quinta-feira, setembro 20, 2012

EM UM DUELO FRACO, BRASIL JOGA MAL, MAS VENCE A ARGENTINA

Por Danilo Silveira



Há algum tempo, a Seleção Brasileira não desperta muito o interesse do povo brasileiro. Isso é notório. Notório também é que a seleção dirigida por Mano Menezes está em um patamar muito aquém de muitas seleções europeias, e se a Copa do Mundo fosse hoje, Neymar, Oscar, Hulk e companhia provavelmente não passariam de coadjuvantes. O problema passa longe de ser falta de talento, o que acontece é que Mano, que até escala bem, não consegue fazer sua seleção jogar em um padrão aceitável.

Nesta quarta-feira, Brasil e Argentina se enfrentaram em Goiânia, no Serra Dourada, pelo duelo de ida da Copa Rocca, torneio de dois jogos, onde as duas seleções só podem usar jogadores que atuam na Argentina ou no Brasil. Melhor para o Brasil, que pode usar Neymar, Lucas, Leandro Damião, Dedé, que são jogadores que integram a Seleção principal, além de outros com muita qualidade, mas que nem sempre são convocados, como Rever, Ralf e Luís Fabiano. Pior para a Argentina, que não pode usar Messi, Di Maria, Aguero, Tévez, Lavezzi e Higuaín.

Durante 90 minutos, tivemos um jogo muito ruim, com raras chances de gol, poucas jogadas bonitas e muito pouca inspiração. Tivemos uma Argentina para lá de defensiva (saudades do tempo em que Maradona era o técnico), contente com o empate e buscando muito pouco o gol. Do outro lado, tivemos um Brasil que até tentava buscar o gol, mas a falta de inspiração e de envolvimento à marcação adversária era tamanha que foram pouquíssimas jogadas que realmente levaram perigo ao gol de Ustari. A primeira delas veio aos 25 minutos, quando Paulinho, em posição irregular, cabeceou para empatar o jogo. Isso porque, minutos antes, o jogador do Corinthains, Martínez, apareceu para abrir o placar para os hermanos. A torcida brasileira procurou fazer festa e apoiar a equipe, que de fato fazia uma partida muito fraca.

Mas, a paciência do torcedor teve limite. No meio da segunda etapa, quando Mano Menezes lançou Wellington Nem na vaga de Lucas, vaias começaram a ser ouvidas, aliadas a gritos de Felipão. Chegava a ser triste ver uma Seleção Brasileira com tão pouca inspiração e uma Seleção Argentina tão retrancada, mas esse desenho não mudou até o apito final. Mas, antes que ele viesse, Desábato colocou a mão na bola na área e o árbitro assinalou pênalti. Neymar cobrou bem, converteu e deu a vitória de virada ao Brasil. Vitória essa que nada me deixa mais confiante em relação ao futuro da Seleção Brasileira. Pelo contrário! Parece que a cada atuação da Seleção de Mano Menezes, mais cresce minha desconfiança em relação a essa seleção. Exceto o jogo contra a fraca China, onde a Seleção passeou e venceu por 8 a 0. Dificilmente em uma Copa do Mundo ou uma Copa das Confederações, teremos adversários que se mostrem tão limitados como se mostrou a China. E provavelmente, teremos a maioria dos adversários melhores e mais bem arrumados que a Argentina para lá de capenga que o Brasil enfrentou hoje. Por sinal, um Brasil, a exemplo do seu maior rival, para lá de capenga!

quarta-feira, setembro 19, 2012

EM JOGO FRACO TATICAMENTE, MAS EMOCIONANTE NOS MINUTOS FINAIS, REAL VIRA PARA CIMA DO CITY

Por Danilo Silveira


Dois times mal escalados, tendendo para o defensivismo e apresentando um futebol longe de ser envolvente. Foi assim que começou o duelo entre Real Madrid e Manchester City, na rodada de abertura da UEFA Champions League. Foi do meio da segunda etapa para o final que o jogo mudou completamente de figura e as redes passaram a ser balançadas em seqüência e o jogo cresceu em emoção. Após o apito final, o Real Madrid comemorou a vitória por 3 a 2, de virada.

