quinta-feira, setembro 29, 2011

MAGIA? BRUXARIA? FEITIÇO?

Por Danilo Silveira

Aos meus olhos, parece que nenhum time do planeta está preparado para derrotar o Barcelona. Sabe os acasos do futebol, aquelas coisas inesperadas, que acontecem uma vez e nunca mais? Parece que foi isso que aconteceu em 2010, quando a Inter de Milão eliminou o Barcelona na semifinal da Liga dos Campeões.

Fora um desses acasos, o Barcelona não perde. Vou falar aqui que nem os químicos: nas CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão) o Barcelona passeia e vence quem tiver pela frente. Essa é a verdade. Se formos fazer uma seleção do mundo, esta teria vários jogadores do time catalão. Mas vamos fazer uma com todos os outros jogadores, do Bayern, do Chelsea, do Real Madrid e de quaisquer outros clubes que desejem. Quando essa equipe enfrentar o Barcelona, a equipe espanhola será favorita.

Ver o Barça jogar é algo mágico, fantástico. Parece que Joseph Guardiola é o único no mundo a ter uma chave, que entra em uma fechadura que leva ao “Baú do futebol arte”. Não vi Pelé, não vi Maradona e não vi Garrincha, mas vejo Xavi, Fábregas e Messi. Alías,vejo mais do que isso. Vejo vários atletas formarem um time que vale mais que a simples soma dos seus valores.

Quem vive o futebol sabe o que estou falando. Deveria ser o Barcelona alvo de estudos complexos em faculdades do mundo todo. Como pode, no mundo atual, onde a força e o preparo físico fazem os esportes serem tão equilibrados, um time ser tão superior, tão melhor que os demais?

Muitas vezes me perguntam se é melhor jogar bonito e perder ou jogar feio e ganhar. Eu digo que é melhor jogar feio e perder. Sabe porquê? Porque existe o Barcelona! Porque eu tenho privilégio de ver o Barça jogar e saber o que realmente é jogar bonito. Pode essa equipe espanhola perder as próximas Liga dos Campeões para equipes banais e normais, mas eu quero que o encanto do Barcelona nunca acabe. Quando se vê o Barcelona jogar, pouco importa-se com o resultado. Aliás, esse serve para ilustrar com fidelidade a superioridade dessa equipe. Isso porque quase sempre o Barça goleia. E quando não goleia, pouco importa. O que de fato importa é a arte, a magia e a beleza que esse time tem.

Parece o Barcelona não ter limites. Parece que a quantidade de jogadores de cada posição não fazem diferença. Parece que se o Barcelona resolver jogar sem zagueiros, sem laterais e sem volantes, apenas com meio-campista de criação e com atacante, vai dar no mesmo. Aliás, já se tornou uma prática do treinador, improvisar volantes no meio-campo.

A camisa vinho e azul, usada pelo Barcelona é sinônimo de qualidade. Ao ver um jogador vestindo-a, você já desconfia que ele seja bom. Mesmo sem ele tocar na bola, sem ele fazer nada que o faça ser um bom jogador. A camisa do Barça é uma espécie de selo de qualidade. É incrível!

Parece que se pegarmos todos os jogadores de um time da terceira divisão do Campeonato Brasileiro e deixarmos treinando um ano no Barcelona, todos vão sair de lá craques.

Magia? Bruxaria? Feitiço? Se não é isso, é o que? O que então que o Barcelona tem que os outros não têm. Seja onde for que isso surgiu, o mágico, bruxo, feiticeiro ou qualquer outro ser que criou, o fez com muita propriedade e acertou em cheio na dose.

MANO MENEZES RESOLVEU FAZER O ÓBVIO E DEU CERTO

Por Danilo Silveira

Os fatos fazem as coisas parecerem tão simples, mas Mano Menezes consegue insistir e relutar contra eles. Está certo que o fato é algo indiscutível, algo que é absoluto. Então não posso dizer que é um fato que o Lucas joga mais bola que o Renato Abreu, pois alguém pode discordar e não tenho elementos que comprovem cientificamente essa tese. Então digo que aos meus olhos, isso é um fato. Nada contra o Renato Abreu, que tem suas qualidades, mas para desempenhar a função de criação de um meio-campo, Lucas é bem mais aconselhável. E Mano Menezes parece ter demorado para entender isso.

