quinta-feira, junho 23, 2016

EUROCOPA 2016: ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE A PRIMEIRA FASE

Por Danilo Silveira

Confesso que não assisti a todos os 36 jogos da Eurocopa. Nem perto disso! Ainda assim, posso dizer que acompanhei bastante coisa. No total, foram 15 jogos assistidos integralmente, e dos outros 21, muitos acompanhei boa parte. Enfim, vamos aos comentários dessa primeira fase:

A seleção que mais me encantou foi a espanhola. Aliás, a que mais me encanta desde 2010. Talvez há seis anos atrás fosse ainda mais forte, pois tinha Xavi e Villa, ambos em excelente forma. Mas, mesmo sem os dois, que foram peças fundamentais na conquista da Copa do Mundo, aquela Espanha ainda vive. Ainda vive em seus conceitos, em beleza, magia e arte de praticar futebol. Vive e está vivíssima, buscando o terceiro título consecutivo de uma Eurocopa.  Sim! A Espanha é a atual bicampeã da competição.

Não há como não falar da Alemanha. A seleção comandada por Joachim Low parece seguir firme seu belo futebol, envolvente, que impõe a sua superioridade, com posse de bola e ocupação do campo ofensivo. Talvez seja, ao lado da Espanha, a grande favorita. Por sinal, Espanha e Alemanha, caso avencem às quartas, se enfrentam.

Cometi eu o crime de acompanhar poucos minutos a Bélgica em ação nessa Euro: os 45 minutos finais contra a Irlanda e alguns minutos da primeira etapa contra a Itália. Mas foi suficiente para ver que a Bélgica que encantou na Copa de 2014 segue viva, segue forte. Forte o suficiente para ser colocada como uma das seleções bem cotadas ao título.

Impossível não citar a Croácia. Com Modric e Rakitic no meio-campo, a seleção vem fazendo ótima Eurocopa. Teve duas grandes atuações nos dois primeiros jogos, vencendo a Turquia e deixando a vitória contra a República Tcheca escapar nos acréscimos. Na última rodada, veio então um resultado que eu, sinceramente, não esperava: vitória sobre a Espanha. Assisti o primeiro tempo do jogo praticamente todo (não acompanhei nada da segunda etapa) e mesmo achando a Espanha bem superior, gostei da postura da seleção croata, de tentar e conseguir causar desconforto ao sistema defensivo espanhol, que devido ao esquema de jogo implementado passa muitos jogos praticamente sem ser incomodado.

Assisti mais da metade do tempo em que a Inglaterra esteve atuando e, sinceramente, não diria que foi algo muito ruim. Mas, acho que com material à disposição, a equipe poderia render bem mais. O futebol apresentado parece pouco para ir longe. Quanto à Itália, assisti ao duelo contra a Suécia e um pedaço contra a Bélgica. Não curti muito não! Parece aquela velha história da Itália, que todo mundo dá como morta, mas que mesmo sem encantar consegue ir longe. Sinceramente, esse rótulo não me parece dos mais agradáveis.


Sabe aquela seleção com menor tradição que acaba surpreendendo? Pois é! Nessa Eurocopa trata-se da Hungria. Um time pra lá de consciente, detentor de um toque de bola mais bonito que muita seleção de maior tradição. Seleção essa que avançou de forma invicta, quase eliminando Portugal, num empolgante 3x3, onde teve à frente do marcador três vezes. Pega a Bélgica nas oitavas, em um duelo que promete ser um dos melhores dessa fase da competição.

domingo, maio 08, 2016

COM NENÊ E MURICY COMO HERÓIS, VASCO CONQUISTA O ESTADUAL 2016, QUE ESCANCAROU A FRAGILIDADE ATUAL DO FUTEBOL CARIOCA

Por Danilo Silveira

Se em 2015 o herói do título estadual do Vasco foi Vanderlei Luxemburgo, que com um Flamengo muito superior em termos de talento em mãos, não conseguiu dar minimamente um padrão tático ao Rubro-Ngero e acabou eliminado pelo cruzmaltino, em 2016 a dupla Nenê-Muricy Ramalho foi a grande responsável pelo bicampeonato do Gigante da Colina. O primeiro conseguiu a proeza de não conseguir fazer jogar de forma minimamente organizada, um dos melhores elencos recentes da história do Flamengo, enquanto o segundo foi líder e referência técnica do Vasco dentro das quatro linhas.

Muricy Ramalho conseguiu superar a incompetência de Luxemburgo em 2015. O elenco Rubro-Negro desse ano é superior ao de 2015, enquanto o do Vasco em 2016 é inferior ao Vasco de 2015, que tinha Dagoberto e Gilberto.

E quando o assunto é o Cariocão 2016, difícil é achar coisa boa para se comentar. Além de Muricy Ramalho, temos outras coisas constatadas, que não agregam positividade para o futebol bem jogado. Talvez a partida derradeira tenha sido o reflexo de todo o campeonato. Vasco e Botafogo fizeram um duelo horroroso, abaixo da linha do patético, que não merecia ser final nem de campeonato de pelada, quanto mais de um campeonato estadual, o que escancara ainda mais o péssimo trabalho de Muricy na Gávea.

