domingo, junho 29, 2014

JOGO 51: SUPERANDO OBSTÁCULOS DOS MAIS DIVERSOS: VIVE A HOLANDA!

Por Danilo Silveira

Foi como se Amsterdã por um instante tivesse desembarcado em Fortaleza. Como se todos os holandeses, por um instante, usassem o teletransporte para se materializar em pleno gramado do Castelão. Não, claro que eles não fizeram isso. Transcende o limite humano! Mas, talvez tenha sido uma das onipresenças mais presentes dessa Copa do Mundo. Huntellar tinha à sua frente a bola, Ochoa e as redes. Às suas costas, um peso enorme de uma nação, carente de um título Mundial...

Quem esperava uma vitória tranquila da Holanda sobre o México se assustou com o primeiro tempo, onde os mexicanos foram bem superiores. Os jogadores que vestiam laranja davam sinais que sofriam bastante com o sol que incidia na quente capital cearense. Mas, com a ajuda do goleiro Cillessen e dos erros de pontaria do México, a Holanda conseguiu levar o 0 a 0 até o intervalo.

No entanto, poderia a Holanda ter aberto o placar ainda mesmo nos 45 minutos de jogo.  Van Persie foi presenteado pelo sistema defensivo mexicano, que errou na saída de bola. O atacante holandês avançou até servir Robben, que invadiu a área e sofreu pênalti duas vezes: primeiro de Rafa Márquez, depois de Moreno. Teria o árbitro português Pedro Proença que apitar e assinalar à marca redonda dentro da grande área. Isso não seria um presente para o Holanda e sim uma obrigação dele enquanto senhor responsável por aplicar as regras do jogo. Só que ele não o fez, tornando-se mais um obstáculo para a Holanda, além dos fatores climáticos.

O chute de Giovanni os Santos, logo aos 2 minutos da segunda etapa, encontrou as redes holandesas. Para o México era um jogo de futebol, para a Holanda acabava de se tornar um filme de terror. Calor, pênalti não marcado, adversário em vantagem, jogo eliminatório. Parecia a Laranja que goleou a Espanha por 5 x 1 na estreia fadada à desclassificação, logo, no primeiro duelo de mata-mata que encontrava pela frente.

Só que a Holanda tem Robben. E era ele o elemento mais preparado para dar fim a esse filme de terror e recolocar a equipe em um jogo de futebol. Apareceu Vlaar para auxilia-lo nessa missão, só que foi aí que percebeu-se que o calor, o árbitro e a adversidade do placar não eram os únicos obstáculos daquela tarde ensolarada. O zagueiro se infiltrou na pequena área mexicana para chutar e ver a bola explodir em Ochoa, percorrer para a esquerda e tocar a trave mexicana. Goleiro adversário e falta de sorte apareciam ali para tornar ainda mais complexa a vida holandesa.

E se já não era suficiente o número de problemas para os comandados de Van Gaal, surgiu nos minutos finais da partida a retranca mexicana. A equipe comandada por Miguel Herrera mudou a estratégia de jogo e os homens de camisa verde, que no primeiro tempo estavam no ataque, agora se trancavam na defesa, com o intuito de evitar que um gol holandês devolvesse a igualdade ao marcador. Parecia que nem Robben (que não é o super herói amigo do Batman) daria jeito dessa vez. Nem aquele carequinha com muita habilidade nas pernas, em especial à esquerda, seria capaz de manter viva a esperança holandesa de permanecer na Copa do Mundo.

Só que no futebol, o provável é improvável, o certo é incerto e o iminente nem sempre acontece. Apareceu outro careca para dar aos holandeses o alívio. Sneijder aproveitou ajeitada de Huntelaar e soltou um foguete, quase furando as redes mexicanas. Não havia árbitro, calor, Ochoa nem trave que evitasse ali o empate. Quando o relógio já quase tornava esgotáveis as chances holandesas! Aos 42 minutos da segunda etapa!