Há 15 dias o Brasil entrava em campo para duelar com a Argentina, com Ralf, Paulinho e Renato Abreu no meio-campo. Nesta quarta-feira, um quê de sensatez parece ter batido na cabeça do treinador da nossa querida Seleção Brasileira e ele lançou Lucas na vaga do nosso querido Renato Abreu. E aconteceu o natural, o óbvio. Lucas foi muito melhor que o jogador o qual substituía, deu muito mais velocidade e qualidade ao meio-campo do Brasil. E foi no ritmo da jovem promessa são paulina e com os gritos dos torcedores presentes ao Mangueirão que o time escalado por Mano foi para cima da Argentina. Por sinal, no time dos nossos hermanos, algumas mudanças, como Guinazu, Montillo e Viatri na equipe titular.

Mas havia um outro nome em campo, até aqui não citado, que roubou a cena. Trata-se de Cortês, lateral-esquerdo do Botafogo. E ele não chamou a atenção somente pela sua vasta cabeleira, mas sim pelo seu futebol. Aos 12 minutos ele achou Borges (substituto do contundido Leandro Damião), que achou Neymar que chutou para boa defesa do goleiro Orión, da Argentina. E a dupla Neymar-Cortês entendia-se bem pela ponta direita, mas faltava algo mais para seleção, que enfrentava dificuldade para penetrar por dentro da zaga Argentina, que executava uma marcação implacável. E foi aí que Lucas apelou para o talento, fazendo coisa que dificilmente Renato Abreu faria. O jovem arrancou pela ponta direita, trouxe para o meio fazendo fila e abriu na direita para Borges, que centrou deixando Neymar debaixo do poste, mas o craque santista acabou furando e deixando a bola passar.

Tive medo do treinador de seleção de verde e amarelo agora inventar de tirar o Lucas no intervalo, para colocar algum jogador de defesa, ou algo do gênero, mas ele deu prioridade ao futebol bem jogado, coisa que tem feito pouco constantemente. Dessa maneira, o Brasil voltou sem alterações para a segunda etapa, assim como a Argentina. Mais incisivo que no primeiro tempo, o time de Mano começou a apertar a Argentina, que marcava muito bem.Na parte defensiva, Réver fazia boa partida e Dedé nem tanto. Aos 7, o zagueiro do Vasco errou em uma saída de bola e a jogada de ataque dos hermanos terminou em chute de Fernández, muito bem defendido por Jefferson, que fazia sua primeira grande intervenção com a camisa da seleção principal. E essa bola defendida pelo goleiro alvinegro foi para escanteio. E desse escanteio nasceu o gol brasileiro. Bola afastada da área e Cortês teve a calma e tranqüilidade que se deve ter um jogador de seleção para puxar um contra ataque tocando para Borges, que entregou para Danilo que deu um passe excelente para Lucas. E mais uma vez o meio-campista do São Paulo fez algo que dificilmente Renato Abreu faria; ele arrancou pelo meio e finalizou com classe, na saída do goleiro Orión, para marcar o primeiro gol do Clássico das Américas. Nesse instante a torcida brasileira que encheu o estádio Mangueirão e fez uma linda festa comemorou muito. E o tento deu ânimo para seleção. Cortês se destacava pela ponta esquerda, provando que tem condições de vestir a camisa da seleção. Aos 14, o técnico Sabella tirou Canteros e colocou Bolatti em campo; 9 minutos mais tarde foi a vez de Mano Menezes tirar Lucas, o autor do gol, para lançar Diego Souza e pouco depois sacar Borges, com caimbra para a entrada do atacante do Fluminense Fred. Pouco aqui se falou do Ronaldinho Gaúcho, que teve uma atuação discreta, buscando jogo, mas criando poucas jogadas de perigo. E aos 29 minutos de jogo, o segundo gol brasileiro saiu dos pés do melhor jogador em campo. Cortês arrancou pela esquerda e entregou para Diego Souza, que bateu para o meio, Neymar tocou na bola, que bateu no zagueiro e acabou indo para o fundo das redes. Era o Brasil fazendo 2 a 0 no seu maior rival. E antes de encerrar os detalhes do jogo, cabe destacar mais duas belas defesas de Jefferson, que, para mim, já devia ter assumido a titularidade da seleção, quando esta conta também com jogadores que atuam fora do nosso país. Enfim, Mano Menezes conseguiu vencer uma seleção de maior tradição que EUA, Escócia, entre outras.

