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quinta-feira, julho 23, 2015

COM BELA ATUAÇÃO, TIGRES ELIMINA INTER E CHEGA À FINAL DA LIBERTADORES

Por Danilo Silveira

Certo dia, no início desse ano, estava “rodando” os canais esportivos na televisão, até me deparar com um jogo da Libertadores, o qual o Tigres era uma das equipes. E muito me impressionou a qualidade do time, que tinha o ataque naquela ocasião formado por Rafael Sóbis e Guerrón.

O bom futebol apresentado pela equipe comandada por Ricardo Ferretti, despertou-me o desejo de assistir os jogos subsequentes da equipe na Libertadores. E assim o fiz. O time mexicano foi avançando de fase até que chegou à semifinal da competição, e tinha pela frente o tradicional Internacional de Porto Alegre. Talvez a mídia esportiva pudesse analisar de maneira diferente, mas na minha cabeça, o Tigres era o favorito para o confronto, pelo futebol que já apresentara anteriormente.

No jogo de ida, deu Inter no Beira-Rio: 2 x 1. E no jogo de volta, nesta quarta-feira, apareceu o envolvente, bonito e eficiente futebol do Tigres, que eu já tinha sido apresentado há meses atrás. Os 3 x 1 que deram a classificação ao Tigres não demonstram exatamente o que foi o duelo. Um placar mais elástico refletiria melhor o confronto. Talvez uns cinco ou seis a um, tamanha a superioridade dos mexicanos em campo.

A contagem foi aberta com o ótimo centroavante francês Gignac, contratação feita recentemente pelo Tigres, que veio a ser a cereja do bolo. Geferson, em uma falha terrível marcou contra, ampliando, ainda na primeira etapa, a vantagem mexicana.

Veio a segunda etapa e o Tigres mostrava um preparo físico invejável, aliado a uma marcação implacável e um ímpeto ofensivo aplausível. E as chances foram sendo criadas em sequência, enquanto o Inter esbarrava no sistema defensivo adversário e deixava espaços na defesa. Sóbis perdeu a chance de ampliar, desperdiçando uma penalidade, mas pouco depois Arévalo teve a incumbência de cabecear para as redes e tornar mais elástica ainda a vantagem mexicana: 3 x 0.

O Tigres dava uma aula, prática e filosófica de como se praticar futebol. Mesmo em vantagem, a equipe de Ricardo Ferretti não abdicava de atacar, explorando os buracos deixados pelo Inter. Pelo cenário apresentado em campo, o Inter  estava prestes a levar uma daquelas goleadas históricas. Mas acabou que, não só o Tigres não fez mais gols, como o Inter diminuiu o marcador, com Lisandro López, nos minutos finais. Estava o Inter agora a um gol da classificação, que seria uma tragédia para o Tigres, que fazia uma atuação fantástica. O placar não mais foi alterado e o Tigres garantiu a merecida vaga na final da Libertadores 2015.


Como um time mexicano não pode se classificar para o Mundial via Libertadores da América, o River Plate, outro finalista, garantiu presença no Mundial de Clubes, no fim do ano. Nas duas próximas quartas-feiras, Tigres e River Plate decidem o título da Libertadores. O River carrega a tradição, o Tigres carrega o favoritismo.

quinta-feira, maio 14, 2015

NOS PÊNALTIS, CRUZEIRO DERROTA SÃO PAULO E AGORA ESPERA RIVER OU BOCA

Por Danilo Silveira

Montar uma grande equipe é muito difícil, remontar uma grande equipe talvez seja ainda mais complicado. E na noite desta quarta-feira, Marcelo Oliveira demonstrou que vem tendo sucesso nessa empreitada à frente do Cruzeiro, atual bicampeão brasileiro.

A equipe mineira eliminou, não sem doses de sofrimento, o São Paulo, atual vice-campeão brasileiro. Como havia perdido por 1 x 0 o jogo de ida no Morumbi, a equipe mineira precisava vencer por dois gols de diferença para avançar às quartas de final da Libertadores.

O time criou um número de chances que poderiam ser mais que suficientes para conseguir tal empreitada citada no parágrafo acima. No entanto, apenas uma bola entrou, em bela jogada que terminou com passe de Mayke para Leandro Damião fazer o gol único do duelo, que teria como desfecho final as penalidades.

Tinha Rogério Ceni, portanto, a incumbência de brilhar embaixo dos postes para colocar o São Paulo na fase seguinte daquela que pode (deve) ser sua última Libertadores da América como jogador profissional. Ele brilhou, mas não o quanto se fez necessário para o time paulista avançar. Das seis cobranças, Rogério pegou duas e quatro entraram. Mas do outro lado, Fábio brilhou na mesma intensidade, pegando duas batidas. A grande diferença foi que somente três cobranças são-paulinas entraram; Souza colocou para fora. Cruzeiro classificado!

O que ocorre e o que era para ocorrer se fosse usado como base para decisão o merecimento nem sempre caminha na mesma direção. Mas nesta quarta-feira, foi isso o que ocorreu. Mais precisamente, o Cruzeiro mereceu a classificação pelo que fez com bola rolando. Foi mais agudo, buscou mais o ataque, teve quatro homens de frente contra três do São Paulo.

Talvez tenha estado aí o grande erro de Milton Cruz. Escalar três volantes (Souza, Denílsone Wesley), abrindo mão de Centurión e Luís Fabiano, que só adentraram o gramado na segunda etapa. E nesse momento houve outro equívoco. Alexandre Pato deveria ter seguido em campo, e não ter sido o escolhido para ceder lugar ao Fabuloso. Era possível, benéfico e até certo ponto previsível acreditar que os dois juntos teriam grandes chances de fazer o São Paulo evoluir seu nível de atuação. Aliás, assim foi contra o Flamengo, no último domingo.

Ainda assim, o São Paulo teve perto da classificação quando Bruno fez bela jogada e serviu Luis Fabiano, que por pouco não guardou um belo gol de voleio. E o Fabuloso também não converteu na disputa de pênaltis, parando em Fábio. Mas seria cruel e até certo ponto errado, atribuir a eliminação às duas chances desperdiçadas pelo camisa nove são paulino.


No ano passado, o Cruzeiro também jogava a Libertadores com o Status de campeão brasileiro.  Naquela ocasião, o time mineiro parou nas quartas de final, no San Lorenzo, que viria a ganhar a competição. Buscando chegar mais longe dessa vez, o time mineiro encontra pela frente, nas quartas de final, um clube também argentino. Boca e River decidem nesta quinta-feira quem enfrentará a Raposa na próxima fase.  Venha quem vier, a expectativa é de um confronto duro, equilibrado, entre duas camisas tradicionais quando o assunto é Libertadores.

quarta-feira, maio 06, 2015

MESMO SEM MUITO BRILHO, TIGRES AVANÇA ÀS QUARTAS DA LIBERTADORES

Por Danilo Silveira



O Tigres não conseguiu repetir as boas atuações que eu já havia presenciado nesta edição da Libertadores. No entanto, o empate em 1 x 1 com o Universitario Sucre, em casa, foi suficiente para a equipe mexicana avançar às quartas-de-final, graças à vitória no jogo de ida por 2 x 1, na Bolívia.

A exemplo do que aconteceu no primeiro jogo, o Universitario chegou ao gol muito cedo. Logo com um minuto, Rubén Cuesta recebeu na área, chutou cruzado e viu a bola ultrapassar o goleiro Guzmán, tocar na trave direita e entrar.  A derrota por 1 x 0 ainda classificava o Tigres por conta do gol fora de casa, mas sair em desvantagem tão cedo deve ter assustado o mais otimista dos torcedores do time mexicano.

Se no jogo de ida a resposta do Tigres ao gol sofrido cedo foi boa, dessa vez nem tanto. O time mexicano até conseguia ocupar o campo ofensivo, mas tinha extrema dificuldade de ultrapassar a intermediária. As frequentes jogadas pela ponta esquerda com Torres Nilo e Álvarez eram bem interceptadas pelo sistema de marcação adversário.

E foi na bola parada que o Tigres encontrou a melhor chance de gol nos 45 minutos inicais. Após jogada aérea oriunda de um escanteio cobrado pela direita, a bola sobrou para Lugo, próximo à marca penal, mas o atacante bateu por cima. A resposta do Universitario veio também na bola parada. Castro apareceu no primeiro pau após cobrança de escanteio da esquerda e cabeceou por cima, por pouco não acertando a meta de Gúzman, assustando a equipe de Ricardo Ferretti.

Veiram os 15 minutos de intervalo para o Tigres tentar se arrumar e por em prática um melhor futebol, coisa que essa equipe já provou saber jogar. Ferretti mexeu na equipe, tirando Esqueda e lançando Guerrón.