Times mal escalados e jogo fraco na primeira etapa

O duelo começou e impressionava de fato os nomes que estavam no banco de reservas. No Real Madrid, Modric, Ozil e Kaká viam Khedira, Xabi Alonso e Essien, começarem o jogo na equipe titular. Já no City, Aguero contemplava a titularidade de Javi Garcia, Barry e Yayá Touré. Como já parecia estar no script, as duas equipes fizeram um primeiro tempo muito fraco. O que de fato funcionou foi a marcação avançada do time da casa, que encurralava o City, porém, com a bola nos pés, eram nítidas as deficiências apresentadas pelos madrilenhos. Criastiano Ronaldo foi quem criou as melhores oportunidades. Aos 7 minutos, ele cortou Kompany e bateu cruzado pela ponta esquerda da área e Hart apareceu para fazer boa intervenção. Aos 11, Cristiano , novamente pela ponta esquerda, arriscou, Higuaín desviou no meio do caminho e Joe Hart apareceu para fazer uma grande defesa. O Real até arriscava chutes de longa e média distância, até tinha o domínio territorial no campo ofensivo, mas produzia poucas jogadas coletivas mais bem elaboradas e mais parecia jogar na base da vontade que na boa armação tática. Aos 34, Nasri se machucou e Roberto Mancini, tendo Aguero no banco, preferiu colocar Kolarov em campo, tornando ainda mais complicadas as coisas para o seu time. 

Em final eletrizante, Real vira com gol de Cristiano Ronaldo

Veio a segunda etapa e nenhum dos técnicos mexeu. Parecia difícil acreditar que o jogo melhoraria, muito por conta da escalação e da armação tática adotada pelos treinadores de ambas as equipes. O fato é que o City voltou menos retrancado (seria quase impossível recuar mais), O Real voltou atacando com mais organização (seria difícil desorganizar mais) e o jogo melhorou um pouco (se piorasse os espectadores iam acabar dormindo). Aos 14, Marcelo arriscou de fora da área e a bola passou à esquerda, com perigo. O meio do segundo tempo foi se aproximando e os dois treinadores começaram a mexer em suas equipes. Roberto Mancini lançou Dzeko e tirou David Silva. Apesar de ter lançado mais um atacante, ele comprometia demais a criação de jogadas por estar tirando um dos melhores jogadores do time, que não fazia um bom jogo, acredito eu, muito por conta da parte tática deficiente implantada pelo treinador italiano. Já José Mourinho, lançou Ozil na vaga de Essien aos 19. Dá para dizer que a mexida foi boa, mas Mourinho não fez mais que o óbvio, pois atuar com três volantes, deixando Ozil, Modric e Kaká no banco é algo, para mim, inviável. Mancini parecia fazer de tudo para o seu time não atacar de forma organizada, mas mesmo assim, o City chegou ao gol. Yayá Tourré saiu jogando de trás do meio campo, tabelou, continuou avançando e tocou para Dzeko, que chutou na saída de Cassillas para abrir o placar. E minutos após o gol, Mourinho resolveu colcoar o time para frente: trocou Higuaín por Benzema e lançou Modric na vaga de Khedira. Naturalmente o Real melhorou na partida e os 20 minutos finais de jogo foram eletrizantes. Aos 29, Yayá Tourré recebeu no meio da área e teve a chance de ampliar, mas chutou à esquerda de Cassillas. Logo em seguida, Marcelo arriscou de fora da área, a bola desviou em Javi Garcia e entrou nas redes do City: 1 a 1. O Real se animou e partiu em busca da virada. Aos 34, Benzema chutou meio sem ângulo da ponta direita e o seguro goleiro Hart fez mais uma boa defesa. Aos 39, Kolarov cobrou falta da meia direita na área e a bola acabou passando por todo mundo e caindo no fundo das redes de Cassillas. Era o City de novo na frente e muito perto de conseguir um resultado heróico no Santiago Bernabéu. Mas, o que o jogo deixou a desejar no ponto de vista tático, foi compensado por doses fortes de emoção. Aos 41, Benzema recebeu na meia lua de Di Maria, girou e chutou no canto esquerdo de Hart, que por pouco não evitou o empate. Pela segunda vez, os donos da casa empatavam o duelo e agora tinham pouco tempo para conseguir uma virada. E ela por pouco não saiu na melhor jogada coletiva da partida. Em um contra ataque rápido da equipe madrilenha, a bola passou pelos pés de Modric, de Ozil, de Benzema e chegou até Cristiano Ronaldo, que bateu no canto direito, para nova defesa de Hart, o melhor jogador em campo. E quis o destino que o melhor jogador em campo falhasse em um momento decisivo. Aos 46, Cristiano Ronaldo chutou da ponta esquerda, no meio do gol e Hart acabou falhando. Foi a virada do Real Madrid em um jogaço do ponto de vista de emoção e um jogo abaixo da crítica do ponto de vista tático.


