quinta-feira, novembro 27, 2014

GALO FORTE, VINGADOR E CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL 2014.

Por Danilo Silveira



Deu Galo!!! No jogo mais esperado nesse fim de ano em solo nacional, o Atlético/MG, com todos os méritos, derrotou o Cruzeiro por 1 x 0 e sagrou-se campeão da Copa do Brasil.

A vantagem de 2 x 0 do jogo de ida não foi suficientemente forte para frear o ímpeto ofensivo e fazer o Galo cair na armadilha da retranca. Jogou como se espera que jogue um clube da grandeza do Clube Atlético Mineiro. Um clube que teve a honra de ser dirigido entre 2011 e 2013 por Cuca, que montou uma máquina e colocou o Galo no topo da América. Um clube que acertou ao trazer Levir Culpi e ganhou como prêmio, não só o título da Copa do Brasil, mas o retorno de um futebol que chama atenção pela intensidade e pela vocação ofensiva.

Era o Galo o adversário ideal para usurpar do Cruzeiro a tríplice coroa. Dito e feito. Fato esse que não diminui o brilho e a capacidade desse time cruzeirense, comandado pelo excelente Marcelo Oliveira. Bicampeão brasileiro, o time joga o futebol que mais encanta no país. Raro de se ver em solo brasileiro uma equipe com tamanha qualidade quanto essa montada por Marcelo Oliveira.

O mando de campo cruzeirense no duelo final, apontava para uma carga de ingressos reduzida para o torcedor do Galo. A saída para aqueles atleticanos apaixonados, que queriam estar em um estádio para assistir à final, foi invadir o Independência. Mesmo que lá não houvesse bola rolando, lá havia o torcedor, gritando e empurrando o time. Por mais que não ouvisse os gritos de incentivo, era como se cada um dos 11 jogadores que vestiam preto e branco no gramado do Mineirão, sentissem a vibração e a pulsação vinda do Horto. Aquela história de colocar o coração na ponta da chuteira, sabe?

Feliz é o Estado de Minas Gerais, agraciado com Cruzeiro e Atlético/MG praticando aquilo que de melhor eu tenho visto no futebol brasileiro.

quinta-feira, outubro 30, 2014

QUANDO A SEDE POR VITÓRIAS SE SOBREPÕE A BELEZA DO JOGO PROPOSTO.

Por Danilo Silveira



Marca, Combate, Marca, Combate...quando tem a posse de bola a inspiração é muita pouca e sucumbe à correria. Corre, corre, corre, falta lucidez, falta toque de bola qualificado. Jogando em casa, três volantes são escalados. Futebol feio, pragmático, pouco admirável. Agora, possui uma vontade incrível, um empenho impressionante, o tal “sangue nos olhos” parece imperar nos onze que tem por incumbência vencer o oponente dentro das quatro linhas.

Os noventa minutos que separam o apito inicial e o apito final são de muito mais transpiração que inspiração. Se para alguns, o objetivo é fazer com que a inspiração ofensiva vença a marcação adversária, para Vanderlei Luxemburgo o objetivo é inverso: é fazer com que a sua marcação impeça que a inspiração adversária evolua dentro do gramado. O tal do “joga e deixa jogar” é substituído pelo “não deixo jogar e jogo na base da correria, não da inspiração”. Vence e convence a massa rubro-negra, carente de bom futebol apresentado pelos seus times recentes, que esse é o melhor método para se dirigir uma equipe de futebol.

Por lógica, deveria o Flamengo esbarrar, parar, nos melhores times do Brasil. Mas a lógica do futebol se diferencia da lógica das demais áreas da vida. E a lógica rubro-negra venceu Cruzeiro, Atlético/MG (duas vezes) e Internacional. O rubro-negro fanático, apaixonado, louco pelo seu time do coração, senta à frente da televisão ou nas cadeiras do Novo Maracanã, não para ver o time jogar bem, apresentar-se de forma brilhante; ele senta para ver o time ganhar, e mais nada. Se perder, sai reclamando da qualidade do time, se ganhar, sai comemorando, sem exercer qualquer comentário em relação à qualidade do futebol apresentado.

E a magia rubro-negra, espalhada por cada metro quadrado do Maracanã, é capaz de tornar o improvável, real. Um contra-ataque, onde há dois rubro-negros contra cinco alvinegros, transforma-se em penalidade máxima. Gabriel driblou dois adversários e foi derrubado pelo terceiro. Chicão estufou as redes: 2 x 0! E lá vai o Flamengo para Minas Gerais, carente por bom futebol, sedento pelo título. Carente de um treinador que preza pela beleza do futebol apresentado, mas que tem seu nome gritado pela massa, que pouco tem se importado com qualidade do futebol apresentado, se apegando ao resultado o qual o jogo acaba.