No início da segunda etapa, a equipe mexicana até tentou aumentar a intensidade na parte ofensiva, mas seguiu esbarrando no sistema defensivo da equipe comandada por Julio Cesar Baldivieso. Conforme o tempo passava, mais perigoso o jogo ficava para os mexicanos.  Aos 26 minutos, Silvestre teve perto de ampliar para o time de Sucre, em cabeçada que passou perto, à esquerda de Guzmán.

Só que dois minutos mais tarde, o mesmo Silvestre cometeu o pênalti que originou o gol de empate. Ele derrubou Álvares, quando este fazia bela jogada pela esquerda, já tendo deixado para trás dois marcadores. Rafael Sóbis converteu chutando no canto direito de Olivares.
Nos aproximadamente 20 minutos restantes, o Universitario se expos mais, buscando um gol que levaria o jogo para as penalidades. Em contra partida, o Tigres ganhou o contra-ataque como boa oportunidade de se aproximar da virada no placar. No entanto, nenhuma das equipes conseguiu alterar o marcador.


Apesar da atuação abaixo do que eu esperava, sigo enfatizando que o Tigres é um dos favoritos para conquistar a América em 2015.

quarta-feira, abril 29, 2015

NA ALTITUDE DE SUCRE, TIGRES VIRA PARA CIMA DO UNIVERSITARIO.

Por Danilo Silveira

Na fase de grupos da Libertadores, o bom futebol apresentado pelo Tigres, do México, me chamou atenção. E isso me motivou a assistir o duelo de ida das oitavas-de-final, onde os mexicanos foram até a Bolívia duelar com o Universitário de Sucre. Os 90 minutos foram mais que suficientes para o Tigres confirmar a boa impressão deixada na fase de grupos e despontar ainda mais como um dos favoritos à conquista da América.

Com um minuto de jogo, o Universitario abriu o marcador. Após cobrança de escanteio da esquerda, Castro desviou no primeiro pau e Jorge González cabeceou para o fundo das redes. Nem mesmo o gol sofrido precocemente e os 2.810 metros de altitude foram suficientes para desestabilizar a equipe do Tigres. Não demorou muito tempo para os comandados do brasileiro naturalizado mexicano, Ricardo Ferretti, implementarem um bom toque de bola no meio campo e terem a superioridade na partida.

Talvez o ponto mais forte do time do Tigres seja o trio de ataque, formado por Rafael Sóbis, Guerrón e Álvarez.  Talvez sabendo disso, o Universitario avançava a marcação, tentando ao máximo impedir a transição da posse de bola do Tigres do meio para o ataque. E de certa forma deu certo, pois os mexicanos, apesar de uma boa atuação, não conseguiram criar muitas oportunidades de gol na primeira etapa. Na melhor delas, aos 34 minutos, Guerrón achou Alvárez na ponta esquerda e o camisa 11 chutou cruzado, não indo às redes por questão de centímetros.

Quando o árbitro argentino Patricio Loustau apitou o fim do primeiro tempo, Guerrón acabou se desentendendo com seu companheiro de equipe, Pizarro, chegando a proferir-lhe um empurrão. O princípio de confusão logo cessou e, coincidência ou não, Guerrón não voltou para a segunda etapa, cedendo lugar a Enrique Esquerda.

Demorou apenas nove minutos na segunda etapa para o Tigres chegar ao empate, que veio com uma pitada de competência de Ricardo Ferretti. Esquerda entrou desempenhando bem o papel de “falso 9”, caindo pela ponta direita, mas também aparecendo bem pelo centro, dando opção de jogadas de profundidade. E foi numa dessas aparições que ele recebeu de Rafael Sóbis (em posição muito duvidosa, mas acredito que não estava impedido), limpou o goleiro Robles e chutou para empatar a partida.

A troca de um jogador por outro (Guerrón por Álvarez) foi benéfica ao Tigres, mas houve outra mudança também positiva na equipe mexicana. Só que essa não de uma peça por outra, mas sim no posicionamento de uma peça já atuante. Arévalo passou a ter mais liberdade para atacar, para se aproximar da área adversária. Em uma dessas investidas ele descolou excepcional passe para Álvarez, que deixou o defensor Cuéllar sentado antes de chutar para virar o jogo e colocar o Tigres em ótima situação para avançar às quartas de final.

No jogo da volta, os mexicanos podem até perder por 1 x 0 que avançam à próxima fase. A vitória do Universitario por 2 x 1 leva o jogo para a prorrogação e o triunfo por qualquer outro resultado dá aos bolivianos a classificação. Jogando o futebol que jogou hoje, cabe dizer que se torna muito difícil outro desfecho que não seja a classificação do time mexicano.

quarta-feira, março 04, 2015

CRUZEIRO ESBARRA NO HURACÁN E SEGUE SEM VENCER NA LIBERTADORES.

Por Danilo Silveira


A atual edição da Libertadores promete ser a mais difícil dos últimos anos. Pelo menos é o que posso deduzir analisando os primeiros jogos do torneio. Times organizados, bem montados e difíceis de serem batidos, mesmo quando não apresentam uma qualidade técnica tão impressionante assim. É o caso do Huracán, que veio ao Mineirão nesta terça-feira e arrancou um 0 x 0 do Cruzeiro, atual bicampeão brasileiro, na base da sua consistência defensiva.

A história do confronto poderia ter sido diferente se aos 5 minutos de jogo o assistente não tivesse marcado impedimento de Marquinhos, que saiu cara a cara com o goleiro Giordano e rolou para Damião empurrar para as redes. Lance difícil, para lá de complicado. Daqueles que nem o próprio replay é capaz de sanar por completo as dúvidas do telespectador. Logo, isento qualquer culpa que se venha a ser atribuída ao bandeirinha.  Talvez o jogo também fosse outro se o voleio de De Arrascaeta tivesse entrado aos 13 minutos, após belíssima trama do time cruzeirense, com direito a chapéu e caneta de Marquinhos, grande passe de Damião e certeiro cruzamento de Mayke.

Era a hora que o Cruzeiro deveria ter aberto o placar: nos minutos iniciais. Pois foi o momento em que o time azul teve o melhor desempenho, melhor conseguiu encontrar os espaços no campo ofensivo. O Huracán evoluiu sua atuação com o decorrer da primeira etapa. Fechou melhor os espaços na parte defensiva e conseguiu arriscar algumas investidas no campo de ataque, como aos 23 minutos, quando uma cabeçada que passou por cima do travessão assustou o goleiro Fábio.
A resposta cruzeirense ao ataque do Huracán veio aos 31 minutos. Marquinhos cruzou e Henrique cabeceou para boa defesa de Giordano. No rebote, De Arrascaeta e Willian ainda tiveram a chance de abrir o marcador: o primeiro bateu em cima da marcação e o segundo chutou por cima do gol. O intervalo chegou e deve ter batido no time do Huracán a sensação de “dever cumprido”, enquanto no Cruzeiro o sentimento deve ter sido o oposto.

Tentando criar alternativas para sua equipe chegar mais perto do gol, Marcelo oliveira apostou na entrada de Alison na vaga de Willian. E o Cruzeiro continuou tentando e a marcação do Huracán continuou sobressaindo no campo de jogo. Ricardo Goulart faz uma falta tremenda nesse time...o mesmo serve para Éverton Ribeiro. Levando em conta o desmanche do ano passado, pode-se dizer que o Cruzeiro fazia uma boa partida. A queda de rendimento em relação às atuações de 2014 parece inteiramente compreensível, se analisado o contexto e a quantidade de jogadores perdidos.

Em seu último lance em campo, De Arrascaeta quase abriu o placar, em chute que passou perto da trave direita de Giordano. O garoto Judivan entrou na vaga do uruguaio e com pouco tempo em campo quase abriu o marcador, também em um chute de fora que passou à direita do gol. Aos 29 minutos, Marcelo Oliveira fez aquilo que deveria ser feito: abriu mão de um dos seus dois volantes. Entre Willians (que por sinal fez boa partida, dando qualidade em passe no meio-campo) e Henrique, ele escolheu a segunda opção. E para o seu lugar entrou um outro Henrique. Apesar da semelhança no nome, a posição do camisa 19 que adentrava o campo nesse momento é outra, bem mais à frente. Lá foi ele fazer companhia à Leandro Damião no meio da zaga adversária.

A substituição no time mineiro parece ter aumentado a capacidade do Huracán de sair para o jogo.  Não que isso seja necessariamente ruim ao Cruzeiro. Se passou a sofrer alguns sustos atrás, passou a ter maiores chances de encaixar um contra-ataque. A velocidade de Romero Gamarra e a presença entre os zagueiros de Ábila causavam alguma apreensão ao torcedor azul, enquanto as bolas que pererecavam na área ofensiva do Cruzeiro davam alguma esperança do gol sair. Só que o momento em que o time mais chegou perto de abrir o placar não foi em uma jogada na grande área. Foi de fora do retângulo que carrega consigo a marca penal que Leandro Damião arriscou para carimbar a trave e deixar ainda mais entalado o grito de gol nas arquibancadas.