Escalar o Brasil da maneira que Mano Menezes escalou é, em minha opinião, o certo. Não se trata de ter mérito ou de ter tido uma grande sacada, Mano Menezes fez o mínimo que se espera de um treinador que dirige a Seleção Brasileira. Para completar, ele deveria pediu desculpas aos brasileiros, na televisão, em horário nobre, por ter escalado 15 dias atrás, Ralf, Paulinho e Renato Abreu, juntos, para compor o meio-campo do time que ele dirige.

quarta-feira, setembro 28, 2011

DEPOIS DE 21 ANOS...



Por Danilo Silveira
Foi bonito ver o Napoli voltar a vencer um jogo da UEFA Champions League dentro de casa. Após 21 anos, o ex-time de Maradona voltou à maior competição do planeta. O jogo de estréia foi na Inglaterra, quando o time italiano empatou em 1 a 1 com o Manchester City. E na última terça-feira, jogando no estádio San Paolo, o Napoli derrotou o Villarreal, por 2 a 0, com gols marcados pelo eslovaco Hamsik e pelo uruguaio Cavani.
Provavelmente, muitos dos aproximadamente 78 mil torcedores presentes no estádio, nunca tinham visto o Napoli atuar em uma partida da Champions League de perto. E das arquibancadas vinha o apoio para o time dentro de campo, que correspondia. A equipe comandada pelo técnico Walter Mazzarri iniciou a partida impondo o ritmo de jogo e partindo para o ataque. Um dos trios ofensivos mais eficientes do mundo, formado por Hamsik, Lavezzi e Cavani, ditava as ações. A defesa do Villarreal tentava marcar de forma avançada e tinha dificuldades. E o gol nasceu justamente em bela jogada ofensiva da equipe italiana, ajudada por uma falha coletiva da defesa do time espanhol. Da ponta direita, o argentino Lavezzi achou Hamsik no lado esquerdo da área, por trás de toda a marcação, e o eslovaco finalizou bonito, de primeira, para abrir a contagem para delírio dos torcedores presentes no estádio. E mal foi dada a saída de bola, Lavezzi apareceu em velocidade pela ponta esquerda, invadiu a área e foi derrubado pelo zagueiro Gonzalo: pênalti assinalado e amarelo para o defensor. Cavani tomou pouca distância, partiu para bola e bateu firme, no canto direito do goleiro Diego López, que pulou para o outro lado e não saiu nem na foto. Em dois minutos a equipe italiana havia conquistado uma bela vantagem no marcador. Mas isso não foi motivo para diminuição de ritmo. Atuando com três zagueiros, o Napoli contava com dois laterais, Zuniga pela direita e Dossena pela esquerda, que mais pareciam pontas, já que apareciam de forma constante no campo ofensivo. O Villarreal, por sua vez, pouco criava. Nilmar aparecia de vez em nunca no campo ofensivo, tentando sem sucesso alguma jogada de perigo. Aos 35 minutos, Juan Garrido mexeu na sua equipe, tirando o zagueiro Gonzalo, o mesmo que cometeu a penalidade, para entrada do meio-campista Camuñas. E não demorou para o intervalo chegar.
As duas equipes não trocaram jogadores para a segunda etapa, mas a postura de cada time e o panorama do jogo mudaram por completo. O Villarreal voltou melhor para os 45 minutos finais, muito apoiado pelo seu trio de “c”. Os meias Cani e Camuñas mais o lateral Catalã, davam muito trabalho pelo lado esquerdo do campo ofensivo. Mas os defensores napolitanos postavam-se muito bem no campo defensivo, impedindo assim que a equipe espanhola criasse oportunidades de gol. Vale aqui destacar a aplicação na marcação da equipe italiana. Não era incomum ver o atacante e goleador Cavani no campo defensivo ou então quase no meio-campo dando combate. E o segundo tempo todo teve essa tônica. O Villarreal pouco criava chances de gol enquanto o Napoli não conseguia encaixar um contra-ataque mortal a baseava seu jogo em uma marcação muito aplicada. As entradas de Mascara e Pandev nas vagas de Hamsik e Cavani pouco alteraram o panorama do jogo. Ainda acho que o Napoli poderia ter agredido mais na segunda etapa, pois tem qualidade para isso. Mas o fato é que após um bom primeiro tempo, a equipe italiana foi segura e soube administrar com tranqüilidade o placar, para garantir a primeira vitória na sua volta a UEFA Champions League.
No outro jogo do grupo A, o Bayern de Munique venceu o Manchester City por 2 a 0. Com isso, a equipe alemã é líder do grupo com seis pontos, o Napoli é o segundo com quatro, o City com apenas um é o terceiro e na lanterna o Villarreal não somou pontos ainda.