quinta-feira, agosto 13, 2015

CRISTÓVÃO BORGES: DESFAZENDO A CONFUSÃO QUE LUXEMBURGO DEIXOU NO FLAMENGO

Por Danilo Silveira

O Flamengo mudou. E mudou para melhor. Desde a saída de Vanderlei Luxemburgo e chegada de Cristóvão Borges, há cerca de dois meses, o Flamengo só vem melhorando o nível do futebol apresentado e, atrelando a isso bons resultados. Nas últimas seis partidas, o time venceu quatro, empatou uma e perdeu apenas uma, tendo apresentações de nível que dificilmente seria alcançado sob comando de Luxemburgo.

Além da melhora técnica e tática em geral, Cristóvão conseguiu dar ao Flamengo algo que o time parecia carecer: consciência. Contra o Atlético-PR, mais uma vez isso ficou nítido. Os jogadores parecem saber onde estão dentro de campo e porque ali estão. O time soube jogar marcando pressão, tentando roubar a bola rapidamente, como soube jogar com a primeira linha de marcação ofensiva na altura do meio-campo, impedindo assim a progressão adversária para o campo de ataque. Os jogadores do Flamengo hoje não se livram da bola de qualquer maneira, trocam passes com muito mais qualidade e não se afobam quando a marcação aperta. Parece ser o início de uma reconstrução do Futebol do clube. Não falo de resultados, vou além: falo de uma filosofia de jogo diferente da que vinha sendo implementada por Luxemburgo.

Aquela bagunça que Luxemburgo promovia e ainda parecia achar fazer parte do processo, hoje não mais existe. Luxemburgo parecia preocupado somente com a zona da confusão na tabela de classificação. Cristóvão, não. O Flamengo está distante da confusão na tabela e Cristóvão vem, dia após dia, desfazendo a confusão tática que Luxemburgo implementou naquilo que mais parecia um conjunto de onze cidadãos perdidos do que propriamente um time de futebol.


Sinceramente, quando Luxemburgo saiu do comando técnico, imaginava eu que o Flamengo demoraria muito mais que dois meses e meio para chegar ao nível que hoje se encontra. Cristóvão parece o principal responsável pela aceleração desse processo. Jogando da maneira a qual tem jogado desde o início do campeonato, seria o Flamengo um dos fortes candidatos ao título brasileiro. Ainda assim, é importante colocar os pés bem no chão e ter como principal meta nessa competição, não figurar entre os quatro últimos ao término da rodada. Se no futebol o céu e o inferno são pra lá de próximos, no Flamengo essa distância parece ser ainda mais curta. 

quinta-feira, julho 23, 2015

COM BELA ATUAÇÃO, TIGRES ELIMINA INTER E CHEGA À FINAL DA LIBERTADORES

Por Danilo Silveira

Certo dia, no início desse ano, estava “rodando” os canais esportivos na televisão, até me deparar com um jogo da Libertadores, o qual o Tigres era uma das equipes. E muito me impressionou a qualidade do time, que tinha o ataque naquela ocasião formado por Rafael Sóbis e Guerrón.

O bom futebol apresentado pela equipe comandada por Ricardo Ferretti, despertou-me o desejo de assistir os jogos subsequentes da equipe na Libertadores. E assim o fiz. O time mexicano foi avançando de fase até que chegou à semifinal da competição, e tinha pela frente o tradicional Internacional de Porto Alegre. Talvez a mídia esportiva pudesse analisar de maneira diferente, mas na minha cabeça, o Tigres era o favorito para o confronto, pelo futebol que já apresentara anteriormente.

No jogo de ida, deu Inter no Beira-Rio: 2 x 1. E no jogo de volta, nesta quarta-feira, apareceu o envolvente, bonito e eficiente futebol do Tigres, que eu já tinha sido apresentado há meses atrás. Os 3 x 1 que deram a classificação ao Tigres não demonstram exatamente o que foi o duelo. Um placar mais elástico refletiria melhor o confronto. Talvez uns cinco ou seis a um, tamanha a superioridade dos mexicanos em campo.

A contagem foi aberta com o ótimo centroavante francês Gignac, contratação feita recentemente pelo Tigres, que veio a ser a cereja do bolo. Geferson, em uma falha terrível marcou contra, ampliando, ainda na primeira etapa, a vantagem mexicana.

Veio a segunda etapa e o Tigres mostrava um preparo físico invejável, aliado a uma marcação implacável e um ímpeto ofensivo aplausível. E as chances foram sendo criadas em sequência, enquanto o Inter esbarrava no sistema defensivo adversário e deixava espaços na defesa. Sóbis perdeu a chance de ampliar, desperdiçando uma penalidade, mas pouco depois Arévalo teve a incumbência de cabecear para as redes e tornar mais elástica ainda a vantagem mexicana: 3 x 0.

