segunda-feira, maio 07, 2012

FLUMINENSE LARGA (MUITO) NA FRENTE EM DECISÃO ESTADUAL



Por Eduardo Riviello, extraído de www.jogadadefeito.blogspot.com

O Clássico Vovô, que marcou uma final de Campeonato Estadual pela última vez no ano 1971, retomou o protagonismo no Rio de Janeiro e teve sua partida de ida dominada pelo Fluminense. A vitória por 4a1 deu ao Tricolor das Laranjeiras a significativa vantagem de se tornar campeão mesmo em caso de derrota por dois gols de diferença no próximo domingo. Para o Botafogo reverter a situação, precisará golear o adversário por pelo menos quatro gols de margem - em caso de vitória por três gols, o título será decidido nos pênaltis.

Essa foi a primeira vez que o Fluminense venceu o Botafogo no estádio Engenhão. De quebra, o time comandado por Abel Braga ainda acabou com a invencibilidade do Alvinegro dirigido por Oswaldo de Oliveira - a partir de hoje, pode-se dizer que não há mais nenhum time invicto nas séries A e B brasileiras nesse ano de 2012.

O jogo

As coisas começaram bem para o Botafogo, que iniciou a partida buscando o ataque e não tardou para marcar 1a0: aos oito minutos, o camisa oito Renato pegou de primeira uma sobra de bola originada em cruzamento de Fellype Gabriel e mandou no canto direito. Belo gol para abrir a contagem na final estadual.

Mas o rendimento do Alvinegro de General Severiano foi caindo a ponto de ver-se em campo um time que sequer era sombra daquele que venceu o Vasco na final da Taça Rio. Um pouco pela postura do Fluminense e um tanto pelos erros do próprio Botafogo, que desperdiçava a posse de bola em lances que se complicavam sem qualquer cabimento.

O Tricolor ia chegando com mais freqüência ao ataque, descolando finalizações atrás de finalizações. Parou em Jéfferson, carimbou Antônio Carlos, chutou para fora. Mas, aos quarenta e três minutos, a insistência na busca pelo gol foi recompensada não com um gol qualquer, mas com uma pintura de Fred: após cruzamento de Thiago Neves, o camisa nove emendou uma bicicleta improvável, pegando na veia e mandando a redonda no canto direito. Golaço e 1a1 no placar.

A partida foi para o intervalo após um primeiro tempo onde o Flu era flagrantemente superior dentro das quatro linhas. As jogadas pela esquerda com Carlinhos criavam dificuldades à defesa botafoguense, que tinha o lateral-direito Lucas pendurado com cartão amarelo e bastante perdido no combate aos adversários que caíam pelo seu setor. Oswaldo manteve o mesmo time para a segunda etapa e o Botafogo quase desempatou aos seis minutos, quando Sebastián "El Loco" Abreu, mesmo agarrado por Leandro Euzébio em lance de pênalti não marcado, cabeceou parando em defesa de Diego Cavalieri.

Quem não tinha mais como manter Lucas em campo era o árbitro Luís Antônio Silva Santos: aos dez minutos, o camisa dois calçou Thiago Neves impedindo contra-ataque tricolor e recebeu o segundo cartão amarelo, sendo corretamente expulso. Se naquele momento o Fluminense conquistava uma vantagem numérica no gramado, dois minutos depois passou a obter vantagem também no placar: Deco serviu Rafael Sóbis com belo passe e a jogada foi concluída com uma bela finalização do camisa vinte e três, no ângulo direito. Era a  virada do Fluminense.

Objetivo na construção de jogadas e sabendo explorar os espaços vazios, o Flu não demorou para marcar o terceiro gol: Thiago Neves passou para Sóbis e, após driblar Jéfferson, ele marcou seu segundo gol na partida. 3a1. O gol foi sucedido imediatamente pela parada técnica prevista em regulamento. Fellype Gabriel, deslocado para a lateral-direita, até saiu-se bem por ali. O Botafogo tentava compensar a desvantagem no número de jogadores na base do esforço e dedicação e a partida seguiu movimentada. Melhor para o Fluminense: com o jovem e veloz Marcos Júnior em campo, o Tricolor chegou ao quarto gol em bela jogada, envolvendo Deco, Rafael Sóbis, Fred e o jogador que entrara no segundo tempo, que não desperdiçou a oportunidade.

