quarta-feira, setembro 28, 2016

LEICESTER VENCE PORTO E MANTÉM OS 100% NA LIGA DOS CAMPEÕES

Por Danilo Silveira

Leicester e Porto se enfrentaram no King Power Stadium, na cidade de Leicester, na tarde desta terça-feira, em duelo válido pela Liga dos Campeões. Melhor para os donos da casa, que venceram por 1x0 e seguem 100% na competição, na liderança isolada do grupo G.

No entanto, os 90 minutos que levaram o Leicester a tal condição de líder, não foram dos melhores. Principalmente em se tratando de Liga dos Campeões, onde esse que vos escreve está acostumado a ver jogos de alto nível. 

A primeira boa chance foi do Porto, com André Silva, que recebeu lançamento longo, aproveitou a saída do goleiro Schmeichel e tentou finalizar por cobertura, mas sem sucesso. Talvez tenha sido o momento do jogo em que o Porto conseguiu pegar a defesa do Leicester mais desguarnecida. Outras chances do time português aconteceram, mas não foi por falta de homens de azul defendendo a baliza de Schmeichel.

Aos poucos, o Leicester foi se soltando em campo e ocupando mais o campo de ataque. No entanto, eram poucas as jogadas bem tramadas. O excesso de faltas na partida e a grande quantidade de bolas alçadas na área traduziam um duelo que não era dos mais bem jogados.

Sabe aquela história de que no meio do nada acaba aparecendo tudo? Pois é! Quando o jogo apresentava poucas alternativas ofensivas e haviam indícios de que a ausência de beleza perduraria, veio um dos lances mais belos da partidas. Mahrez recebeu uma virada de jogo na ponta direita, deu um belíssimo cruzamento para Slimani aparecer na pequena área e cabecear bem, vencendo Cassillas para abrir o marcador para o atual campeão inglês.

Se no meio de gigantes o Leicester conseguiu se virar bem na última edição do Campeonato Inglês, no meio de gigantes a equipe de Ranieri mostrou se virar também na Liga dos Campeões. O Porto tentava esboçar uma reação, tentava penetrar no campo de ataque, mas o sistema defensivo do Leicester mostrou estar muito bem, obrigado.

Na segunda etapa, o jogo melhorou em alguma coisa. Não que tenha ficado espetacular, mas ficou um pouco melhor de se assistir. O Porto tentava uma pressão cada vez maior, enquanto o Leicester parecia ter como missão não deixar que essa pressão se tornasse muito aguda, mas sem sofrer riscos!
. Leia-se priorizar o sistema defensivo e só sair para o ataque "na boa".  Como se a equipe soubesse exatamente aquilo que devia fazer para não deixar o Porto empatar e, quem sabe, ampliar o marcador, sendo a primeira das missões a mais importante

Nuno Espirito Santos colocou em campo Hector Herrera, que logo achou um bonito chute de fora da área, para bonita defesa de Schmeichel. Nuno Espírito Santo colocou em campo Jesús Corona, que numa sobra de disputa aérea, emendou de primeira, vendo a bola explodir na trave esquerda de Schmeichel. 

Nem mesmo as mexidas do técnico português, nem mesmo a pressão do Porto que aumentou nos minutos finais e nem mesmo os 4 minutos de acréscimos na segunda etapa foram suficientes para vazar a defesa do Leicester.

Longe de ser brilhante, mas longe de ser um time frágil. Esse é o Leicester, que conquistou a Inglaterra na última temporada e agora busca vôos mais altos.

segunda-feira, agosto 22, 2016

QUE O OURO NÃO FAÇA O BRASILEIRO ESQUECER O QUÃO ATRASADO NOSSO PAÍS ENCONTRA-SE NO FUTEBOL

Por Danilo Silveira
 Confesso que durante os jogos olímpicos do Rio, o futebol não foi o esporte que mais acompanhei. Ainda assim, consegui ver um joguinho ou outro.