Com dois centroavantes cruzeirenses e alguns homens do Huracán atuando na grande área e suas redondezas, pode-se deduzir que ficou muito complicado para o Cruzeiro chegar ao gol trocando passes curtos. Só que aos 42, Alison conseguiu o improvável: achar um buraco na defesa adversária. Judivan foi parar na cara do gol! Era aquela chance que o torcedor mais esperava; aqueles dois, três segundos que parecem eternos para o Mineirão que deseja gritar gol. O garoto dominou bem, com o peito, e bateu tirando do goleiro, mas a bola resolveu passar a centímetros da trave esquerda, pelo lado de fora.


As vaias vindas das arquibancadas ao final da partida foram exageradas. O Cruzeiro pode não ter feito uma atuação daquelas espetaculares de tempos recentes, mas mostrou organização tática, padrão de jogo e sinais de que pode ir longe na Libertadores. Do outro lado, o Huracán mostrou-se um time inferior tecnicamente ao seu adversário. No entanto, a aplicação tática e consistência defensiva surgiram como fatores para equilibrar o duelo e prometem dar sufoco em muito gigante por aí.

Agora, Cruzeiro e Huracán dividem a segunda colocação do grupo que é liderado pelo Universitario Sucre. Ambos não venceram, mas também não perderam, acumulando dois empates em dois jogos. Curiosidade é o fato do Cruzeiro, que tantos gols fez em 2014, ainda não ter balançado as redes na competição.

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

COM BOUA ATUAÇÃO, RACING GOLEIA GUARANÍ DE ASSUNÇÃO

Por Danilo Silveira

Doze anos! Esse foi o tempo que a torcida do Racing esperou para ver novamente o time adentrar o gramado do Presidente Juan Domingo Perón para disputar uma partida válida pela Libertadores da América.  Em 2003, o time saiu de campo eliminado pelo America de Cali, nos pênaltis, no último jogo que disputou pelo torneio. Na noite desta terça-feira, foi bem diferente. Os torcedores certamente saíram felizes e contentes, não só pela vitória por 4 x 1 para cima do Guaraní de Assunção, mas pela atuação maiúscula da equipe.

Diego Milito, que estava no fatídico jogo de doze anos atrás, contra o América de Calli, curiosamente veste as cores do Racing atualmente. Claro que nesses doze anos muita coisa aconteceu na carreira dele, inclusive um título de Liga dos Campeões, com direito a dois gols na final. E o argentino camisa 22 foi peça para lá de importante no ataque do time de Avellaneda. O toque de experiência teve sintonia perfeita com o toque de juventude de Gustavo Bou, que veio a ser o nome do jogo. Quando essa dupla de ataque conseguia interagir, ficava difícil para o arrumado time do Guaraní de Assunção.

Talvez na jogada mais bonita da primeira etapa, Camacho tocou para Bou, que fez um corta-luz magnífico para Milito, que saiu na cara de Aguilar, mas desperdiçou a chance de abrir o marcador ao finalizar para fora. Apesar da superioridade do time argentino, o Guaraní conseguia mostrar suas virtudes e qualidades, chegando à frente com organização. Benítez teve ótima chance ao receber pela ponta esquerda da área, mas acabou finalizando na rede pelo lado de fora.

O final dos 45 minutos iniciais foi se aproximando e quando tudo apontava para um 0 x 0 entre o veloz e envolvente Racing e o arrumado Guaraní, veio a falha capital do goleiro Aguilar. Bou arriscou de fora um chute fraco, simples de ser interceptado, mas o camisa 12 que defendia a meta do time paraguaio acabou se atrapalhando e a bola cruzou a linha final. Festa tricolor no Presidente Perón.

Se na primeira etapa o Racing precisou muito criar para abrir o placar, no segundo tempo o gol não tardou a sair. Lollo descolou um lançamento fenomenal, do campo de defesa, Camacho dominou de maneira belíssima antes de servir Diego Milito, que só teve o trabalho de empurrar para as redes: 2 x 0. Em desvantagem no placar, o Guaraní era valente, corajoso e se mandava para o ataque, enquanto o Racing também não tirava o pé do acelerador. Assim, a partida se tornou eletrizante. O terceiro gol do Racing poderia ter saído em belo contra-ataque, com direito a bela enfiada de bola de Milito para Gutsavo Bou, mas o camisa sete executou muito mal uma finalização de cavadinha.

E valeu a premissa de quem não faz leva. Aos 19, Santander diminuiu o marcador ao chutar forte, quase da marca penal, para vencer o goleiro Saja. Um placar interessante, que deixava o confronto totalmente aberto e refletia de forma fidedigna o duelo: um Racing superior e um Guaraní valente, que conseguia atacar com contundência. Só que ainda tinha muito jogo pela frente e a qualidade do Racing iria se sobrepor ainda mais sobre a organização do time paraguaio.

Sob aplausos, Milito deixou o campo ao ser substituído. Em seu lugar, entrou Brian Fernández, que não demorou muito para dar a assistência para o terceiro gol. Ele aproveitou falha do adversário, avançou pela direita e serviu Bou, que estufou as redes do Guaraní. E ainda tinha mais Racing! E ainda tinha mais Bou! Camacho arrancou pela esquerda e tocou para o meio, servindo o camisa sete, que fechou a conta: 4 x 1. Foi o terceiro gol do atacante no jogo e sexto na edição da Libertadortes, em apenas dois jogos. Isto é, Bou fez um Hat-trick (três gols em um só jogo) também na primeira partida da equipe na competição (5 x 0 sobre o Deportivo Táchira, na Venezuela).


Aonde o Racing vai chegar na Libertadores 2015, só o tempo vai dizer. Mas com esse futebol apresentado diante do Guaraní de Assunção, fica difícil imaginar esse time dando adeus à competição. Essa Libertadores tem tudo para ser das melhores dos últimos anos. Creio que os brasileiros vão sofrer um bocado, principalmente nas mãos (leia-se nos pés) dos times argentinos.



quinta-feira, fevereiro 19, 2015

LOUCURA NA FOLIA

Por Danilo Silveira


Sob a regência do “bando de loucos”presente em Itaquera, o Corinthians desfilou leve e solto para derrotar o São Paulo na Libertadores em plena quarta-feira de cinzas, no primeiro duelo entre as equipes na história da competição.


Com um minuto de jogo o Timão desperdiçou boa oportunidade com Fábio Santos, que bateu para fora após pegar o rebote oferecido pela zaga são paulina. Era o anúncio do que viria nos minutos iniciais em Itaquera: Um Corinthians pressionando o São Paulo, marcando no campo ofensivo e usando a velocidade dos seus homens de frente para tentar envolver o adversário. Jádson, Danilo, Renato Augusto e Emerson Sheik formavam o quarteto ofensivo sem um homem fixo fazendo a função de centroavante. Podemos dizer que tal função poderia ser exercida cada hora por um jogador, até mesmo por um que não fizesse parte desse dito quarteto ofensivo. E foi assim que saiu o primeiro gol. Elias infiltrou na defesa são paulina para receber belo lançamento de Fágner e finalizar de primeira. Golaço! Cabe destacar a participação de Danilo na troca de passes que antecedeu o lançamento que originou o primeiro tento corintiano.

Mais objetivo, mais leve, mais bem distribuído em campo, o Corinthians dominava completamente um São Paulo que até tentava jogar pelo chão, mas esbarrava na lentidão de seu meio-campo e na forte e competente marcação corintiana. A equipe de Muricy Ramalho até conseguiu por alguns minutos esboçar um domínio territorial, mas não criou nada que viesse a trazer maiores sustos ao goleiro Cássio. 

Veio a segunda etapa e o Corinthians continuou superior dentro de campo. Se em 2012, quando venceu a Libertadores e o Mundial pelo Timão, Tite contava com Paulinho de segundo volante, agora ele tem em sua equipe Elias, que formando dupla com o mesmo Ralf de três anos atrás, desempenha um papel tão importante quanto o que Paulinho desempenhava: o de ser o homem que vem de trás, o motorzinho, que dita o ritmo do time, que auxilia na marcação e que é de suma importância na transição com os meias armadores.

O segundo gol corintiano veio para coroar o time que melhor atuava em campo. Emerson Sheik roubou bola de Bruno (Em um primeiro instante me pareceu lance faltoso, mas vendo o replay achei um lance legal) para puxar um contra-ataque fulminante, que terminou com Jádson cortando Reinaldo e chutando para vencer Rogério Ceni. E o Timão ainda desperdiçou a chance de ampliar com Danilo, que finalizou para fora, dentro da grande área.

