quinta-feira, maio 18, 2017

DESCULPEM O TRANSTORNO, PRECISO FALAR DA LIBERTADORES!

Por Danilo Silveira

30 do segundo tempo. Dois jogos distintos, em dois países distintos, quatro times em questão...Ambos os jogos 1x0 e um dos times em questão só é eliminado da competição se os dois times que estão perdendo vencerem, ou seja, se duas viradas no placar ocorrerem em aproximadamente 20 minutos. Ocorrem as duas viradas! Um jogo termina 3x2, o outro 2x1. O tal time citado foi um dos que sofreu a virada e está eliminado da competição. 

O time eliminado é o Flamengo, o torneio é a Libertadores, o esporte é o futebol!

A relação recente na história entre o primeiro e o segundo não se explica...o terceiro se explica menos ainda. 

O pé esquerdo de Victor, o gol de cabeça de Washington, as defesas de Cevallos, o escorregão de Salgueiro, o dia em que Cabañas calou o Maracanã, o pé direito do Diego Souza, a ponta da luva da mão esquerda de Cássio, o apagão no Horto que precedeu o gol de Guilherme, as frases do Renato Gaúcho, o spray de pimenta que decidiu um confronto, o time de Verón calando o Mineirão, Tite no meio da Fiel com o jogo rolando. 

O futebol transcende a lógica. O futebol é apaixonante. Talvez ele só seja apaixonante porque transcende a lógica. Podemos ainda dizer que a Libertadores é o torneio que transcende a lógica ao quadrado.

Libertadores e futebol são palavras que unidas tornam o impossível mais do que provável, o irreal algo existente e o que é lógico pra lá de confuso. E no meio dessa confusão toda, pior para o Flamengo!



segunda-feira, maio 01, 2017

ZÉ RICARDO DESPONTA COMO UM DOS MELHORES TÉCNICOS DO BRASIL

Por Danilo Silveira

Fosse o futebol analisado pelo que o time produz e não pela quantidade de títulos e vitórias que a equipe possui, Zé Ricardo já teria status de gênio e esse Flamengo seria considerado um dos melhores da história. Talvez este que vos escreve tenha enlouquecido ou esteja passando por um surto! Não, não! Não é nada disso! Acompanho o Flamengo jogar há mais ou menos 15 anos e não me recordo de nenhum período onde o time tenha jogado um futebol tão bonito de se ver durante tanto tempo. Foram quatro meses com Luxemburgo, foram alguns jogos com Cristovão, foram mais alguns jogos com Jayme de Almeida, mas nada se compara ao Flamengo do Zé Ricardo. Belo, encantador, de encher os olhos.

Dizia eu em 2008 que Cuca era o melhor treinador do país. Digo eu em 2017 que Cuca é o melhor treinador do país. Em 2008 era loucura da minha cabeça, pois Cuca era um perdedor que na hora H "tremia". Em 2017 é algo discutível, por muitos aceito como verdade. Sabe o porquê disso tudo? Porque o brasileiro não vê futebol, na verdade o brasileiro gosta muito menos de futebol do que falam por aí. O brasileiro enxerga o resultado numérico da partida, muitas vezes abrindo mão de analisar os detalhes, as táticas e estratégias adotadas pelos treinadores e jogadores ao longo dos 90 minutos. Entre 2008 e 2017 Cuca venceu alguns estaduais, uma Libertadores e um campeonato brasileiro. Por isso hoje ele "mudou de patamar". Pra mim, o treinador muda de patamar pelo que o time apresenta, não pela quantidade de títulos que ele conquista. E no futebol, jogar bem e ganhar muitas vezes são inversamente proporcionais. Não é mesmo, José Mourinho? Não é mesmo, Arsene Wenger?

Até agora, os resultados numéricos do Flamengo são muito bons, mas ainda assim, são bem abaixo daquilo que o time produz dentro de campo. A vitória magra, por 1x0 sobre o Fluminense, de certa forma não reflete o que foi o jogo. O Flamengo jogou bola suficiente para aplicar uma goleada em seu rival. Assim como o Rubro-Negro da Gávea jogou melhor que seus adversários nas duas únicas derrotas no ano em jogos válidos (Universidad Católica e Atlético-PR).

Talvez a torcida rubro-negra ainda não tenha se dado conta de uma coisa: o esquema de jogo de Flamengo supera o talento individual. Isso significa que as boas atuações e o equilíbrio da equipe acontecem muito mais por conta do excepcional trabalho exercido por Zé Ricardo do que propriamente pelas peças que estão em campo. Não que o time seja ruim em talento individual, longe disso. Mas sem dúvida o jogador sobe muito de produção quando o treinador é bom. Pará, Rafael Vaz, Márcio Araújo são três exemplos de jogadores outrora tachados de jogadores ruins, que poderiam ir embora do Flamengo, que hoje são titulares e estão jogando bem. Destaque acentuado para Márcio Araújo, um dos melhores jogadores do time neste ano. 

