quarta-feira, julho 01, 2015

EM DIA DE MESSI GARÇOM, ARGENTINA GOLEIA PARAGUAI E VAI À FINAL

Por Danilo Silveira

A Argentina veio evoluindo cada vez mais o seu futebol durante a Copa América. Na primeira fase, a equipe fez bons jogos, mas ainda não havia encontrado seu melhor futebol. Contra a Colômbia, nas quartas-de-final, uma notória evolução. E agora, diante do Paraguai, na semifinal, uma belíssima atuação, sob comando de Lionel Messi, em noite de garçom. Goleada por 6 x 1 e vaga na final garantida em grande estilo.

Se em jogos anteriores a Argentina criou chances atrás de chances, mas a bola cismou em não entrar, contra o Paraguai teve gol para todo lado. Incrivelmente, dos seis gols, nenhum foi anotado por Messi. Só que, também incrivelmente, o craque argentino teve participação em todos os gols, em três deles, dando assistência direta. Messi fez sua melhor partida na Copa América, foi o melhor em campo e está a um jogo de conquistar o seu primeiro título como profissional defendendo a sua seleção. Acredito que ele ainda tem boas chances de ser eleito o craque da competição.

O futebol é um esporte capaz de, em suas entrelinhas, ensinar, trazer lições. E se os 7 x 1 para a Alemanha na Copa do Mundo não foram suficientes para a CBF, Dunga e companhia aprenderem alguma coisa, vai mais uma oportunidade na Copa América. A Argentina fez 1 x0, fez 2 x 0, viu o Paraguai se lançar todo ao ataque e até diminuir o marcador. Poderia, assim como o Brasil fez diante do mesmo Paraguai, se retrancar, priorizar a defesa e praticamente abdicar de atacar, esperando o apito final. Só que não. A Argentina encontra-se quilômetros na frente do Brasil em termos de futebol.Digo de filosofia de futebol, proposta de jogo, estratégia. Liderada por Messi, a equipe de Tata Martino soube conter a pressão paraguaia, explorar contra-ataques, e ampliar o marcador por mais quatro vezes. Uma atuação de encher os olhos!

Para quem se acovardou, se encolheu e teve medo de atacar, o resultado foi sofrer o empate e perder nos pênaltis. Para quem continuou atacando, não teve medo e procurou sempre o gol, o resultado foi a vitória por 6 x 1 e vaga na final. Claro que no meio disso tudo existem outras variáveis envolvidas, mas a essência é mais ou menos essa. É o Dunguismo maléfico ao Brasil de um lado e a Argentina, leve e solta, encantando com um belo futebol.

Futebol esse que será agraciado com a final dos sonhos para os amantes do bom futebol: Argentina x Chile. As duas melhores seleções do continente chegaram à final e duelam no sábado, para ver quem fica com o título. Promessa de um jogaço. Duas equipes que gostam de ir para cima, que têm como ponto forte o ataque. Acho que a América do Sul não poderia receber presente maior nessa competição do que a final ser disputada entre esses dois países.

EM GRANDE JOGO, CHILE DERROTA O PERU E VAI À DECISÃO

Por Danilo Silveira

Dos jogos que eu vi desta edição da Copa América, Chile x Peru foi o melhor. A boa atuação chilena, passando por uma vocação ofensiva, marca registrada de Jorge Sampaoli, já era de se esperar. Agora, surpreendente, de maneira mais que positiva, foi a atuação maiúscula que o Peru de Ricardo Gareca fez na capital Santiago.

Talvez, se o Peru não tivesse perdido um de seus 11 jogadores aos 19 minutos de jogo, o desfecho do confronto pudesse ser diferente. Zambrano atingiu Aránguiz nas costas, com a sola da chuteira, sendo corretamente expulso. Antes disso, o Peru já tinha passado muito perto de abrir o placar em cruzamento de Guerrero para cabeçada de Farfán na trave direita de Bravo. Por sinal, a grande atuação do Peru passa diretamente pelos dois atacantes acima citados, que infernizaram o sistema defensivo chileno durante o jogo inteiro.

Bem verdade, que devemos citar o lance ocorrido antes mesmo dos cinco minutos iniciais do jogo. Vidal e Zambrano se desentenderam e o volante chileno deu um empurrão no rosto do jogador peruano. O árbitro venezuelano José Argote poderia ter aplicado cartão vermelho para Vidal, mas preferiu ficar na conversa.

No 11 contra 11, contra qualquer seleção sul-americana, a tendência é que o Chile crie boa quantidade de chances de gol. Jogando com um a mais, a tendência é esse número elevar-se ainda mais. Acontece que o Peru parecia reduzir o efeito do homem a menos com muita disciplina tática. O Chile até chegava e até criava, mas não tanto quanto o fato de estar em vantagem numérica poderia sugerir. O Peru não caiu na armadilha de abdicar de atacar e conseguia sair em velocidade, tornando o jogo bem dinâmico e gostoso de se assistir.