No resumo da obra, os 2 x 0 poderiam ter sido 4 ou 5, mas foram mais que suficientes para fazer, em pleno carnaval, a alegria do torcedor corintiano, que soltou o grito de “olé”nos minutos finais da partida. O sonho do bicampeonato da Libertadores parece do tamanho do futebol apresentado pelo Corinthians na noite desta quarta: maiúsculo!

quinta-feira, maio 08, 2014

INOFENSIVO, CRUZEIRO SAI DERROTADO DO NUEVO GASÓMETRO

Por Danilo Silveira

Na noite desta quarta-feira o Cruzeiro não chegou nem perto de ser aquele time que encantou o país em 2013, com uma força ofensiva invejável, que mais parecia uma máquina de fazer gols. A equipe comandada por Marcelo Oliveira não criou praticamente nenhuma chance clara de gol e saiu do Nuevo Gasómetro derrotada por 1 x 0 por um compacto e arrumado San Lorenzo, comandado por Edgardo Bauza.

A tônica do primeiro tempo foi um San Lorenzo mais presente na parte ofensiva, mas sem criar muitas chances de gol. Apesar de termos um duelo tático interessante no campo de jogo, a falta de emoção acabou tornando os 45 minutos iniciais meio chatos.

Veio a segunda etapa e o Cruzeiro melhorou passando a atacar mais. Como seu aliado, o time do Papa tinha uma torcida impressionante, que cantava quase que ininterruptamente. E ironicamente, foi quando o time visitante melhorou no jogo que o San Lorenzo criou suas melhores chances. Primeiro, Fábio conseguiu salvar o Cruzeiro em duas defesas sequenciais espetaculares: primeiro em uma cabeçada e depois, mesmo caído, ele conseguiu parar um chute adversário. Só que nem o goleiro cruzeirense foi capaz de impedir que Santiago Gentiletti abrisse o placar pouco tempo depois. Jogada que nasceu em uma bola parada e terminou com a cabeçada do jogador para as redes celestes, aos 19 minutos.

Marcelo Oliveira mexeu no ataque da sua equipe, sacando Júlio Baptista e Willian, lançando Borges e Dagoberto. Mas a mudança não surtiu um efeito muito positivo não. O Cruzeiro continuou sem criar e distante do gol defendido por Torrico. O apito final veio e com ele a impressão de que teremos na próxima quarta-feira um duelo bem mais interessante que o de hoje. O palco é o Mineirão e de lá sairá um dos semifinalistas da competição.


Meu palpite? San Lorenzo passa!

quinta-feira, abril 10, 2014

FLAMENGO ELIMINADO DA LIBERTADORES! VEXAME? POR QUE?

Por Danilo Silveira


Depois da derrota sofrida para o León ontem à noite no Maracanã, vi muitas pessoas classificando como um vexame ou algo do tipo a eliminação do Flamengo na Copa Libertadores da América. Tentei achar algum fato que sustentasse a tese de que tal eliminação pode ser considerada um vexame, mas confesso que não encontrei. Não ouvi da boca de nenhum flamenguista um argumento consistente, que me convença de que a eliminação do Flamengo tenha sido um vexame.

Se o quarteto de ataque do Flamengo fosse Bernard, Tardelli, Ronaldinho e Jô (quarteto fantástico do Galo campeão em 2013), se a dupla de volantes fosse Ralf e Paulinho (dupla do Corinthians campeão em 2012), aí sim eu poderia tentar classificar a eliminação como vexaminosa. Só que o cenário em que se encontra o time do Flamengo é outro, completamente diferente. Se o Flamengo goleasse o León por 5 x 0, com um show de bola, com o Muralha tendo uma atuação de gala na marcação, com o Gabriel fazendo chover e com os laterais Léo Moura e André Santos demonstrando um vigor físico invejável, aí eu classificaria a vitória como surpreendente.

Ontem, no Maracanã, não se teve surpresa. Já era esperado um jogo difícil, “encardido”, sofrido e uma classificação, caso ocorresse, poderia ser taxada de heroica. Heróica porque Léo Moura e André Santos voltavam de contusão e demonstraram nítida falta de ritmo de jogo. Heróica porque Elano, referência técnica da equipe, se arrasta em campo sofrendo com contusões. Heróica porque Luiz Antônio e Márcio Araújo não foram inscritos na Libertadores e Cáceres está machucado, fazendo o Flamengo ficar sem muitas opções de volantes (e a torcida precisando aturar a falta de atitude do Muralha, que pouco acrescenta ao time). Heróica porque Elias, destaque de 2013, foi embora e não temos um substituto à altura. Heróica porque o Flamengo não consegue repetir a escalação de um jogo para outro, porque as contusões dos atletas impedem. Heróica porque há algum tempo o Flamengo vive escravo de improvisações, para suprir à falta de condição de jogo de uma lista imensa de atletas. Heróica porque Hernane, iluminado e goleador, está fora de combate. Heróica porque você olha para o banco de reservas na segunda etapa e vê como solução para a falta de criatividade da equipe, Negueba e Nixon.

Deve-se aplaudir a entrega de Welinton contra o Emelec, a atuação esplendorosa de Samir ontem no Maracanã, a garra e vontade de Paulinho, que o ajudam a superar limitações técnicas. Deve-se comemorar o fato de Jayme de Almeida ser o treinador. Afinal, se tivéssemos ao banco de reservas Joel Santana ou Luxemburgo, sabe Deus de quanto o Flamengo perderia para o León na estreia, com um a menos quase o jogo inteiro. Porque se o técnico fosse Mano Menezes ou Dorival Júnior, talvez o Flamengo não tivesse o direito de disputar a Libertadores 2014 e teria boas chances de amargurar a disputa da Segunda Divisão.

A tendência do povo brasileiro, assim como a da imprensa esportiva do nosso país é classificar insucessos e derrotas como vexame. Não se deve analisar futebol como início e fim somente, porque existe um meio! E esse meio é cheio de nuances, peculiaridades, surpresas. Esse meio é composto por um escorregão do Samir, uma expulsão infantil do Amaral, um zagueiro sem ritmo de jogo escalado na lateral direita por falta de opção, um time do León arrumado. E assim por diante.

quinta-feira, julho 25, 2013

COM FINAL FELIZ!

Por Danilo Silveira


 
O sim e o não tiveram inúmeras vezes separados por mínimos detalhes na campanha do Atlético Mineiro na Libertadores 2013. O choro se tornou riso por causa de um pé milagroso de Victor nos acréscimos da segunda etapa. A tristeza virou felicidade quando Guilherme acertou um belo chute de fora da área aos 50 minutos.  No cenário das possibilidades da final contra o Olimpia, a única certeza que se tinha é que a campanha do Galo já se fazia histórica, única e emblemática, independente do resultado.

E no fim das contas, deu tudo certo para o clube mineiro, que hoje pode gritar que é campeão da Taça Libertadores da América. Entre o apito inicial no Mineirão e o pênalti do Olimpia que explodiu no travessão decretando o título do Galo, aconteceu muita coisa. Uma marcação muito boa exercida pelo pelo time paraguaio, um Atlético Mineiro, se não brilhante, aguerrido, bem arrumado e determinado. Em um dos raros momentos de falha da defesa paraguaia, Jô aproveitou e fez 1 x 0, com 1 minutos da segunda etapa. Quarenta minutos depois, a cabeçada de Leonardo Silva teve o endereço das redes, para enlouquecer o atleticano mais são de todos.

Veio a prorrogação e mesmo com um homem a mais, o Galo não conseguiu chegar ao gol. Vieram as penalidades. Veio Victor para defender uma cobrança, veio o travessão para bloquear outra e levar Cuca a se jogar no gramado, desabado, perplexo, em êxtase, como se não acreditasse que tinha ali, naquele momento, conquistado a América. Muitos duvidaram, ironizaram e torceram contra, mas nada conseguiu se sobrepor ao belo trabalho exercido pelo treinador. Trabalho esse que não precisava do título para ser reconhecido como bom, mas com o título tudo fica mais bonito.

 
E o que podemos falar de Ronaldinho? Simplesmente decisivo. Teve seu auge na competição no meio e caiu de produção nos jogos finais, mas nada que tire dele o status de um dos jogadores mais importantes dessa conquista. E o que dizer de Victor? Três pênaltis defendidos ao longo da campanha, todos cruciais, decisivos. E o gol do Luan contra o Tijuana, nos acréscimos? E o gol de Guilherme contra o Newells Old Boys, aos 50 minutos?

O roteiro da campanha do Atlético Mineiro na Libertadores 2013 foi como um filme de ação, com contornos de drama. Heróis! Vilões! Clímax! Medo! Pânico! Incerteza! Suspense! Todos os ingredientes necessários para um grande filme. Filme esse, que terminou com um final feliz para o Clube Atlético Mineiro.



domingo, julho 14, 2013

EM NOITE DE FORTES EMOÇÕES, VICTOR MANTÉM VIVO O SONHO ATLETICANO DE CONQUISTAR A AMÉRICA

Por Danilo Silveira


Nem o torcedor mais frio presente no Caldeirão do Horto na noite da última quarta-feira deve ter passado “imune” à partida e ao clima de êxtase que vivia, que pulsava, o Estádio Independência. Um dos desfechos mais incríveis que já vi no futebol, levando em conta tudo aquilo que representava o duelo para o Clube Atlético Mineiro. Um time carente de títulos, uma torcida apaixonada e um sonho vivo. Sim, o Atlético Mineiro conseguiu passar o Newells Old Boys e está na final da Libertadores 2013.