Para quem não teve a oportunidade de assistir ao jogo, aconselho a NÃO ver o VT, pois seria um total desperdício de tempo, pois o futebol jogado foi muito pouco. Aliás, literalmente. Quando estávamos nos acréscimos, a Rede Globo mostrou a estatística de bola em jogo, que apontava 48% de bola rolando e 52% de bola parada. Isso mesmo! A bola ficou mais tempo parada que em jogo. A Fifa recomenda que o jogo tenha em média 2/3 do tempo de bola rolando. Talvez, a bola tenha rolado tão pouco pela quantidade abusiva e desrespeitosa de faltas, que extrapolou  limite do número 50. Uma delas, que curiosamente foi mal marcada pelo árbitro, acabou sendo alçada na área por Nenê e cabeceada para o fundo das redes pelo zagueiro Rafael Vaz. O gol do título cruzmaltino.

Aliás, podemos destacar que o Botafogo foi superior na maior parte do confronto disputado, apesar de não ter levantado o caneco. Talvez Ricardo Gomes seja um dos poucos personagens do Cariocão que mereça algum tipo de elogio. Talvez seja ele a peça mais importante que o Botafogo precise manter para a disputa do Brasileirão, campeonato onde parece ter como principal objetivo, fugir do rebaixamento.

Lembro-me que em 2015, quando o Vasco foi campeão, escrevi nessa página que não ser rebaixado no Brasileirão era grande negócio para o cruzmaltino. Parecia loucura dizer isso de um time recém-campeão, mas o fato é que o Vasco acabou caindo. Pois dessa vez, digo que a tendência é o Vasco retornar para a Primeira Divisão sem maiores sustos. Mas digo também que Jorginho passa longe de representar aquilo que penso sobre futebol, e que seu trabalho no Vasco não é dos melhores.

No entanto, em Terra de Muricy, quem tem Jorginho é rei!

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

BARCELONA VENCE ARSENAL EM BELO JOGO DE FUTEBOL

Por Danilo Silveira

Arsenal e Barcelona fizeram na última terça-feira o que deles se esperam: um belo jogo de futebol. Foram agraciados com tal evento aqueles que estiveram presentes no estádio Emirates, assim como aqueles que, como este que vos escreve, assistiram na televisão.

Era o sistema defensivo dos Gunners dos mais consistentes dos últimos anos no clube, contra o melhor ataque do mundo na atualidade. Era a paciência do Barcelona para furar uma marcação que era executada de maneira espetacular contrastando com o poder do time londrino em contra atacar em velocidade de maneira constante no jogo. Era o chute de Chamberlain que The Stegen salvou sentado no chão contra o chute de Neymar que parou no gigante Peter Cech. Era um jogo de futebol...na mais pura essência.

E quando se fala em jogo de futebol se trabalha com sorte, azar, erros e acertos. Erro de Suárez ao desperdiçar uma cabeçada livre, de frente para o gol...acerto de Giroud, ao também de cabeça, fazer a bola rumar para as redes, mas acerto maior ainda de The Stegen, que fez essa mesma bola trilhar outro caminho frações de segundos antes da mesma cruzar a linha final.

 Azar do Arsenal em ver no seu adversário um trio MSN...N de Neymar, que puxou um contra-ataque ainda no canto de defesa, S de Suárez, com quem Neymar tabelou antes de arrancar pelo campo ofensivo em direção ao gol...M de Messi, o melhor jogador do mundo, que recebeu o passe de Neymar e teve a calma para dominar e estufar as redes londrinas. Sorte de quem assiste o futebol praticado por esse Barcelona.

Arsene Wenger, o fantástico treinador do Arsenal, disse antes do duelo algo parecido com “o Barcelona é perigoso mesmo quando está sendo dominado”. Pois é. O parágrafo acima descreve de forma breve o primeiro gol do jogo, que aconteceu pouco depois do relógio cruzar a marca dos 20 minutos do segundo tempo. O Arsenal parecia ter o controle territorial da jogada, parecia que retomaria a bola em questões de segundos...Mas no futebol, nem sempre o que parece que vai acontecer, acontece...O Barcelona foi fatal! O mesmo Barcelona que venceu Real Madrid, Bayern, Juventus...faltava o Arsenal. Não falta mais!


Ainda teve tempo para Messi cobrar um pênalti no canto contrário de Peter Cech, para fazer 2x0 e tornar a classificação do Arsenal ainda mais improvável. Se quis o destino que um desses dois times deixasse a competição nas oitavas-de-final, de forma tão precoce para o que ambos podem render, que para compensar ele nos agracie com mais um grande jogo de futebol na segunda metade do confronto, no Camp Nou. O futebol agradece.