Agora viria pela frente a prorrogação, certo? Não! A imprevisibilidade futebolística atuou no Castelão. Ironicamente, quando Robben fazia boa jogada dentro da área mexicana, veio Rafa Márquez e o atingiu no pé. O mesmo Rafa Márquez que havia cometido o pênalti negado pelo árbitro na primeira etapa. Dessa vez, a infração era menos clara, mas Pedro Proença acertou em apontar à marca penal.

...e Huntelaar não sentiu o peso que tinha nas costas! Chutou a bola e estufou as redes mexicanas, colocando a Holanda nas quartas de final e mantendo vivo o sonho do inédito título Mundial.

sábado, junho 28, 2014

JOGO 50: COLÔMBIA INVADE O PASSADO, ESCREVE O PRESENTE E SONHA COM O FUTURO

Por Danilo Silveira

A forma retilínea do tempo caminhar faz o futebol cada vez mais um esporte cheio de nuances, capítulos, histórias e expectativas. Ninguém pode voltar para reconstruir o passado, mas pode o novo ser construído com base no que ficou para trás. Possivelmente nenhum dos milhares de espectadores que adentraram o Maracanã no dia 16 de julho de 1950 esteve presente nele neste sábado, 28 de junho de 2014, quase 64 anos depois.

O futebol nem sempre precisa de testemunhas!. A presença de pessoas que assistiram à vitória uruguaia em cima do Brasil em 1950 não se fazia necessária para tornar a entrada do Uruguai no campo do Estádio Mário Filho neste sábado um dos momentos mais marcantes dessa Copa do Mundo.

Algumas histórias parecem que são montadas e desencadeadas por deuses desse esporte, com o intuito de tornar-lo ainda mais fantástico. Uma vitória uruguaia em cima da Colômbia no Maracanã significaria colocar-lo frente a frente com o Brasil nas quartas-de-final, 64 anos depois do fatídico jogo de 1950. No mesmo país, no mesmo esporte, na mesma competição, mas com diferentes personagens.

Uruguai, Brasil e Maracanã em um mesmo cenário, dentro de uma Copa do Mundo com 32 seleções e doze estádios. Coisas do destino! Só que no meio de todo esse processo que envolve magia, história, mística, rivalidade e sabe-se Deus mais o que, tinha a Colômbia. Forte e competente de maneira mais que suficiente para mandar para casa a Celeste, curiosamente no jogo de número 50 da Copa do Mundo, impedindo assim o citado reencontro.

Verdade seja dita que um Brasil x Uruguai daria à Copa um gosto único, quase que inimaginável. Só que também é verdade que hoje a Colômbia tem um time muito melhor que os dois campeões mundiais. Muito mais arrumado por José Pekermann, argentino que vem se mostrando bem competente na função de treinador. E se no banco de reservas está bem servida, dentro de campo a Colômbia também tem mostrado muita qualidade. James Rodríguez tem jogado bem, marcou os dois gols que eliminaram o Uruguai! Um deles foi uma pintura! Cuadrado tem sido o motor da equipe, Yepes o xerifão na defesa e Ospina fazendo valer o ditado que "todo bom time começa por um bom goleiro".


O futebol tem o poder de se renovar, respeitando suas tradições e raízes, que nunca são esquecidas, mesmo que guardadas em algum lugar do passado onde não exista ninguém para testemunhar. O futebol não precisa que os mesmos personagens do passado se repitam no futuro. Seja lá qual for a distância entre esse passado e o futuro, o Brasil sempre foi o Brasil e o Uruguai sempre foi o Uruguai. Se não carregam semelhanças na forma de jogar, carregam o nome, a tradição. Isso é imutável, porque quis a história que assim fosse. Quis também o futebol inserir mais um ingrediente dentro disso tudo: a Colômbia.

Colômbia essa que está em pleno século 21, mexendo em uma história de 1950. Eliminou um dos personagens. Falta mais um! Quem sabe? Quem sabe seja a Colômbia a escolhida para tirar Uruguai e Brasil da Copa do Mundo e tentar fazer com que o mesmo Maracanã de 64 anos atrás seja Bogotá por uma noite. A tão sonhada noite de 13 de julho de 2014!