Um gol de Bernard aos 4 minutos do primeiro tempo e outro de Guilherme aos 50 da segunda etapa levaram a partida para os pênaltis, onde mais uma vez, brilhou a estrela e a competência do goleiro Victor, que pegou a última cobrança, de Maxi Rodríguez, levando ao delírio o caldeirão do horto.

Entre os dois gols atleticanos, muita coisa aconteceu. O Galo fez um ótimo primeiro tempo, criando boas oportunidades de gol, com Bernard e Josué, ambas parando no goleiro Guzmán. O Newells, por sua vez, atacou menos que o Atlético, mas tentava não se retrancar e não aceitar um domínio territorial do adversário. De chances mesmo, a equipe argentina teve poucas na primeira etapa. Em uma dividida com Diego Tardelli, o goleiro Guzmán machucou o rosto e precisou receber tratamento em campo, ficando a partida quase dez minutos interrompida, Quando o árbitro apitou o reinício do jogo, o goleiro estava com a cabeça enfaixada e com curativo no nariz.

Veio a segunda etapa e o Newells melhorou, conseguindo diminuir o ímpeto e a força atleticana. Os minutos se passavam e o gol do Galo não saía. Nas arquibancadas, desde a primeira etapa, as câmeras flagravam expressões das mais diversas nos torcedores: choro, apreensão, fé, de tudo um pouco. Até que aos 32 minutos, a partida novamente foi paralisada por um longo período. Dessa vez, por conta de uma queda de energia. Mais de dez minutos com o duelo interrompido para testar o coração dos atleticanos e dos torcedores do Newells. Cuca, que pouco antes do apagão lançou Luan na vaga de Pierre, mexeu mais duas vezes quando o jogo retornou, colocando Guilherme e Alecsandro, nas vagas de Bernard e Tardelli. E veio dos pés de Guilherme o alívio parcial. Após rebatida de Mateo, o ex-cruzeirense acertou bonito chute, no canto esquerdo do goleiro, fazendo o tão esperado 2 x 0. Quando disse que o alívio era parcial é porque minutos depois, lá estava a partida nas penalidades, um novo momento de apreensão.

Jô e Richarlyson bateram para fora e contaram com a ajuda de Casco e Cruzado, que também erraram o alvo. Na última cobrança do Galo, Ronaldinho apareceu para converter com segurança. Maxi Rodriguez, que fez boa partida, caminhava para cobrar a quinta cobrança do Newells Old Boys. Precisava fazer para empatar e levar a disputa para a série alternadas. Só que o final seria trágico para ele e épico para os atleticanos. Victor, o mesmo que defendeu o pênalti histórico de Riascos, contra o Tijuana, mais uma vez apareceu. Se naquela oportunidade no canto direito, dessa vez no canto esquerdo, para defender a cobrança do argentino e colocar o Atlético Mineiro na final, fazendo o técnico Cuca desabar de emoção no gramado e enchendo d´água os olhos do renomado Ronaldinho Gaúcho, campeão de Copa do Mundo e campeão de Liga dos Campões.
Agora, a final é contra o tradicional Olimpia, tricampeão da competição. Os dois jogos da equipe paraguaia contra o Fluminense me fazem crer que o Galo é mais time. Nunca esteve tão próximo o encontro entre Guardiola e Cuca, o melhor técnico do mundo e o melhor técnico do Brasil.

sexta-feira, maio 31, 2013

QUEM DISSE QUE O CUCA É AZARADO? QUEM DISSE QUE O PÉ DA SORTE É O DIREITO?

Por Danilo Silveira

Fosse um roteirista de cinema fazer um filme de uma partida de futebol, buscando dar a ele um caráter emotivo, dificilmente ele conseguiria alcançar o que foi visto na noite desta quinta-feira, nos minutos finais de Atlético/MG 1 x 1 Tijuana, no estádio Independência.

Dentro do cenário de possibilidades de classificação, dizia o regulamente que o empate em 0 x 0 ou 1 x 1 faria o time mineiro chegar à semifinal da Taça Libertadores. Porém, muitos esperavam uma vitória, de certa forma tranquila e convincente do time dirigido pelo técnico Cuca. Talvez muito pelo futebol bonito e vistoso que a equipe tem apresentado, somado ao grande retrospecto da equipe no estádio Independência (desde a sua reabertura em 2012 o Galo ainda não perdeu nele).

A bola rolou e o que se viu foi um Tijuana correndo demais, mostrando um fôlego invejável. E assim foi durante quase todo o jogo. O técnico e habilidoso time do Atlético/MG tinha dificuldades para manter a bola no pé e criar chances de gol. E em um contra-ataque pela direita, um bom cruzamento chegou até Riascos, que abriu o marcador. Marcos Rocha respondeu pouco depois e parou no goleiro Saucedo. Mas o Galo viria a empatar na bola parada, ainda na primeira etapa: Ronaldinho cobrou falta da direita na área e Réver apareceu livre de marcação para chutar e igualar o marcador.

Na segunda etapa, o Galo melhorou, passou a dominar a partida e neutralizar os ataques dos mexicanos. Mas, não seria assim até o final. O cenário de possibilidades apontava o 1 x 1 como benéfico ao time mineiro e conforme foram aproximando-se os 45 minutos, foi o Tijuana mais para o ataque. Arce por pouco não fez o segundo em uma falta que explodiu no travessão de Victor. Era o início de um final épico e dramático. O Tijuana cada vez mais ia para cima, e naturalmente, ia deixando cada vez mais espaços para o contra ataque (muitas vezes mortal) do Atlético/MG. E quando o relógio já apontava mais de 40 minutos, o contra ataque do Galo saiu, mas Saucedo evitou o gol, defendendo chute de Luan, que recebeu boa assistência de Ronaldinho Gaúcho.

Terminasse o jogo sem nada mais acontecer de muito relevante, já poderíamos dizer que se tratava de um jogo emocionante. Só que o lance mais histórico ainda estava por vir. Foi nos acréscimos, quando Leonardo Silva cometeu pênalti. Sim, o forte e poderoso Galo estava a um passo de dar adeus ao sonho de conquistar a América. O Brasil esteve muito perto de ver seu melhor time (e único representante vivo na competição) se despedir. Só que não! Pelo menos por enquanto, não. Riascos bateu no canto direito de Victor, que defendeu com o pé esquerdo. Sim, com o pé esquerdo. Dizem que o pé da sorte é o direito, mas para a torcida do Galo não. Para os atleticanos, o pé da sorte é sim o esquerdo. Possivelmente, provavelmente, a defesa mais importante da carreira de Victor. Provavelmente, a defesa mais importante da história do Clube Atlético Mineiro. Uma defesa benéfica ao futebol brasileiro. Bom ter o Atlético Mineiro vivo na Libertadores. Bom ver vivo o time brasileiro que melhor traduz dentro de campo aquilo que tanto procuramos: o tal jeito brasileiro de jogar futebol!
 
Dizem por aí que Cuca é azarado. Se outrora foi, não dessa vez! Ouvi por aí muita gente dizer que o Atlético/MG não mereceu passar pelo jogo de hoje. Discordo! Como discordo que o Galo tenha jogado mal. O time não fez a melhor das suas atuações, mas não dá para afirmar que o Atlético jogou mal. Não só de vitórias vive um grande time. E mais: não só de vitórias bonitas e maravilhosas vive um time, por melhor que ele seja. Um time bom e encantador vive também de dois empates, onde a classificação vem pelo gol marcado fora de casa (diga-se de passagem, gol marcado nos acréscimos).

Se o Atlético/MG vai ganhar a Libertadores 2013, não posso afirmar. Se esse time vai cair de produção nos próximos dias e meses, também não posso afirmar. Mas, o que posso dizer é que a defesa do Victor hoje, talvez nunca saia da minha memória. E também de todos atleticanos. E de todos amantes de futebol. Aliás: FUTEBOL!!! Assim com letra maiúscula fica mais bonito!

quinta-feira, maio 16, 2013

O ESTADO DE SÃO PAULO DÁ ADEUS Á LIBERTADORES EM UMA SEMANA

Por Danilo Silveira

Um atrás do outro, no espaço de uma semana, os três times paulistas presentes nas oitavas-de-final da Libertadores deram adeus ao sonho de conquistar a América. Eliminações essas bem diferentes, cada uma com suas particularidades.