Quando se fala em futebol, em torcida, fica muito difícil separar a razão da emoção. E talvez seja mesmo melhor para o torcedor rubro-negro, deixar se levar pela emoção. Porque pela razão, fica muito difícil concordar com Vanderlei Luxemburgo à beira do campo, vestindo vermelho e preto. Fica difícil concordar que o Flamengo entre para um jogo no Maracanã com três volantes e termine esse mesmo jogo com quatro volantes, atuando igual um time pequeno, enquanto o adversário possui somente um volante entre os onze que em campo estão.

Talvez seja difícil analisar de forma fria quando se está no meio de uma competição. A sede pela vitória tem muitas vezes como resultado a não preocupação com a qualidade do jogo proposto. Isso eu já estou mais do que acostumado a ver. Aliás, não precisamos remeter a histórias muito antigas. Basta ver o desempenho da Seleção Brasileira na última Copa do Mundo. Os rostos pintados de verde e amarelo, as bandeiras tremulando país afora e o sentimento dito nacionalista, contrastavam com uma equipe bisonha dentro de campo, abaixo da linha do aceitável. O Mineirão veio a ser o placo que devolveu aos brasileiros a consciência de que aquele time estava muito, mas muito aquém do que se imaginava: SETE A UM! E que o trabalho estava sendo desenvolvido de uma maneira equivocada, contribuindo e compactuando para o retrocesso do futebol brasileiro.


O mesmo Mineirão onde o Flamengo enfrentará, na próxima quarta-feira, o Atlético/MG, buscando garantir vaga na final da Copa do Brasil.

terça-feira, outubro 28, 2014

SANTA CRUZ GOLEIA VILA NOVA E VÊ SONHO DO ACESSO MAIS PRÓXIMO.

Por Danilo Silveira


Tendo disputado um jogo a menos que os demais concorrentes na Série B, Santa Cruz e Vila Nova duelaram nesta terça-feira, na Arena Pernambuco. E foi uma bela atuação dos donos da casa, que conseguiram uma goleada por 5 x 1, chegando à quinta colocação, colando no G-4.
O jogo começou feio, com muitas faltas e muito perde-ganha de posse de bola. Aos poucos, o Santa Cruz foi dominando o confronto e mostrando mais equilíbrio e qualidade para dominar o oponente. E a superioridade transformou-se em vantagem no marcador aos 34 minutos, quando o zagueiro Renan Fonseca apareceu na área para completar, de cabeça, cobrança de falta que veio da ponta esquerda. Foi o estímulo que faltava para o Santa Cruz oferecer como resposta ao seu torcedor um futebol leve, solto e ofensivo. Três minutos mais tarde, Danilo Pires apareceu pela direita da grande área, soltou a bomba e contou com desvio na marcação para ampliar. E ainda tinha mais na primeira etapa! Em cobrança de pênalti, Léo Gamalho fez o terceiro. Em sete minutos, o Santa Cruz conseguiu uma margem excepcional no placar.

Logo nos minutos iniciais da segunda etapa, ficou visível que o Vila Nova jogaria tentando executar uma marcação sob pressão. E a estratégia rendeu o primeiro e único gol da equipe goiana: Leonardo recebeu de Paulinho e bateu firme, no canto esquerdo de Tiago Cardoso. Porém, antes mesmo que o torcedor do Santa pudesse se preocupar com a redução no marcador, Keno foi derrubado na área e o Santa teve novo pênalti a seu favor. Léo Gamalho  balançou as redes pela segunda vez. Na confusão após a marcação do pênalti, Jheimy acabou expulso, complicando ainda mais a vida do Vila Nova. O gol que fechou a goleada saiu aos 17 minutos, quando Keno completou para as redes um cruzamento da direita.

Nos instantes finais do jogo, a cena foi roubada por quem não começou o jogo dentro das quatro linhas. A torcida pediu e o técnico Oliveira Canindé atendeu: Flávio Caça-Rato foi para o jogo, na vaga de Léo Gamalho. Fato inusitado e curioso aconteceu quando o massagista do Santa, Catatau, saiu da área técnica em seu famoso “tiro”, rumando a linha de fundo, onde os jogadores do Santa aqueciam. Ele objetivava chamar Flávio Caça-Rato para entrar no jogo, só que o mesmo se encontrava no banco de reservas.  E antes do apito final, ainda deu tempo para o Vila Nova perder Radamés, expulso de forma direta, por cometer falta em Alemão. Com o revés, o Vila Nova segue com26 pontos, doze a menos que o Oeste, primeiro time fora da zona do rebaixamento.

No próximo sábado, o Santa recebe o América/RN, podendo ampliar para oito o número de jogos sem perder. Uma vitória, combinada a outros resultados, pode significar a entrada da equipe no G-4