O Tigres dava uma aula, prática e filosófica de como se praticar futebol. Mesmo em vantagem, a equipe de Ricardo Ferretti não abdicava de atacar, explorando os buracos deixados pelo Inter. Pelo cenário apresentado em campo, o Inter  estava prestes a levar uma daquelas goleadas históricas. Mas acabou que, não só o Tigres não fez mais gols, como o Inter diminuiu o marcador, com Lisandro López, nos minutos finais. Estava o Inter agora a um gol da classificação, que seria uma tragédia para o Tigres, que fazia uma atuação fantástica. O placar não mais foi alterado e o Tigres garantiu a merecida vaga na final da Libertadores 2015.


Como um time mexicano não pode se classificar para o Mundial via Libertadores da América, o River Plate, outro finalista, garantiu presença no Mundial de Clubes, no fim do ano. Nas duas próximas quartas-feiras, Tigres e River Plate decidem o título da Libertadores. O River carrega a tradição, o Tigres carrega o favoritismo.

terça-feira, julho 07, 2015

COM FORTES DOSES DE EMOÇÃO, CHILE BATE ARGENTINA E CONQUISTA TÍTULO INÉDITO

Por Danilo Silveira

E deu Chile. No esperado confronto da final da Copa América, a seleção comandada pelo brilhante Jorge Sampaoli foi superior à Argentina e conseguiu, nos pênaltis, o tão sonhado título. Foi a primeira vez que os chilenos puderam comemorar a conquista de uma Copa América. Se a primeira vez nunca se esquece, imagina da forma que foi: em casa, sobre a poderosa Argentina de Messi, nos pênalti! Emocionante! Épico! Histórico!

Talvez, se no início da competição, me perguntassem qual a final que mais me causaria expectativa de assistir, eu responderia Chile x Argentina. As duas melhores seleções do continente atualmente. Duas equipes que têm no seu ponto forte o ataque, mas que, em minha opinião, na contramão do que muitos falam, são equipes consistentes defensivamente.

Se as duas equipes jogam no ataque, propondo o jogo e com posse de bola, como que seria, então, o confronto entre elas? Não seria possível ter duas bolas em campo, uma para cada um! O Chile foi melhor! Soube melhor atacar e envolver a Argentina. Soube, ainda, diminuir o ímpeto do fantástico ataque argentino.

Messi não teve a atuação que costuma ter, mas mesmo assim, quase decidiu. No último lance do tempo normal, driblou dois chilenos e botou Lavezzi em ótima posição para chutar. O atacante não foi fominha e tentou servir Higuaín, que por questão de centésimos de segundo não chegou com ângulo para fazer o gol, e acabou acertando a rede pelo lado de fora. Vieram as penalidade e Higuaín isolou, enquanto Bravo pegou a cobrança de Banega. Competente, o Chile converteu as quatro cobranças que fez para conseguir a tão sonhada taça. Cabe destacar que a última cobrança teve direito a uma mini cavadinha de Alexis Sanchéz. Frieza e coragem do grande atacante do Arsenal.

A Copa América veio a reforçar algumas análises que eu tinha feito previamente sobre as seleções sul-americanas. Chile e Argentina em ótima fase, com equipes prontas para disputar competições fortes, como a eliminatória para a Copa do Mundo e a própria Copa do Mundo. Um Uruguai enfraquecido, sem apresentar bom futebol. Acho que a volta de Suárez não será suficiente para resolver os problemas da equipe comandada por Tabárez. O Brasil é aquela bagunça que nos acostumamos a ver recentemente.

A decepção ficou por conta da Colômbia, que apresentou futebol aquém daquilo que eu esperava, aquém daquilo que foi visto na última Copa. A surpresa positiva foi o Peru, que mostrou que deve incomodar muito gente nas eliminatórias.


Quanto ao melhor jogador da competição, em minha opinião, foi Lionel Messi. Mesmo atuando abaixo daquilo que costumamos ver, ele é diferenciado dos demais, faz coisas que os outros não fazem. Sobre outros jogadores que se destacaram, podemos citar Sánchez e Valdívia, importantes para o primeiro título do Chile de uma Copa América. No entanto, quero deixar registrado os totais elogios àquele que, para mim, foi o grande personagem dessa competição: Jorge Sampaoli.  Vai se firmando como um dos melhores técnicos do mundo.