O São Paulo fez um duelo bem interessante com o Atlético Mineiro. A equipe de Ney Franco fez 25 minutos fantásticos no jogo de ida, no Morumbi.  Nesse tempo, fez 1 x 0 e poderia ter ampliado. Mas, o inesperado aconteceu. Lúcio, já com cartão amarelo, fez falta dura em Bernard, sendo expulso e complicando muito a vida do Tricolor Paulista. E o Galo, pra lá de forte, passou a dominar as ações e pacientemente conseguiu chegar à virada. Jogar no estádio Independência contra o Atlético é uma das tarefas mais complicadas atualmente no futebol brasileiro. E o São Paulo foi para lá precisando reverter o resultado que lhe era adverso. Não só não conseguiu como voltou para casa com uma amarga goleada de 4 x 1, com show de Ronaldinho, Jô e companhia.

Palmeiras e Tijuana fizeram dois jogos muito ruins. No duelo de ida o Tijuana foi bem melhor e o goleiro Bruno salvou, garantindo o 0 x 0. Na volta, esse mesmo Bruno tomou um frango daqueles incríveis, prejudicando demais sua equipe. Sem inspiração, com um futebol feio, o Palmeiras não conseguiu ser superior ao feio e violento time mexicano e perdeu por 2 x 1. Agora, o Tijuana enfrenta o Atlético Mineiro, tendendo a tomar uma goleada no Independência.



Corinthians e Boca Juniors reeditaram a final do ano passado. Dessa vez deu Boca. A equipe de Carlos Bianchi foi superior ao Timão no jogo de ida e trouxe para o Pacaembu a boa vantagem de 1 x 0. O Corinthians, que não jogou bem na Bombonera, sofreu um duro golpe no jogo de volta. Riquelme, com um belo chute de fora da área, fez 1 x 0 para os argentinos. Assim, para avançar, o Timão precisava fazer 3 gols e não sofrer mais nenhum. Fez apenas um, chegou perto de fazer o segundo, jogou bem na segunda etapa, mas o sonho do bi se foi. Linda, arrepiante a aplausível foi a atitude da torcida corintiana ao fim do jogo, cantando alto e forte, fazendo festa, mesmo como time eliminado. O reconhecimento de um bom trabalho, assim que deve ser.

sexta-feira, maio 03, 2013

GALO VIRA PARA CIMA DO SÃO PAULO APÓS EXPULSÃO DE LÚCIO

Por Danilo Silveira

Imagine um duelo onde os primeiros 35 minutos são de um jeito e os outros 55 minutos completamente distintos? Assim foi o jogo de ida entre São Paulo x Atlético/MG, no Morumbi, válido pelas oitavas de final da Libertadores da América.
Nos 30 minutos inicais, o São Paulo jogou muito, pressionou o Galo, criou inúmeras chances, principalmente com Ademilson, que entrou na vaga de Aloísio, que saiu machucado nos minutos inicais. Poderia o Tricolor Paulista ter marcado 3 ou 4 gols, que não seria nenhum exagero, levando em conta o poder ofensivo da equipe e a bagunça que se via no sistema defensivo atleticano. Porém, a equipe de Ney Franco fez apenas um gol, com Jádson, após bela jogada de Ganso. E foi por volta dos 30 minutos que o zagueiro Lúcio fez uma falta dura em Bernard, levando assim o cartão amarelo, que virou vermelho, pois ele já havia sido amarelado minutos antes. Ademilson, que tinha entrado na vaga de Aloísio, deu lugar ao zagueiro Rhodolfo, que entrou na recompor a defesa.

A expulsão foi uma espécie de “acordar o gigante até então adormecido” O irreconhecível Atlético do início do jogo, agora mais parecia aquele Atlético que se viu em 2012 e no início de 2013. Um time que joga bonito. E após um escanteio cobrado da direita, Ronaldinho, de cabeça, empatou a partida.
Veio a segunda etapa e o Galo encurralou o time paulista, mantendo a posse de bola no meio-campo, pacientemente, em busca de espaços para tentar chegar ao gol de Rogério Ceni. O São Paulo marcava bem, buscava o contra ataque, mas tinha visivelmente sentido o golpe da expulsão de Lúcio. E por volta dos 15 minutos, o toque de bola do Galo resultou em gol, de Diego Tardelli. Era a virada do Galo, literalmente forte. Logo após esse fato, o São Paulo passou a sair mais para o jogo, em busca do empate. Automaticamente, a equipe do técnico Ney Franco passou a correr sérios riscos de levar um contra ataque mortal. E foi nos acréscimos, mais precisamente no último lance do jogo, que a equipe são paulina levou o tal contra-ataque, que não foi mortal por pouco. Mais precisamente por centímetro. Ronaldinho fez bela jogada no meio e colocou Luan em ótima condição na ponta-esquerda da área o meia-atacante atleticano tocou para o meio, onde Rosinei se esticou todo e por pouco não alcançou a bola e a empurrou para as redes.

No resumo da obra, o Atlético/MG leva para Minas Gerais uma vantagem espetacular e se torna muito favorito para avançar às quartas-de-final. Hoje é difícil imaginar que o São Paulo vá conseguir forças para eliminar o melhor time do Brasil, fora de casa, levando um placar adverso. Improvável, não impossível!

sexta-feira, março 08, 2013

SOB COMANDO DE RONALDINHO, GALO VENCE THE STRONGEST

Por Danilo Silveira

Uma mescla de puro talento e pura objetividade. Assim se resume a atuação de Ronaldinho Gaúcho. E com uma grande contribuição dele, o Atlético/MG derrotou o The Strongest, da Bolívia, por 2 x 1, chegando aos 9 pontos em três jogos, mantendo os 100% de aproveitamento na Libertadores.

Galo é superior, mas primeira etapa termina sem gols.

O Galo começou a partida tentando pressionar o time boliviano e por pouco não abriu o placar aos 16 minutos, quando Ronaldinho tabelou com Jô e deu uma assistência por elevação para Diego Tardelli, que chutou para defesa do goleiro Vaca. No minuto seguinte, Ronaldinho repetiu a dose: novo passe por elevação, dessa vez para Jô, que cabeceou quase em dividida com goleiro, que tocou na bola evitando o gol. Logo após esses dois lances, a torcida atleticana reconheceu as boas jogadas do R10 e começou a gritar "Eô eô, Ronaldinho é o terror". O gol atleticano parecia maduro, mas o The Strongest também assustava. A equipe boliviana encaixou um bom contra ataque após erro de Leandro Donizete e por pouco não abriu o placar, com Escobar, livre de marcação, chutando para fora. Bernard, que não estava no auge da sua forma física, recuperando-se de um problema na garganta, apareceu bem aos 29, arriscando de fora da área para defesa de Vaca e no rebote, Jô chutou na direção do gol, mas um jogador de linha do time boliviano apareceu para fazer o corte. O The Strongest jogava retrancado a maior parte do tempo, saindo em contra ataque esporadicamente. E foi dessa forma que o jogo foi para o intervalo sem gols.

Galo segue bem e chega à vitória.

Logo com um minuto da segunda etapa, o The Strongest assustou quando Escobar bateu um escanteio rasteiro, encontrando um companheiro desmarcado, que finalizou para boa defesa de Victor. O Galo tentava na base da movimentação e toque de bola, espaços no campo ofensivo, para furar o bloqueio do time boliviano. Foi aos 10 minutos que a equipe de Cuca enfim conseguiu um grande espaço no campo ofensivo, em contra ataque rápido, que terminou com Tardelli cruzando para finalização de Bernard, que acabou tocando no poste esquerdo do goleiro Vaca. No minuto seguinte, o Galo conseguiu enfim chegar ao gol. Ronaldinho Gaúcho apareceu pela ponta esquerda, cruzou e a bola acabou tomando o rumo de onde se encontravam três jogadores do The Strongest. E foi a hora do Atlético contar com a sorte: a bola desviou na cabeça do primeiro dos três adversários, encobriu os outros dois e chegou até Jô, que chutou para abrir o marcador. Aos 20, o Galo balançou novamente as redes com Tardelli, que finalizou após cruzamento da esquerda, porém, o bandeirinha marcou impedimento em um lance muito complicado, que até com o recurso do replay eu fiquei em dúvida. Aos 26, Ronaldinho apareceu novamente de forma magistral. Ele dominou a bola cercado pro dois marcadores e conseguiu um espaço para dar uma belíssima assistência para Marcos Rocha, que acabou derrubado na área. Pênalti que Ronaldinho cobrou no canto direito de Vaca para feazer o segundo. Com dois gols de vantagem, o Atlético/MG tinha total controle do jogo. A torcida cantava alegre e feliz, assistindo mais uma vitória da equipe. Aos 45, o The Strongest diminuiu após jogada de escanteio, dando um susto e tanto no Galo. A bola voltou a rolar e pouco depois o árbitro apitou o final do jogo, decretando mais um triunfo do time mineiro.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

GALO CANTA FORTE EM SARANDÍ: 5A2 NO ARSENAL

Por Eduardo Riviello, texto extraído do Blog www.jogadadefeito.blogspot.com

Ronaldinho já havia feito a diferença na partida de estréia, quando o Atlético Mineiro venceu o São Paulo por 2a1 no estádio Independência. E, outra vez, o gênio foi fundamental para a construção de mais um resultado positivo. Mas para falar da histórica goleada do Galo sobre o Arsenal, em Sarandí, há que se falar de muitos outros personagens. Começando por Cuca, técnico de quem sou profundo admirador há algum tempo. Na entrevista pré-jogo, Cuca salientou a necessidade de tentar jogar em Buenos Aires da mesma maneira que o time atua quando está jogando dentro de casa. Lindo isso. Com bola rolando, um repórter de beira de campo deu ênfase durante a transmissão indicando algumas das orientações de Cuca, todas elas de cunho ofensivista: Júnior César tinha que se adiantar, atuando como um meia; Jô tinha que se posicionar entre os zagueiros; Leandro Donizete tinha que sair para o jogo.