O que logo me chamou atenção foi o baixo nível da competição. Obviamente que se dá um desconto pois as equipes jogam com o time todo, ou quase todo, sub-23 (cada seleção pode levar até 3 jogadores acima desta idade). E se no Brasil já se faz um time forte sub-23, imagina quando um dos atletas acima de 23 anos é o Neymar?!

Só que o jogo de estreia mostrou que o Brasil estava longe, mas muito longe de apresentar o futebol que se era esperado de um time que conta com Gabriel Jesus, Neymar, entre outros. Um 0x0 contra uma África do Sul que mostrou-se para lá de frágil.

O Brasil seguiu o seu caminho, empatando com Iraque, vencendo a Dinamarca e a Colômbia, enquanto eu segui meu caminho, assistindo o basquete, o handebol, entre outros esportes, que mais me interessavam do que o futebol, que já assisto demais ao longo do ano. Parava de vez em quando para ver um pedacinho ou outro de algum jogo, e sinceramente, não vi muito coisa que me agradasse. Veio a semifinal e assisti alguns minutos da goleada do Brasil sobre Honduras, que se mostrou um oponente muito frágil.

Viria então a grande final.Viria então a Alemanha (logo a Alemanha). Em pleno no Maracanã, vestido de verde e amarelo. Impossível não relembrar 2014, impossível não pensar nos 7x1. Alguns brasileiros falavam em revanche, algo que me parece surreal, pois o cenário é completamente diferente, a competição é diferente, as equipes são diferentes. Dos 7x1 para cá, pouca coisa parece ter mudado, por sinal. O Brasil continua sem entender futebol e a Alemanha continua mostrando excelência nesse esporte.

Comecei a ver o duelo, e mesmo sabendo da discrepância que há entre a forma de enxergar futebol da Alemanha e do Brasil, o time verde e amarelo soava-me favorito. Parecendo ser um time de melhor qualidade, o Brasil tentava tomar a iniciativa do jogo diante de uma Alemanha, fria, gelada, esbanjando consciência daquilo que fazia dentro de campo. O Brasil parecia esbarrar na sua própria afobação. Aí veio o talento de Neymar, que em uma cobrança de falta espetacular, abriu o marcador.

Talvez pudesse ser o caminho aberto para uma goleada, ou algo do tipo. Mas, do outro lado estava a Alemanha, que em momento algum se desesperou, que não perdeu sua organização. Veio o segundo tempo e com ele, o empate alemão. Após cruzamento da direita, um bonito chute para as redes brasileiras. Um gol que lembrou em alguma coisa um dos sete sofridos pelo Brasil no fatídico 7x1.

Os minutos se passavam e cada vez mais ouvia-se um grande silêncio no Maracanã. Apreensão, medo, nervosismo. O futebol que o Brasil apresentava passava longe de ser o ideal, mas era bem superior do que nos acostumamos a ver com Dunga e Felipão. O time demonstrava organização, e parecia mais perto do segundo gol que a Alemanha. Mas além da defesa alemã, o Brasil precisava superar o próprio nervosismo e afobação, talvez o principal inimigo naquele momento. Nervosismo e afobação que poderia acarretar em mais que a própria não ocorrência do segundo gol brasileiro, mas na ocorrência do segundo gol alemão. Bem, no fim das contas, nem um nem outro. Nem os 30 minutos de prorrogação foram suficientes para que alguma das redes fosse novamente balançadas.

No resumo da obra, o Brasil foi ligeiramente superior a Alemanha. Foi o time que mais buscou o gol, mas não necessariamente o mais organizado. As cobranças de pênaltis escolheriam com quem ficaria o ouro, e a essa altura, estaria merecido para qualquer uma das duas seleções, analisando-se os 120 minutos anteriores.

Veio então a defesa de Wéverton, na única cobrança desperdiçada. Veio em seguida o encontro do chute de Neymar com as redes. Veio então o tão sonhado ouro para a seleção brasileira de futebol.

