos. Até onde a Rússia vai nesse Mundial, não dá para cravar...mas em um torneio onde o máximo de jogos que uma seleção pode fazer são sete, fazer uma atuação no nível dessa, já é um grande passo para uma boa campanha.
Para a Arábia Saudita, a situação é pouco confortável. Não somente pela goleada sofrida, mas pela fragilidade do futebol apresentado.

terça-feira, junho 05, 2018

UM POUCO MENOS SOBRE NÚMERO, UM POUCO MAIS SOBRE FUTEBOL.

Por Danilo Silveira


Outro dia, numa roda de amigos, surgiu a discussão sobre qual era o melhor esquema para se usar em determinada equipe do futebol brasileiro. As pessoas ali presentes atrelavam à palavra “esquema”, uma série de conjuntos numéricos, do tipo 433, 442, 354, 4141.
Perguntado sobre o que eu preferia, eu simplesmente respondi que não compreendia os esquemas táticos de futebol traduzidos em “linhas de ônibus”. Fez-se um silêncio, uma espécie de curiosidade para o desfecho da minha fala, que vou traduzir mais ou menos como foi, no parágrafo abaixo.

A complexidade que o futebol nos oferece e os constantes deslocamentos de jogadores em função de circunstâncias diversas (marcar, correr até a bola, realizar uma cobertura, cobrar uma falta, se desmarcar), impossibilitam simplificar um esquema de jogo apenas a um conjunto de números. O zagueiro vira atacante na hora que seu time vai cobrar escanteio; o atacante vira zagueiro na hora de marcar uma bola alçada na área pelo time adversário; o ponta vira lateral quando acompanha o lateral adversário até a linha de fundo defensiva; o lateral vira meia quando entra em diagonal para enfiar uma bola ao centroavante. Esporte de invasão, como o futebol, funciona assim...os jogadores circulam o campo todo, mudam de posição em questões de segundos.

Podemos ilustrar tal fato pegando vários exemplos. Um deles é Lucas Paquetá, jovem promissor da base do Flamengo, que hoje atua na equipe principal, de titular. Paquetá circula pelo campo todo...hora está na direita, hora está na esquerda, hora joga pelo meio...tem vezes que parece até um lateral, marcando o atacante adversário na bandeirinha defensiva. Paquetá não tem uma posição definida. Ele não é atacante, não é meia, não é ponta...ele “está ponta”, ele “está lateral”, ele “está atacante”.

E parece ser uma dificuldade mundial, em especial no Brasil, entender esse dinamismo que o futebol nos oferece. Aqui, tudo parece ainda funcionar de maneira mais pragmática possível. É preciso ter dois laterais, dois zagueiros, três ou quatro meio-campistas e dois ou três atacantes. Qualquer coisa diferente disso é invenção. Colocar um atacante na lateral, por exemplo, é quase uma heresia, ao ponto de usarmos a palavra “improvisar”, como se estivéssemos usando um balde par cozinhar arroz, já que não tem panela.

Os treinos em campo reduzido muitas vezes seguem a lógica de não existir uma posição pré determinada para cada jogador. Todos desempenham o mesmo tipo de trabalho, São os tais “jogos condicionados”, como por exemplo, o “bobinho”. Há algum tempo, o “bobinho” era usado como forma de aquecimento, como se fosse uma brincadeira. Hoje, muitos treinos de alto rendimento são baseados no “bobinho”. Alías, vamos relembrar um pouco do Barcelona do Guardiola (melhor time de futebol dos últimos tempos). O que Iniesta, Xavi, Villa, Messi e companhia faziam com os adversários, não era uma espécie de bobinho? Com a bola em posse, era quase impossível o adversário roubá-la...quando o adversário enfim conseguia a posse de bola, era quase impossível mantê-la por mais de 15 segundos.

Falando de Barcelona, de esquema tático e de número, qual seria a composição numérica mais adequada para descrever aquela equipe? 442, 433, 352?  Eu, sinceramente, acredito que a melhor definição é 11! Eram 11 jogadores dentro de campo, espalhados, espaçados, sem perder a organização. Um time dos mais organizados, sem precisar ter uma “linha de quatro”, sem precisar jogar “com um homem fixo na frente”, sem precisar de “dois homens na contenção”.