Mas como traçar um plano de jogo quando o adversário marca 1a0 com um minuto de partida? Num vacilo da defesa, que errou o tempo de bola e permitiu que Furch recebesse em liberdade uma enfiada de bola de Aguirre, o Arsenal abriu o placar em chute cruzado do camisa nove. Na comemoração, Furch mostrou a camisa de Zelaya, jogador que rompeu ligamentos do joelho na sexta-feira, diante do Argentinos Juniors, pela liga nacional. Bacana a homenagem.

Mas mais homenageado que Zelaya foi o futebol. Já aos sete minutos, saiu o empate: ótima assistência de Ronaldinho Gaúcho e conclusão precisa de Bernard. 1a1 e festa de uma torcida alvinegra que compareceu em bom número. Naquele momento, Cuca foi flagrado comemorando muito o gol marcado e fazendo sinal para arquibancada pedindo um pouco de silêncio e paciência, da maneira mais educada que isso pode ser feito num ambiente como um estádio de futebol.

E quem seguiu as recomendações dele, não se arrependeu. O Galo se impôs em campo com a naturalidade daqueles que jogam um bolão no jogo da mesma maneira que treinam. E olha que o Arsenal jogava bem, embora falhasse demais na última linha de defesa. Aos vinte e seis, o time da casa iria à rede mais uma vez com Furth, mas a arbitragem do uruguaio Martín Vázquez viu a falta cometida pelo atacante no zagueiro Leonardo Silva, anulando acertadamente o lance. E se os mandantes não conseguiram assumir a frente naquele momento, não conseguiriam nunca mais na partida.

Através de uma troca de passes envolvente, Ronaldinho e Jô participaram da ótima jogada que terminou com assistência de Leandro Donizete para conclusão de Diego Tardelli - era o primeiro gol do camisa nove no retorno ao Galo e era visível a emoção estampada em sua face. 2a1 Atlético.

Leitores mais atentos lembrarão que Cuca havia pedido maiores avanços de Donizete e Júnior César. Se aos vinte e sete Donizete deu o passe para o gol de Tardelli, aos trinta e cinco foi a vez de Júnior César cruzar para Jô finalizar com precisão. 3a1 no placar.

Ainda no primeiro tempo, Aguirre cobrou uma falta pela direita com maestria e surpreendeu Victor, mandando a bola no ângulo direito. Cobrança que de alguma maneira lembra aquela de um certo Ronaldinho Gaúcho, nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2002, num Brasil e Inglaterra, encobrindo David Seaman (na minha opinião, embora RG seja genial, aquela cobrança não foi proposital).

Indo para o intervalo, Ronaldinho foi rapidamente entrevistado e afirmou que o negócio era jogar fechadinho e sair em contra-ataques. Fechadinho, Ronaldinho? Time do Cuca? Esperando o adversário? Vai nessa... O Atlético Mineiro voltou para o segundo tempo é tomando a iniciativa, que por sinal é algo que sabe fazer muito bem. E não apenas graças à vocação ofensiva de Cuca, mas também ao próprio Ronaldinho, exímio organizador de jogadas.

Bernard, que como jogador profissional fazia sua primeira partida fora do país, tratou de transformar a vitória em goleada. Aos oito, foi novamente lançado por Ronaldinho Gaúcho, aproveitou o vacilo do defensor que não soube dominar a bola, e mandou para a rede, marcando o quarto do time e o seu segundo pessoal.

Cinco minutos depois, Ronaldinho descolou mais um lançamento, Jô chutou bem, Campestrini espalmou e Bernard, no local exato, conferiu no rebote. Hat-trick, como dizem os britânicos. 5a2 e festa dos visitantes, que pareciam em casa.

As substituições promovidas por Cuca deram maior consistência à equipe, que jogou os últimos minutos ouvindo seus próprios adeptos entoarem gritos de olé, olé. Aos quarenta e dois minutos, Ronaldinho sofreu pênalti na jogada mais violenta de uma partida tranquila: Braghieri foi com as duas solas de chuteira na canela de Ronaldinho, que felizmente não sofreu nada mais grave em entrada daquelas "para quebrar". Vázquez, que atuava muito bem, acertou na marcação do pênalti mas cometeu o gravíssimo erro disciplinar de não aplicar cartão num lance que era para expulsão.

Faltava o gol de Ronaldinho. Ele foi para a cobrança da penalidade máxima e... mandou no travessão. Mais tarde, puxando contra-ataque, tocou para Luan na esquerda e o jogador que acabara de entrar chutou firme, superando Campestrini mas não Nervo, que salvou praticamente em cima da linha. Pênalti no travessão e bola salva incrivelmente nos minutos finais. Foi 5, mas o Galo pintou o 7.

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

LIBERTADORES 2013 - ANÁLISES DE ATLÉTICO/MG, SÃO PAULO E GRÊMIO

Por Danilo Silveira

Com atraso de alguns dias, venho falar um pouco sobre a estreia de alguns brasileiros na Libertadores 2013.

Na Arena Independência, o encontro dos, para mim, melhores técnicos do Brasil: Cuca do Atlético/MG e Ney Franco do São Paulo. Melhor para o Galo, que venceu uma partida que teve dois tempos completamente diferentes. Na primeira etapa, o time mineiro foi extremamente superior, criando boas chances, enquanto o São Paulo não deu um chute sequer a gol. E foi em um lance curioso que o Galo abriu o marcador. Ronaldinho Gaúcho estava próximo ao gol são paulino e aproveitou para beber um pouco da água do goleiro Rogério Ceni, estando aparentemente fora de qualquer possibilidade de participação em alguma jogada. Foi quando de repente, um lateral foi cobrado na sua direção e ele recebeu totalmente livre de marcação (ele estava à frente de todos os jogadores de linha do São Paulo, mas não há impedimento em cobrança de lateral) e tocou para o meio da área, onde Jô apareceu para concluir com êxito. Fica a discussão: falta ou não de fair-play? Acredito que ele até poderia ter deixado a bola passar, mas não vejo má fé no lance, não acredito que ele foi propositalmente até o goleiro são paulino para desvencilhar-se da marcação adversária. Na segunda etapa, o jogo mudou de figura, com o São Paulo atacando mais que o Galo e levando perigo, como em chute de Luís Fabiano, muito bem defendido por Victor. E foi em um momento não favorável ao time de Cuca que apareceu o talento e maestria de Ronaldinho. Pela ponta direita, em uma jogada que misturou bom domínio de bola e boa ginga, o camisa 10 driblou dois marcadores antes de cruzar na cabeça de Réver, que ampliou. A vantagem de dois gols do Galo voltou a ser de apenas um quando Aloísio, que veio do banco de reservas, diminuiu. E antes do apito final, Ganso, que também veio do banco, teve ótima chance de ampliar e por pouco não o fez: seu chute passou à esquerda da meta, muito próximo do gol defendido por Victor.