Brasil x Colômbia, 4 de julho, às 17h! Imperdível!

JOGO 49: QUANDO BONS JOGADORES NÃO FORMAM UM BOM TIME

Por Danilo Silveira


A Seleção Brasileira de 1982 é tida como uma das melhores de todos os tempos. Não ganhou a Copa do Mundo, mas ficou eternizada na memória daqueles que tiveram a graça de a venerar. Eu aqui por este mundo ainda não me encontrava, mas o bom e velho "youtube" já me mostrou alguns bons momentos daquele time. Se não tivesse a seleção de 1982, o Brasil continuaria sendo pentacampeão em Copas do Mundo, lutando pelo hexa em 2014. O que então acrescenta ao futebol brasileiro aquela seleção? Talvez nada! Talvez tudo. Depende do ponto de vista.

Entramos aqui na velha interrogativa: O que é mais importante, vencer ou jogar bonito? Pergunta essa que parece meio sem pé nem cabeça, pois uma situação não é antônima à outra. Não há um tipo de escolha: vou jogar bem, bonito e perder! Não, não! Prefiro jogar mal e ganhar! Muitos dizem que é melhor jogar feio e ganhar, como forma de defesa daqueles times que são mal armados, com problemas em sua organização, mas que mesmo assim conseguem triunfar.

Se tão belo é o futebol que pode dar aos espectadores a oportunidade de assistir belas equipes jogarem, tão cruel ele é que pode fazer com que um time que pratique o futebol arte perca para um time que pratique um futebol feio ou menos bonito. Isso já foi visto em diversas ocasiões. Quem é que não lembra de Suíça 1 x 0 Espanha em 2010? Quem é que não lembra que em 2012 o Chelsea venceu o Barcelona por 3 x 2 no duelo agregado de 180 minutos na semifinal da Liga dos Campeões?

Talvez aí esteja o grande fascínio do futebol. Não estou propriamente querendo dizer que é fascinante ver um time menos vistoso ganhar. Estou querendo dizer que podemos admirar, venerar e considerar melhores aqueles que perdem por fatalidade, por sorte ou até por poder divino. Ou alguém aqui ainda duvida que o futebol é um jogo também de sorte?

Sorte teve a Seleção Brasileira de ver explodir na trave o chute de Pinilla, nos instantes finais da prorrogação em Belo Horizonte. Sorte teve essa mesma seleção de ver o último pênalti chileno beijar a trave esquerda de Júlio César, goleiro que teve uma tarde abençoada no Mineirão.

Talvez não a mesma sorte tenha o futebol brasileiro de ter na Copa do Mundo em seu próprio país um time tão mal arrumado, tão sem padrão de jogo, tão feio de se assistir. As críticas puras e verdadeiras não tornam a Seleção de Felipão propriamente fraca. Uma seleção com Thiago Silva, David Luiz, Marcelo, Oscar, Neymar e por aí vai, dificilmente será fraca. O Brasil tem um bom grupo de jogadores, mas tem um time fraquíssimo. Falo time entendendo o futebol como um esporte coletivo. A coletividade do Brasil é praticamente inexistente.

Antes de ser ou não hexacampeão mundial em 2014, o Brasil deveria se preocupar em formar um time de futebol. Só que o sonho e a ambição de conquistar o sexto caneco levam a inversão dessa ordem: querem ganhar o título sem ter um time. Querem o fim sem ter o meio. Talvez o futebol torne isso possível. Ou alguém acha impossível que no dia 13 de julho Thiago Silva seja o homem com a incumbência de levantar a taça?