Dentro dessa lógica numérica adotada por muitas pessoas, criou-se até a expressão “falso 9”, que sinceramente, estou tentando entender até hoje. Fazendo essa pergunta por aí, já obtive muitas respostas diferentes, mas a maioria gira em torno de “o centroavante que joga na grande área, mas tem horas que sai da grande área”. Sinceramente, se isso é ser um “falso 9”,eu estou até agora procurando um “verdadeiro 9”, porque eu nunca vi um jogo de futebol onde o centroavante passe os 90 minutos dentro da grande área. Nessa lógica, daqui a pouco vai ter gente chamando Manuel Neuer de “falso 1”, pois trata-se de um goleiro que as vezes joga na intermediária.

Em tempo de Copa do Mundo, vale refletir. Diante do fiasco apresentado pelo Brasil nos últimos Mundiais, vale pensar um pouco a respeito do futebol, vale discutir o futebol como ciência, vale a pena falar sobre métodos de treinamentos. Vale a pena, esquecer um pouco os números. Pois o brasileiro, parece que por natureza, tem a mania de falar de número. “O que importa é que ganhamos por 1x0” “Ele joga como camisa 9 ou como camisa 10” “Vai entrar no 433 ou no 442” “Ele ganhou só um Estadual e uma Copa do Brasil” “Ele fez 234 gols na carreira, o outro fez 390”

De tanto falar de número, a gente esquece de falar do mais legal de tudo, que é o futebol!  

quinta-feira, janeiro 11, 2018

EM DUELO EQUILIBRADO, CRUZEIRO BATE RIO BRANCO-SP NOS PÊNALTIS

Cruzeiro e Rio Branco-SP fizeram um interessante duelo na tarde desta quinta-feira, na cidade de Bebedouro, pela Copa SP de Juniores. No fim das contas, o Cruzeiro avançou de fase, superando os paulistas nas penalidades.

Não demorou muito tempo após o apito inicial para perceber-se qual era a estratégia de cada time. O Cruzeiro cadenciava o jogo, com muita posse de bola e uma boa capacidade técnica de seus jogadores, tentando envolver o time do Rio Branco, que por sua vez, marcava muito forte e tentava imprimir velocidade na construção de jogadas ofensivas quando tinha a posse de bola.

Nesse cenário, poucas oportunidades gol foram criadas durante a primeira etapa. O gol único que levou o Cruzeiro em vantagem para o intervalo, saiu, podemos dizer, em um lance isolado. Um escanteio cobrado da esquerda, que gerou um bate rebate dentro da área, até Vitinho chutar para as redes.

A boa capacidade técnica, o bom toque de bola e a desenvoltura do time cruzeirense, não foi vista quando o jogo voltou do intervalo. O Rio Branco avançou a marcação, passou a imprimir um bom ritmo de jogo, agressivo e corajoso. O prêmio veio através de uma penalidade. quando Thiago Junior foi derrubado na área. Ele mesmo fez a cobrança e empatou o duelo.

A partir daí, o jogo ficou muito perigoso para a equipe cruzeirense, que via um adversário muito bem arrumado dentro de campo, com uma marcação forte no campo de ataque. Aos poucos, no entanto, o time mineiro foi "voltando para o jogo" e o confronto passou a ser disputado em um ritmo mais elevado ainda. O Cruzeiro assustou em alguns chutes de média distância, e nas duas chance mais claras, o goleiro Rafael salvou o Rio Branco, defendendo dois chutes cara a cara.

 A vaga então, ficou para as penalidades. E o goleiro cruzeirense, Gabriel Brazão, (que inclusive já defendeu a Seleção Brasileira em um Mundial sub-17, sendo eleito o melhor goleiro da competição) brilhou, defendendo duas cobranças e sendo o principal herói da classificação cruzeirense.

O Rio Branco está de parabéns pelo jogo de hoje, tendo vendido muito caro a classificação para o time cruzeirense, que por sua vez, mostrou muito potencial, mas precisa ser mais constante ao longo dos 90 minutos para evoluir o seu nível de atuação.