Ouro esse que veio de uma tamanha desorganização. Até alguns meses antes, Dunga seria o comandante da seleção nos jogos olímpicos, o que prova que o Brasil pouco evoluiu dos 7x1 para cá. Sorte daqueles que sonhavam com esse ouro, que apareceu Rogerio Micale no caminho. Se ele é bom ou mau técnico, sinceramente não tenho embasamento para dizer. Mas, pelo pouco que conheço do seu trabalho, parece se tratar de um técnico melhor que Dunga e Felipão, o que vamos combinar, não é tarefa tão difícil.

Esse ouro olímpico deveria servir para o Brasil começar a trilhar uma novo caminho para a sua seleção neste esporte, mas sinceramente, conhecendo as coisas por aqui, a tendência é piorar ainda mais. Vai ter gente achando que o Brasil voltou a ser o número um, que o Brasil está um grande maravilha no futebol e que daqui para frente é só alegria. Complicado! Até porque, estamos em sexto nas eliminatórias para a próxima Copa do Mundo (fora da zona de classificação). Além do mais, trocamos um pseudo-técnico (Dunga) por um técnico que tem seu estilo de jogo não muito condizente com o que deve-se esperar do futebol apresentado pela Seleção Brasileira, o tal do futebol-arte. Tite é melhor que Dunga, melhor que Felipão e melhor que Mano? Sim, óbvio! Mas isso não faz dele o técnico ideal para dirigir a Seleção Brasileira de futebol.

Que a mídia e a população cooperem, que não me venham com o discurso de "o campeão voltou", "O Brasil voltou a ser respeitado" "Vingamos o 7x1" "Assim que queremos ver nossa seleção daqui para frente.", pois esse tipo de discurso em nada ajuda, apenas atrapalha. Que tenhamos a consciência e o discernimento necessários para entender o futebol, para enxergar que estamos atrasados em quilômetros em relação a outros países. Entender que antes de pensar em não fazer feio mais uma vez na próxima Copa do Mundo, temos que melhorar muito para ganhar o direito de participar da próxima Copa do Mundo.

Caso contrário, esse ouro vai ser apenas um pontinho de alegria para a população no meio do caos.


sábado, julho 02, 2016

A RAZÃO ALEMÃ VENCEU A MÍSTICA ITALIANA: PARA O BEM DO FUTEBOL.

Por Danilo Silveira


De um lado a razão, que nos levava a crer que a Alemanha, um dos melhores times de futebol da atualidade, venceria a Itália, de nível bem inferior. Do outro lado, a fé, a mística e os poderes contrários à razão, que faziam muitos acreditarem na tal história que, mesmo com um time inferior, a Itália “sempre chega”, por ter tradição, pelo fato da camisa pesar.

Confesso que no futebol, entre a razão e a fé, costumo ficar do lado da razão, porque é algo mensurável, que os olhos enxergam. Se um time é muito melhor que o outro, é favorito, certo? Mas confesso ainda que respeito, porém sem admiração, a Itália e sua tradição de conseguir resultados acima do que o nível de seu futebol indica.

O intervalo chegou com o lado da fé em melhor situação que o lado da razão. Mais precisamente, a Alemanha não conseguiu criar muitas oportunidades de gol, desenvolveu seu futebol de forma inferior ao habitual e a Itália conseguiu truncar o jogo e manter o 0x0.

Veio, então, aos 19 minutos da segunda etapa, aquele balde de água fria na fé e na mística italiana. Após jogada e cruzamento da ponta esquerda, Ozil apareceu na área para finalizar e anotar o seu primeiro gol nesta edição da Eurocopa (contra a Eslováquia ele havia perdido uma penalidade). Por sinal, era o primeiro gol sofrido por Buffon nesta Euro.