segunda-feira, setembro 10, 2012

MESSI MARCA DE FALTA E ARGENTINA VENCE PARAGUAI EM CASA POR 3 A 1

Por Danilo Silveira

Jogando em casa, na cidade de Córdoba, a Argentina venceu nesta sexta-feira o Paraguai, por 3 a 1. A equipe comandada por Alejandro Sabella não fez um jogo brilhante, mas foi mais que suficiente para derrotar a seleção vice-campeã da Copa América, que apresentou um futebol ruim e parece ver longe o sonho de disputar a Copa do Mundo no Brasil.


Se existe um início dos sonhos, a Argentina provou disso. Logo aos 2 minutos, após um jogada tramada pela ponta direita, a bola sobrou limpa na meia lua para Di María, que chutou, contou com desvio nas costas de Lavezzi e viu a bola chegar nas redes de goleiro Villar, entrando no canto direito. Com o gol relâmpago, a Argentina animou sua torcida, que gritava olê com cinco minutos de jogo. O duelo mostrava-se equilibrado em campo e o jogo não era lá dos melhores. E aos 16, o Paraguai chegou à igualdade com grande dose de ajuda do volante argentino Braña. Ele foi afastar uma bola que estava na sua área defensiva, mas, inexplicavelmente utilizou a mão, cometendo uma penalidade infantil, assinalada pelo árbitro brasileiro Wilson Luiz Seneme. Fabbro, que é argentino, mas naturalizado paraguaio, cobrou no canto direito de Romero para empatar. Messi fazia um primeiro tempo muito discreto, não dando seu costumeiro show particular. E a Argentina chegou ao segundo gol aos 29. Di Mária descolou uma enfiada de bola pelo meio, que me pareceu para um companheiro que estava logo à frente, mas a bola correu demais, passou pelos defensores paraguaios e chegou até Higuaín, que teve oportunismo para chutar cruzado pela ponta direita da área e colocar novamente os hermanos em vantagem. E por muito pouco a Argentina não chegou ao terceiro gol ainda na primeira etapa. Di Maria sofreu falta de Piris pela ponta esquerda e Messi cobrou com carinho, acertando o poste direito de Villar.

Veio a segunda etapa e logo com dois minutos a Argentina esteve muito perto de ampliar o marcador. Messi apareceu pela intermediária, driblou dois jogadores e deu um toque estiloso, com cavadinha, encobrindo o goleiro Villar, mas a bola beijou caprichosamente a trave esquerda e não entrou. O jogo não mudou muito de figura. A Argentina era superior, mas não fazia uma partida brilhante. O Paraguai mostrava-se um time limitado na parte ofensiva e esforçado na marcação. Gerardo Pelusso, o uruguaio técnico da seleção paraguaia, resolveu mexer duplamente aos 14 minutos, sacando Fabbro e Roque Santa Cruz e promovendo as entradas de Cardozo e Valdéz. E aos 19, surgiu o gol que deu tranquilidade para a Seleção argentina. E ele foi marcado pelo grande astro dessa equipe. Lionel Messi bateu falta com perfeição, acertando o canto esquerdo do goleiro Villar: 3 a 1. Se as coisas já eram para lá de complicadas para o Paraguai, ficaram ainda mais difíceis depois do terceiro gol argentino. Sabella promoveu sua primeira alteração após o gol, lançando o experiente Palácios, na vaga de Lavezzi. Pelusso mexeu pela última vez aos 28, tirando Estigarribia, que me chamou atenção na Copa América, pelo bom futebol apresentado, mas que foi uma peça muito apagada nesses 73 minutos em que esteve em campo. Em seu lugar, entrou E. Benítez. A Argentina seguiu com o jogo controlado, sem sofrer maiores sustos até o apito final. Guinazu e Biglia ainda entraram nas vagas de Di Maria e Braña e participaram da vitória de uma Argentina, que mesmo sem ser encantadora, mostrou-se um time muito forte, que dificilmente ficará fora da Copa do Mundo do Brasil em 2014.