Os gritos de "olé" deram o tom antes do apito final e deixaram a impressão de que o título estadual de dois mil e doze, embora não definido, está pra lá de encaminhado. Agora, Fluminense e Botafogo voltam suas atenções para suas respectivas eliminatórias de oitavas-de-final: na quinta-feira, o Flu joga com o Internacional, pela Libertadores (0a0 na ida); na quarta-feira, o Botafogo encara o Vitória (1a1 na ida), pela Copa do Brasil. Ambos os jogos serão disputados no Engenhão.

sexta-feira, maio 04, 2012

RECORDAR É VIVER: VASCO 3 A 1 MANCHESTER UNITED - 08-01-2000 - MARACANÃ

Por Danilo Silveira



O torcedor do Vasco deve sentir muita saudade do dia 8 de janeiro de 2000. Naquela tarde, no Rio de Janeiro, mais precisamente no estádio Maracanã, a equipe brasileira venceu o Manchester United, que era o atual campeão europeu. O jogo, válido pelo Mundial de Clubes da FIFA, contou com um primeiro tempo de cinema da equipe carioca, com belas exibições de Ramon, Edmundo e companhia.


Um primeiro tempo para inglês ver!

A bola rolou e logo o Vasco encontrou a maneira ideal de enfrentar o Manchester United. As enfiadas rápidas de bola tentando achar Romário e Edmundo eram ótimo artifício usado diante de um sistema defensivo que marcava em linha. Porém, os impedimentos marcados pelo bandeirinha tornaram-se uma barreira para que o ataque vascaíno chegasse na cara do goleiro Bosnich, em condição legal. Ramon foi o melhor jogador em campo na primeira metade dos 45 minutos iniciais. Pode-se dizer que o camisa 9 era o dono do meio campo. As investidas do Manchester United ao ataque eram sem sucesso e o Vasco contava com boa atuação do zagueiro Mauro Galvão. E aos 24 minutos, Gary Neville atrasou uma bola errada, a redonda caiu nos pés de Edmundo, que não foi fominha, rolou para o lado, deixando Romário de frente para o gol aberto: 1 a 0. Dois minutos mais tarde, o lateral direito Jorginho, o mesmo que foi auxiliar da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010, deu um belíssimo lançamento da ponta direita e Gary neville novamente falhou, dessa vez ao tentar dominar no peito e a bola chegou até Romário, que usou sua categoria para driblar o goleiro e anotar seu segundo tento. A atuação fraca e apática da equipe inglesa até parecia fruto de certo desinteresse da equipe, que assistia o Vasco esbanjar talento dentro de campo. O quarteto formado por Felipe, Ramon, Edmundo e Romário colocava o time inglês na roda. Isso porque o Vasco ainda contava com Juninho, que não foi tão bem quanto os companheiros acima citados. Na segunda metade da primeira etapa, Romário jogou como meio-campista, voltando para ajudar na armação de jogadas. Aos 41, Felipe chegou na cara do gol e só não ampliou porque Bosnich fez boa defesa em chute rasteiro. Porém, um minuto mais tarde, Edmundo fez a jogada mais bonita da partida. O Animal recebeu na intermediária, de costas para o gol, deu um tapa na bola, girou em cima de Silvestre e bateu na saída do goleiro, para anotar uma pintura de gol: 3 a 0.


Vasco não repete bom primeiro tempo, mas segura vitória.