Era um passo enorme, gigantesco, para a razão se sobrepor à mística italiana. Aquele pensamento de “A Alemanha realmente é muito melhor. A Itália até equilibrou o jogo, mas tava na cara que não iria suportar até o fim” começava a ganhar força.

Os adeptos da razão começaram a ver de perto a sua tese de que a Alemanha é superior e irá vencer cada vez mais perto. A Itália se desestruturou, se perdeu em campo, e em contraste, a Alemanha passou a ser a Alemanha a qual estamos acostumados: a que ocupa o campo ofensivo, encurrala o adversário e cria muitas situações ofensivas. Em uma delas, Mario Gómez só não anotou um golaço porque Buffon fez uma linda defesa para uma bela finalização de calcanhar. O fato era que o segundo gol alemão parecia questão de tempo.

Foi portanto aos 32 minutos, que após cruzamento da direita, a bola tocou no braço de Boateng: pênalti para a Itália. Detalhe que o zagueiro alemão parece ter aberto o braço justamente para não se apoiar no seu adversário e correr o risco de fazer uma penalidade. Ironia do destino. Bonucci bateu, converteu e colocou a discussão fé x razão em total evidência no duelo. Lá estava a Itália, aparentemente morta no jogo, a alguns minutos de conseguir levar para prorrogação o duelo contra a campeã mundial, detentora de um futebol exemplar. Os minutos se passaram e o apito de Viktor Kassai decretou que teríamos sim, a tal da prorrogação.

Lá foi a Itália, com peso na camisa de sobra e futebol em falta, jogar a prorrogação. Pior que não conseguir atacar, é não tentar. A Itália abdicou do jogo ofensivo, voltou seu futebol 99% para a parte defensiva, esperando que no 1% de jogo focado no ataque, viesse do céu de Roma, um gol salvador na cidade de Bordeaux. E o gol não veio do céu da capital italiana, mas também não veio do céu de Berlim. Viriam, portanto, os pênaltis.

Buffon de um lado, Neuer do outro. Já não parecia tão irracional assim a Itália passar. A mística italiana já tinha atuado em solo francês. Vencer Bélgica, Espanha e levar o duelo diante da Alemanha para a prorrogação já parecia um cenário divino. Zaza e Pelle perderam do lado italiano, e Ozil desperdiçou pelo lado alemão. Cabia a Schweinteiger a incumbência de chutar às redes e levar a Alemanha à semifinal. Naquele momento, parecia essa a lógica, o desfecho racional de um duelo já desenvolvido até então, um pouco distante das vias racionais. Pois,Schweinteiger isolou! A mística italiana apareceu de novo!

Lembrem-se, “sempre que a Itália parece morta, ela está mais viva do que nunca.” Frase irracional, incoerente, linguisticamente conflitante, que aproxima os opostos de maneira incabível à lógica. Caros, futebol não tem lógica.  Já se confundiam em campo a fé e a razão. Já parecia mais racional a Itália vencer as penalidades, depois de ter revertido cenários adversos. Já parecia que não daria para a Alemanha. Veio a série alternada, a Itália converteu três penalidades seguidas, assim como a Alemanha. A Itália cobrou primeiro, isto é, a Alemanha cobrou três penalidades com a obrigação de converter, caso quisesse continuar na Eurocopa. E  ela cumpriu a missão. Até que Darmian, na décima sétima cobrança da disputa, sendo a nona italiana, viu seu chute ser bloqueado por Neuer. Veio Hector com a incumbência de converter e colocar a Alemanha na semifinal. Batida na esquerda de Buffon, que acertou o canto, mas viu a mística italiana passar centímetros abaixo do seu corpo e morrer no fundo das redes.


Com todo o respeito que tenho à mística e ao peso da camisa italiana: ter a Alemanha na semifinal é muito mais encantador e legal para os amantes do bom futebol, do que ter uma Itália que precisar urgentemente repensar seu estilo de peso, ao invés de acreditar que a mística sempre será superior ao futebol.