quinta-feira, janeiro 21, 2016

FLAMENGO MOSTRA BOM FUTEBOL, BATE SÃO PAULO E CHEGA À SEMIFINAL DA COPINHA

Por Danilo Silveira

Flamengo e São Paulo travaram um duelo bastante interessante pelas quartas de final da Copa SP de Juniores. Duas equipes que tentaram o ataque muito mais pelo chão do que pelo alto, que souberam valorizar a posse, que não abusaram dos chutões nem das bolas alçadas na área. Duas equipes de base que parece que entenderam o que muita equipe profissional não entende: que futebol se joga pelo chão, que pelo alto é vôlei e basquete.

No final das contas, venceu o Flamengo. Com merecimento, pois foi o time mais consistente, que errou menos (os dois gols do Flamengo, ambos marcados por Felipe Vizeu, saíram em erros da defesa são paulina), que soube atacar com inteligência e defender com muita qualidade.

Flamengo esse comandado por Zé Ricardo, treinador que sobe cada dia mais no meu conceito nas atribuições das suas funções. Foi na Copinha do ano passado que o vi pela primeira vez dirigir uma equipe de futebol, ocasião em que o Flamengo não perdeu nenhum jogo, sendo eliminado apenas nas penalidades, pelo Atlético-MG. Por sinal, nesta edição, o Flamengo também está invicto, com 6 vitorias e um empate. São apenas dois degraus que separam o rubro-negro do título. No domingo, a semifinal é contra o América-MG.

Mais que os bons resultados numéricos, fica a impressão que os juniores do time do Flamengo estão em boas mãos. Que fique a dica para atual diretoria rubro-negra, que parece escolher a dedo os treinadores errados para comandar o futebol profissional do rubro-negro. Que o Flamengo organizado, bem estruturado, com equilíbrio defensivo e ofensivo sirva de espelho para o profissional.

Acho muito difícil que em 2016 vejamos o Flamengo profissional apresentar atuações do nível que os garotos da base apresentaram hoje. Muricy Ramalho não me parece o treinador ideal para fazer um time jogar bonito, ser equilibrado e valorizar a posse de bola. Veremos se o tempo afastado do futebol o fez mudar alguns conceitos. Caso não, teremos grandes chances de ver muita bola alçada na área, muito defensivismo e pouco (ou nenhum) futebol bonito dentro de campo.

quarta-feira, dezembro 30, 2015

O BARCELONA DE 2015 E AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ: UMA HUMILDE HOMENAGEM, UM SINGELO "MUITO OBRIGADO"

Por Danilo Silveira

Existem momentos em nossas vidas que os ditados que parecem ser o mais clichê possível nos bastam para retratar determinada situação. Pois bem, “o mundo dá voltas”.

Foi no dia 4 de janeiro de 2015 a primeira vez em que esse que vos escreveu resolveu fazer uma publicação nesse meio de comunicação no ano de 2015. Era um texto que fazia uma breve análise da derrota do Barcelona, dentro de casa, para a Real Sociedad, por 1 x 0. Dia em que algo mais raro até que a própria derrota do Barça aconteceu: o time catalão não fez uma boa partida. Messi e Neymar iniciaram no banco de reservas, entraram no intervalo, mas não evitaram a derrota. Rumores sobre certo mal estar entre o técnico Luis Enrique com Messi apontavam que o treinador deixaria o clube. Enfim, o cenário não parecia dos melhores para o fantástico Barcelona.

Tão fantástico que até aí ele nos surpreende. A atuação de 4 de janeiro apontava muito mais para um ano complicado, assim como foram os dois anteriores, (logo após a saída de Joseph Guardiola do comando técnico), do que para o ano real do time catalão.

O Barcelona de 2015 fez algo magnífico, fantástico, que eu jamais havia presenciado, pelo menos nessa vida vigente. Um futebol de encher os olhos, uma sinergia do trio MSN que transcendeu o que parecia ser o limite do possível. O que o Barcelona fez em 2015 ecoa para a eternidade, me faz dizer que Messi, Suárez e Neymar formam o melhor trio de ataque que eu já vi jogar futebol.

Os títulos do Campeonato Espanhol, da Copa do Rei, da Liga dos Campeões e do Mundial de Clubes são meramente ilustrativos e secundários diante daquilo que foi exposto pelo Barcelona diante das quatro linhas. Outros times já ganharam diversos títulos em um só ano, mas dificilmente, diria eu quase que impossível, fazendo o que fez o Barcelona de Luis Enrique.

Neymar, Suárez e Messi parecem jogar juntos há mais de 20 anos. Entendem-se no olhar, no gestual, no mais simples e comum movimento corporal. É como se existisse até mesmo um quarto elemento: a bola. É como se ela participasse do processo, como se sua trajetória fosse pré-definida e Messi, Suárez e Neymar já soubessem previamente onde precisam se posicionar. Tão surreal, tão real! Sorte tem aquele que possui o direito de sentar em frente à televisão e ver esse Barcelona jogar. Se hoje fala-se em Pelé, Garrincha, Sócrates, Falcão, Zico, daqui a 30, 50, 100 anos, se falará em Messi, Suárez e Neymar. Três que valem mais que três! Quando se juntam, Messi, Suárez e Neymar valem muito mais que a soma de sues talentos. A união, a tática, a distribuição espacial os fazem valer muito mais que isso.