Na Arena Grêmio, o Tricolor Gaúcho decepcionou. Diante do Huachipato, do Chile, a equipe de vanderlei Luxemburgo jogou mal e perdeu por 2 x 1. Se não parece ser brilhante, o Huachipato parece ter alguma organização. Organização essa que faltou ao Grêmio. Na primeira etapa, a equipe chiulena mostrou-se muito mais consciente em campo, chegando ao primeiro gol. Na segunda etapa, veio o 2 x 0 e as coisas complicaram para o time gaúcho. Vale ressaltar a atruação ruim do zagueiro Cris, cometendo muitos erros, principalmente no questio passe. Luxemburgo, que começou com Barcos no time, lançou Marcelo Moreno em campo, mas não sacou o argentino, passando a jogar assim com dois centroavantes. Depois, optou por lançar Wellinton e sacar o chileno Vargas, jogando com três atacantes. O Grêmio diminuiu em cobrança de pênalti de Barcos e foi para cima em busca do empate, contando com recuo da equipe chilena. O fato é que a pressão gremista se deu muito mais na base da raça que da organização. Wellinton ainda teve boa chance, mas falhou após receber cruzamento da esquerda, não conseguindo acertar o alvo. Quarta-feira, o Grêmio enfrenta o Fluminense, pela segunda rodada da competição. A competição mal começou e a situação do Tricolor Gaúcho passa longe de ser confortável.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

GRÊMIO FAZ ÓTIMO SEGUNDO TEMPO, CRIA BASTANTE, MAS SAI DERROTADO DA ALTITUDE DE QUITO

Por Danilo Silveira

Apesar de jogar melhor do que a LDU, o Grêmio saiu derrotado de altitude de Quito, por 1 x 0, no jogo de ida da Pré-Libertadores. No jogo que marcou a estreia do atacante chileno Eduardo Vargas, o Tricolor Gaúcho carimbou duas vezes o travessão do time equatoriano, criou boas oportunidades, jogou muito bem na segunda etapa, mas não conseguiu balançar as redes.


Grêmio marca forte e jogo tem poucas chances de gol.

A partida começou com o Grêmio mais recuado e a LDU tomando a iniciativa do jogo. Os minutos se passavam, as chances de gols eram escassas e a equipe gaúcha conseguia, com uma forte marcação, impedir que a LDU causasse maiores perigos ao gol defendido pelo experiente goleiro Dida. Na parte ofensiva, o Grêmio contava com dois centroavantes, Willian José e Marcelo Moreno, que apareceram pouco no jogo. O melhor jogador da equipe do técnico vanderlei Luxemburgo foi o meio-campista Elano, que foi bastante participativo durante os primeiros 45 minutos.

Grêmio carimba duas vezes o travessão, mas LDU que abre o marcador.

Veio a segunda etapa e Luxemburgo promoveu a estreia do atacante eduardo Vargas, que substituiu Willian José. E o chileno mostrou velocidade, participando bem do jogo. E o Grêmio foi bem melhor na segunda etapa. O goleiro Domínguez trabalhou duas vezes em dois chutes de fora da área, um de Pará, outro de Souza. E foi em outra oportunidade de Souza que o Grêmio chegou ainda mais perto de abrir o placar. Falta cobrada da ponta direita e o volante gremista desviou, acertando o travessão. Aos 29 minutos, Dida machucou o ombro e precisou ser substituído por Marcelo Grohe, que com pouco tempo em campo precisou trabalhar. Aos 30, um chute muito forte da ponta direita e o goleiro gremista conseguiu tocar na bola, que depois bateu no travessão e continuou viva dentro da área, até que novamente o goleiro gremista apareceu para salvar uma cabeçada, mas a redonda relutou em continuar viva na área gremista até que Feraud chutou e Grohe nada pôde fazer: 1 x 0 para os equatorianos. O Grêmio continuou bem na partida e teve duas boas chances de empatar, uma com Marcelo Moreno, que recebeu cruzamento da ponta esquerda, mas acabou cabeceando para fora e outra em um chute de fora da área de Fernando, que explodiu no travessão.

Resumindo, o Grêmio traz de Quito uma boa atuação e um placar negativo de 1 x 0. A partida de volta será semana que vem, na nova Arena do Grêmio, que deverá estar cheia, com o fanático torcedor gremista apoiando a equipe. Vale lembrar que vale o gol fora de casa, portanto, caso a LDU faça um gol em Porto Alegre, o Grêmio terá que vencer por 2 gols de diferença para avnçar.

segunda-feira, julho 09, 2012

CORINTHIANS CONQUISTA A TÃO SONHADA LIBERTADORES

Por Danilo Silveira


Já fazem cinco dias que o Timão conquistou a primeira Libertadores da sua história, portanto, estou um pouco atrasado com o texto, mas vale o registro. A Fiel Corintiana lotou o Pacaembu, fez uma grande festa antes, durante e depois do jogo. Em meio a isso tudo, viu em campo um Corinthians com a cara desse Corinthians. Um time aguerrido, lutador, brigador. Não é belo de se ver jogar, mas é melhor do que a muita coisa que se tem visto atualmente no Brasil. Um time organizado, paciente e, agora, campeão da Libertadores, de forma invicta, derrotando o Boca por 2 a 0 no jogo final. Boca Juniors que por sinal, foi um time que oscilou bastante dentro da competição e apresentou um futebol muito ruim no Pacaembu, principalmente na segunda etapa. Voltando a falar do Corinthians, não se trata de um time envolvente, de belas trocas de passes constantes, mas trata-se de um time forte na defesa, consistente e homogêneo. Um time que tem um goleiro que foi essencial, que assumiu a titularidade durante a competição e foi crucial em momento delicados. Grande Cássio! Um time que tem um bom volante, que chega muito bem à frente e foi o autor do gol de classificação nas quartas-de-final. Esse é o Paulinho! Um time que tem um jogador que foi importantíssimo, fazendo gols decisivos, inclusive os dois da partida final e jogando muito bem. Trata-se de Émerson! Mesmo Émerson que mostrou uma falta de respeito muito grande ao ficar fazendo provocações infantis ao adversário durante o jogo. Atitudes desrespeitosas com o Boca Juniors, com o Corinthians e com aqueles que queriam ver um jogo de futebol, somente isso. Fosse eu o técnico ou dirigente do Corinthians, tratava de propor o rompimento do contrato deste atleta, mesmo tendo sido um dos grandes nomes dos jogos finais da Libertadores.

Portanto, um Corinthians que vive em festa. Um time que ganhou em 2012 a Copa SP de Juniores e a Libertadores. Não deve ganhar o Brasileirão, não deve cair para a segunda divisão e já está classificado para a Libertadores de 2013. Portanto, o grande desafio do Corinthians até o final do ano, deve ser mesmo o Mundial de Clubes. Competição essa que terá a presença do Chelsea. Chelsea esse que, pelo menos hoje, não chega nem aos pés do Barcelona que despachou o Santos em 2011. O título mundial parece para o Timão, bem mais viável do que era para o Santos há um ano.

quinta-feira, junho 21, 2012

CORINTHIANS E SANTOS REFLETIRAM A TRISTE REALIDADE EM QUE SE ENCONTRA O FUTEBOL BRASILEIRO

Por Danilo Silveira




Faz algum tempo que defendo a tese que o Brasil precisa reaprender a jogar futebol, no sentido menos figurado da frase mesmo. Hoje, os campeonatos disputados na Europa são infinitamente melhores do que os disputados no Brasil. Muito por conta da qualidade técnica dos jogadores, é verdade. Mas, muito também pela forma como os técnicos conseguem armar as suas equipes e por conta de como o jogador lá fora entende e enxerga o futebol melhor que os daqui. E esses últimos dois quesitos, não necessariamente passam pela qualidade técnica do jogador. Ontem, tivemos pela semifinal da Taça Libertadores, um duelo de brasileiros, para definir qual clube representaria nosso país na final do torneio sul-americano. De um lado, o atual campeão brasileiro com um dos times mais aplicados taticamente do país. Do outro, o atual campeão da Libertadores, dirigido pelo técnico mais vitorioso dos últimos anos no nosso futebol e que possui o melhor jogador do país. E não pode (não deve) um jogo com tais ingredientes, ser disputado da maneira que foi.

Dois times que durante 90 minutos não apresentaram praticamente nada de interessante. Não pode um jogo de futebol ter quase 50 faltas. Em território europeu, quando o número nesse quesito chega a 25, é alto. Imaginem 50!? Não pode um jogo tão decisivo ser disputado em um nível técnico tão baixo. Mas, é mais ou menos por aí que anda o futebol brasileiro. Talento não falta, tanto na nossa seleção brasileira, como no duelo entre Corinthians e Santos. O que de fato está faltando é o entendimento para a prática futebolística. Quem está assistindo a Eurocopa e assistiu ontem ao duelo brasileiro, pode pensar que são dois esportes diferentes. A regra é a mesma, mas os princípios (a forma de se jogar) são muito diferentes e os finais (a qualidade do jogo após 90 minutos) também são completamente distintos.

O Corinthians mereceu a classificação. Dentro do que foi apresentado durante 180 minutos, a equipe do Parque São Jorge conseguiu ser menos pior do que o Santos. Mais por incompetência do Alvinegro Praiano do que por própria competência. O Corinthians fez um ótimo primeiro tempo no jogo de ida, inclusive, com um golaço de Émerson e praticamente mais nada. O Santos fez um gol em 180 minutos e praticamente mais nada. Mais ou menos assim que se resume como foi  a semifinal brasileira da Taça Libertadores da América. Pelo caminho do Corinthians, Boca ou Universidad do Chile na final. Um caminho árduo, duro, difícil e pedregoso. Quem passar do duelo Chile x Argentina é favorito!