Nesse panorama, Ederson, Diego e Conca estão sem condições de jogo (três meias que seriam titulares na maioria dos times do Brasil) e o Flamengo sente pouco a falta deles, porque mudam as peças, mas o esquema fica. O Flamengo joga bem com dois volantes, mas também joga bem com três volantes. O Flamengo rende com Trauco de lateral-esquerdo, mas o Flamengo rende com Trauco de ponta esquerda. Sai Rômulo, entra Mancuelo, o time continua jogando bem. É 80% mérito do Zé Ricardo. 

Na verdade, o Flamengo é detentor de uma estrutura tática fantástica, onde os jogadores circulam no campo em diferentes posições, sem comprometer a organização da equipe. Guerrero sai da área para o meio-campo, depois do meio-campo para a ponta esquerda. Rafael Vaz vira ponta-esquerda. Arão e Mancuello flutuam pelo meio-campo todo. Trauco sai da lateral para o meio-campo. Uma bagunça das mais bem organizadas.

Há treinadores tachados de ofensivos, outros tachados de defensivos. Muitas vezes, o time do treinador ofensivo é desequilibrado na defesa, sofrendo muitos gols, assim como o time do treinador defensivo tem dificuldade de criar chances de gol, muitas vezes jogando "por uma bola", O Flamengo do Zé Ricardo não possui nenhuma das deficiências citadas acima. O time cria chance de gol atrás de chance de gol, ao mesmo tempo que o time marca de maneira implacável, sendo uma difícil tarefa penetrar na defesa rubro-negra. Isso passa muito por dois aspectos que o time do Flamengo hoje faz com maestria. Transição defesa-ataque e transição ataque-defesa (muitos chamam de recomposição).

Se Zé Ricardo terá muitos títulos na carreira eu não sei. Se vai levar o Flamengo ao título estadual, ao título da Libertadores ou aos dois, também não sei. Só sei que fazia muito tempo que não via surgir um treinador tão qualificado em solo brasileiro. 
 

quinta-feira, abril 20, 2017

FLUMINENSE ACORDA NO SEGUNDO TEMPO, VENCE GOIÁS E SE CLASSIFICA NA COPA DO BRASIL

Por Danilo Silveira

Enxergo dois fatos como determinantes para o desenrolar do duelo entre Fluminense x Goiás: um no início do primeiro tempo, outro nos minutos iniciais da segunda etapa.

O pênalti perdido pelo equatoriano Sornoza, logo aos 8 minutos de jogo, parece ter afetado a qualidade do futebol apresentado pelo time do Fluminense até o intervalo. Muita posse de bola, pouca efetividade. Muitos homens no campo de ataque, poucas chances de gol criadas. Enquanto isso, o Goiás mantinha uma postura mais defensiva que ofensiva. A velha e costumeira tática de "se fechar e sair no contra-ataque". Se fechar até que o time conseguiu com qualidade, agora os contra-ataques foram escassos. Com tudo isso em questão, podemos dizer que os 45 minutos iniciais form ruins.

O gol de cabeça marcado por Henrique, após cruzamento de Calazans da esquerda, aos 13 minutos da etapa complementar, fez muito bem ao Fluminense. A equipe carioca, vendo agora o placar a seu favor (o jogo de ida foi 2x1 para o time goiano) se soltou na partida. O time engessado da primeira etapa deu lugar a uma equipe com muito mais desenvoltura. As ações começaram a acontecer com mais naturalidade, o jogo começou a fluir mais fácil e o 2x0 parecia perto. E realmente estava. Aos 16, Nogueira aproveitou escanteio cobrado da esquerda e cabeceou para as redes.

O Goiás sentiu o golpe. O time parecia mais preparado para não sofrer do que para marcar gols. Sofreu dois em cinco minutos e se viu obrigado a marcar um para levar para pênaltis, sem sofrer mais nenhum. Aos 25 minutos, as coisas se tornaram ainda mais difíceis. Tony perdeu a cabeça, agrediu Wellington Siva e acabou expulso.

Talvez seja um pouco incoerente, mas o Goiás parece ter melhorado com um a menos. Parece ter batido aquele pensamento "já está quase tudo perdido, vamos para o tudo ou nada". Assim, a equipe goiana se lançou ao ataque e começou a levar certo perigo, rondando a área do Fluminense. O time carioca, por sua vez, parece de certa forma ter se acomodado, diminuído o ritmo. Esse panorama não durou muito tempo. Aos 35, em contra-ataque que pegou a defesa goiana totalmente exposta, Pedro deu números finais ao jogo: 3x0. Festa nas arquibancadas do Maracanã e classificação assegurada para as oitavas de final da Copa do Brasil.