Mas não seremos injustos. Quando falamos do Barcelona de 2015 não podemos esquecer de Piqué, Mascherano, Busquets, Iniesta, Xavi (jogou até o fim do primeiro semestre), entre outros, que fazem o time andar (leia-se desfilar), e abrem caminho para o MSN brilhar.

De 4 de janeiro a 30 de dezembro – 360 dias – houve tempo suficiente para a Terra dar quase uma volta inteira ao redor do sol, tempo suficiente para o fantástico Barcelona nos mostrar o que é o futebol na sua mais pura essência. Que venha 2016. Que venha mais uma volta da Terra sobre o sol, afinal, “o mundo dá voltas”l! Que Lionel Messi, o mais extraterrestre dos terrestres que jogam futebol possa comandar novos shows do time mais extraterrestre dos terrestres.


Vida longa a esse Barcelona e um, humilde muito obrigado! Feliz ano novo a todos!

terça-feira, dezembro 29, 2015

EM DIA DE OZIL, ARSENAL VENCE E DORME NA LIDERANÇA DO INGLÊS

Por Danilo Silveira

Depois da derrota por 4 x 0 para o Southampton no último fim de semana, o torcedor do Arsenal deve ter sentido uma pitada de desconfiança em relação ao futuro do time na Premier League. Só que os comandados do Arsene Wenger usaram a partida desta segunda-feira, contra o Bournemouth para trazer de volta a confiança do torcedor. Não que a equipe tenha feito uma partida excepcional, mas o time soube contornar os momentos de maior dificuldade, soube desenvolver um bom futebol em momentos importantes da partida e teve maturidade e inteligência para chegar à vitória por 2 x 0, que o faz dormir na liderança.

Se o fato do Bournemouth estar disputando a Premier League pela primeira vez poderia sugerir um confronto fácil para o Arsenal, os resultados recentes sugeriam o contrário. Os comandados de Eddie Howe não perdiam há seis jogos, dentre eles vitórias sobre Manchester United e Chelsea. E de fato o início do jogo não foi dos mais promissores ao Arsenal. A equipe mantinha a posse de bola no campo defensivo, tendo enormes dificuldades para passar do meio-campo, devido à forte marcação avançada do adversário. E quando o Bournemouth tinha a posse de bola levava perigo. Mesmo que não destaquemos nenhuma grande oportunidade de gol, a bola pererecou várias vezes próximo à meta de Peter Cech, assustando a maioria dos quase 60 mil presente no Emirates.

Quem conhece a história recente do Arsenal sabe que não foram poucas as vezes nos últimos anos em que o time jogou melhor, pressionou o adversário, mas a bola cismou em não entrar e o time adversário, com bem menos oportunidades de gol acabou vencendo o jogo. Pois os ventos parecem conspirar a favor do Arsenal nessa temporada. Pressão do adversário, uma produção ofensiva baixa e um jogo extremamente perigoso. Esse era o cenário. Até que aos 26 minutos, Ozil bateu escanteio na medida para o zagueiro Gabriel Paulista cabecear e abrir o marcador. O gol fez muito bem ao Arsenal, que dominou as ações no restante da primeira etapa, e poderia até ter ampliado o marcador em algumas ocasiões, com destaque para as bolas aéreas, que levavam muito perigo à defesa adversária. E quanto mais o Arsenal crescia no jogo, mais aparecia o excepcional futebol de Mesut Ozil, o melhor jogador em campo disparado na tarde desta segunda-feira.


Veio a segunda etapa e Eddie Howe parece ter colocado a casa em ordem e o Bournemouth voltou a se espaçar bem dentro de campo e encontrar o bom futebol do início da primeira etapa. Só que o Arsenal voltou atuando melhor do que na primeira etapa. Com isso, o duelo se mostrou interessante e franco, com as duas equipes buscando atacar. Melhor para o Arsenal, que tem Ozil. Aos 17 minutos o meia alemão fez uma jogada espetacular, puxando um contra-ataque do meio-campo, tabelando, costurando a defesa e finalizando com classe para as redes após belo passe de Giroud. Era o Ozil sendo Ozil, o Arsenal sendo Arsenal. Se o 1x0 já tinha feito bem aos Gunners, o segundo gol fez melhor ainda. Com Ozil comandando as ações, com o quesito passe mais do que apurado, o Arsenal poderia ter chegado ao terceiro e até ao quarto gol. O chute de Walcott passou muito perto, a finalização de Chamberlain tocou na trave, dentre outras chances desperdiçadas. Mas nada que fizesse diminuir a alegria do torcedor do time londrino. O sonho do título inglês, que não vem desde 2004, parece pulsar mais forte do que nunca nas arquibancadas do Emirates.