Pouco antes do intervalo, o Chile conseguiu abrir o marcador. Sánchez bateu cruzado da esquerda, Aránguiz fez corta-luz, a bola tocou na trave esquerda de Gallese e Vargas aproveitou bem o rebote. Detalhe importante é que Vargas estava em posição de impedimento na jogada, portanto, o gol foi irregular. Muito prejudicado o Peru no somatório de ações do árbitro na primeira etapa.

Poderia então o Peru sentir o golpe e ficar desnorteado em campo. Ou se lançar ao ataque de maneira “irresponsável” ou não conseguir mais concentração elevada para conter o ímpeto ofensivo do oponente. Mas nada disso aconteceu. Veio o segundo tempo e o Peru seguiu jogando de igual para igual com o Chile. O prêmio veio, portanto, aos 14 minutos, quando Guerrero enfiou belo passe na direita para Advíncula, que cruzou e contou com vacilo de Medel, que cortou mal e acabou marcando contra: 1 x 1.


Só que o Chile conseguiu, quatro minutos mais tarde, desempatar novamente a partida, jogando uma ducha de água fria no time peruano, que acabara de conseguir um gol heroico. Guerrero perdeu bola na intermediária defensiva e Vargas arriscou de longe, aproveitando o mau posicionamento do goleiro Gallese.  Era o gol da difícil e suada classificação chilena.
Nos minutos que restavam, quem esteve no estádio Nacional de Santiago, seguiu presenciando um bom jogo de futebol, que terminou com festa chilena.

sábado, junho 27, 2015

CASTIGO VEM A CAVALO PARAGUAIO

Por Danilo Silveira


O jogo contra o Paraguai foi o quarto e último da Seleção Brasileira na Copa América 2015. E assim como os três anteriores, a equipe de Dunga fez uma partida ruim. E como desfecho, a melancólica eliminação na disputa de pênaltis.

Bem feito para a CBF, Bem feito para Dunga. Bem feito para Dunga por não conseguir dar o mínimo padrão tático à equipe, após dias e mais dias de treinamento. Bem feito para Dunga por ter medo de propor o jogo e se contentar com o 1 x 0 magro. Bem feito para a CBF por ter colocado Dunga como técnico da Seleção Brasileira. Mais uma Vez. De novo. Novamente.

Em uma das raras jogadas bem trabalhadas do Brasil no jogo, Daniel Alves cruzou e Robinho chutou para as redes, abrindo o placar em Concepcíon. Eram marcados 14 minutos da primeira etapa. Isto é, menos de 20% do tempo de jogo havia sido disputado. E a partir de então o Brasil foi recuando cada vez mais, trazendo o Paraguai para o campo ofensivo. Se houvesse uma proposta convincente de contra-ataque, bem desenvolvida pelos jogadores, que culminasse em diversas chances de gol ao Brasil, até entende-se.Só que não! O Brasil não conseguiu, até o fim do jogo, encaixar um só contra-ataque convincente.

E assim o Paraguai foi cada vez mais gostando do jogo. Mesmo apresentando suas limitações, a equipe de Ramón Diaz mostrava raça e determinação para buscar objetivando conquistar o empate diante do acuado Brasil. Ele poderia ter vindo na bola parada, mas Jefferson impediu ao defender bem uma cabeçada. O gol que levou o jogo para as penalidades veio portanto em vacilo de Thiago Silva, que meteu a mão na bola dentro da grande área. Penâlti corretamente assinalado pelo árbitro e convertido por Derlis González. Um castigo justo e merecido para um time que se acovardou e para um técnico que parece nada ter feito para mudar esse panorama. Eram marcados 26 minutos da etapa final.

Depois do gol de empate sofrido, o Brasil voltou a tentar buscar o ataque e dominar territorialmente a partida. Quase como seguir a lógica de atacar quando estiver empatando ou perdendo e se defender quando está ganhando. Sem ideologia, sem fidelidade a um estilo. O tempo mostrou-se curto para uma mudança de postura drástica e repentinamente que culminasse em um resultado positivo. Foi tarde demais. Douglas Costa e Éverton Ribeiro desperdiçaram suas cobranças de pênalti, enquanto pelo lado paraguaio, apenas Roque Santa Cruz não converteu. Pela segunda Copa América seguida, o Brasil cai para o Paraguai nos pênaltis, na fase quartas-de-final.

Técnicos e mais técnicos escolhidos de maneira equivocada e a Seleção Brasileira encontra-se em estado de calamidade. Sem padrão de jogo, sem identidade, sem alegria, sem brilho, E, pior que isso: com Dunga!

Segue a Copa América, que sente muita falta da Seleção Brasileira. Não dessa dirigida por Dunga. Não daquela dirigida por Felipão. Não da que um dia foi dirigida por Mano Menezes. Não daquela dirigida por Dunga (repetição proposital). Mas sim daquela que jogava futebol de verdade. Em algum dia e em algum lugar do passado.