Para a segunda etapa, Alex Ferguson lançou Sheringham na vaga de Solskjaer e logo com um minuto, o atacante fez uma bonita jogada, recebendo próximo da meia lua e dando belo chute, encobrindo Hélton, só que a bola foi para fora. E foi o primeiro indício que o jogo mudaria de figura. O Manchester passou a dominar o campo ofensivo, rondar a área vascaína e criar oportunidades, como em chute de Keane aos 11, defendido por Hélton. Aos 18, Antônio Lopes fez sua primeira mexida, por motivo clínico. Jorginho sentiu um problema ao cruzar uma bola pela direita e precisou deixar o campo, para a entrada de Paulo Miranda. Ferguson lançou Jordi Cruyff (filho do famoso Johan Cruyff) e Fortune, nas vagas de Stam e Giggs, esse mesmo que joga no Manchester United até hoje. Enquanto isso, Antônio Lopes fez suas duas substituições restantes, lançando Nasa e Alex Oliveira nas vagas de Ramon e Juninho. O Vasco se segurou na parte defensiva, contando com a séria atuação de Júnior Baiano, que não mostrou cerimônia para dar chutões para frente. O United ainda fez um gol, aos 36 minutos, após jogada bem trabalhada, onde Keane apareceu no segundo pau para receber cobrança de falta, tocar para o meio, onde Butt empurrou para o gol. O time inglês até deu sinais que pressionaria em busca de mais um gol, mas o Vasco neutralizou bem as jogadas ofensivas e saiu do Maracanã com uma boa vitória diante dos Diabos Vermelhos.


quinta-feira, maio 03, 2012

SAI FELIPE, ENTRA FELIPE: UMA TROCA COMPROMETEDORA!!!

Por Danilo Silveira



A vitória do Vasco diante do Lanús, nesta quarta-feira, em São Januário, pode nos levar a diversas reflexões. O fato é que o Vasco, se não foi brilhante na primeira etapa, foi um time arrumado e inteligente dentro de campo. Um time que soube explorar bem os seus valores individuais, desde a bela defesa de Fernando Prass, evitando o primeiro gol do Lanús, até a pintura que foi o gol do Diego Souza, passando pela boa atuação da dupla Felipe-Juninho. Tratou-se de um dos melhores tempos que eu assisti do Vasco em 2012, que terminou com o excelente placar de 2 a 0 para a equipe brasileira.

Veio a segunda etapa e o Vasco tinha plenas condições de continuar com o mesmo ritmo, a mesma pegada, a mesma organização. O desenho do jogo levava até a crer que o time brasileiro aumentaria o marcador e sairia virtualmente classificado de São Januário. A ducha de água fria para a equipe poderia ter sido uma penalidade assinalada a favor do Lanús, mas o impedimento foi assinalado e a infração foi cancelada pelo árbitro. Porém, a ducha de água fria acabou vindo em dose dupla. Primeiro, Reguero recebeu lançamento nas costas de Fagner, dominou e chutou para diminuir o marcador. Logo em seguida, foi a vez de Cristóvão Borges mexer na equipe. O comandante vascaíno tirou Felipe, o melhor em campo da equipe até então, para a entrada de Felipe Bastos. Sou contra os xingamentos a técnicos e jogadores, mas os gritos de “burro” para Cristóvão mostram que nem sempre o “futebol é resultado”. Vale destacar que Felipe mostrou-se altamente irritado com a sua saída do jogo. Com a mexida, o treinador vascaíno deu uma verdadeira aula de como bagunçar o meio-campo de uma equipe. O Vasco até continuou atacando, mas a organização tática apresentada na primeira etapa foi para o espaço. Carlos Alberto ainda entrou na vaga de Diego Souza e foi bem, mostrou-se bem mais participativo. Aliás, pode-se dizer que Diego Souza jogou mal, porém, foi protagonista do lance mais bonito da partida, um chapéu do adversário, conjugado com um belo chute de primeira para marcar o segundo gol vascaíno. Nos minutos finais, o Vasco teve muito perto de tomar o segundo gol e mesmo não tomando, o time foi vaiado ao fim do jogo, e Cristóvão Borges altamente xingado.

O Vasco leva para Argentina uma pequena, mas importante vantagem. Se a equipe tivesse jogado na segunda etapa aquilo que jogou na primeira, provavelmente essa vantagem seria mais elástica.