Um Chile que teve em cinco anos, Bielsa e Jorge Sampaoli, passando por Claudio Borghi, foi duas vezes eliminado pela Seleção Brasileira que teve em cinco anos Dunga e Felipão, passando por Mano Menezes. Bielsa é infinitamente melhor treinador que Dunga, enquanto Sampaoli e daqui para qualquer outro planeta melhor que Scolari. Assim como a seleção de Felipão é infinitamente menos ajeitada que a Colômbia de Pekermann, a Alemanha de Low, a França de Deschamps, a Suíça de Ottmar Hitzfeld...e por aí vai!

Quiseram os deuses, as traves e Júlio César colocar o Brasil nas quartas de final. Talvez queriam esses ou quem sabe outros personagens, colocar essa seleção como campeã da Copa do Mundo de 2014. Que os amantes do futebol arte estejam preparados para tamanho desserviço à qualidade futebolística mundial. E que os que se importam mais com o resultado do que com a qualidade de jogo apresentado lembrem-se para a eternidade que essa seleção do Felipão apresenta um futebol horroroso.

quinta-feira, junho 26, 2014

JOGO 48: ARGÉLIA FAZ HISTÓRIA EM CURITIBA

Por Danilo Silveira

A Arena da Baixada está eternizada na memória dos argelinos que nela adentraram na tarde dessa quinta-feira. Um dia inesquecível para o país africano que pela primeira vez na história conseguiu avançar para as oitavas de final de uma Copa do Mundo.

A emoção expressa no rosto dos jogadores, nas arquibancadas do estádio e na vibração do técnico Vahid Halilhodzic nos fazem perceber que não só de bola rolando vive o futebol. Se não transcendesse a barreira das quatro linhas certamente esse esporte não seria tão fascinante e não levaria tantos torcedores a estádios de futebol.

O relógio marcava por volta das 18h15 em Curitiba quando Slimani subiu mais que os outros e cabeceou para o fundo das redes russas. Cabeçada que ecoa para a eternidade. Era o empate o qual precisava a Argélia para sobreviver em solo brasileiro.

Se de um lado é festa, do outro é tristeza.O futebol tem lá suas crueldades e para um sorrir, o outro tem que chorar. Imagina como deve estar a cabeça do goleiro russo Akinfeev. Falhou no gol da Coreia na estreia e voltou a vacilar nesta quarta-feira, saindo muito mal do gol e não conseguindo evitar a épica cabeçada de Slimani.

Se durante 90 minutos as duas equipes ficaram devendo um bom futebol, fora dele a torcida, o clímax com o apito final e a festa dos argelinos no Mineirão fizeram valer o espetáculo. Se antes da Copa, pedissem para as pessoas apostarem em dois times africanos para passar de fase, provavelmente a Argélia apareceria nas lista de poucos. Na minha mesmo ela ficaria e fora.

No entanto, se a Costa do Marfim de Drogba foi eliminada, se Gana de Boateng já está fora, se Camarões de Eto'o perdeu as três partidas, a Argélia vive. Vai representar ao lado da Nigéria o continente africano nas oitavas-de-final. Tem pela frente a poderosa Alemanha, que carrega consigo um enorme favoritismo. Seja qual for o resultado desse confronto, o dia 26 de junho de 2014 estará registrado para sempre como o dia em que a Argélia fez história no dito país do futebol.


Aos russos, resta voltar para casa e refletir muito. Muito mesmo! Os comandados de Fabio Capello apresentaram um futebol muito ruim nessa Copa do Mundo, não sendo nem sombra daquele time que mostrou boas qualidades na Eurocopa de 2012. Cabe destacar que o futebol russo tem quatro anos para trabalhar e se apresentar de um forma mais digna em 2018, quando será anfitriã da competição.

JOGO 47: SOB A VERSATILIDADE DE WILMOTS, BÉLGICA TERMINA PRIMEIRA FASE 100%

Por Danilo Silveira



Treinar o time de maneira que o possibilite apresentar-se de forma organizada dentro de campo, com uma proposta bem definida. Dar a um grupo de onze jogadores um padrão tático, isto é, organiza-los dentro de campo e estabelecer funções para cada um que façam a equipe ter uma identidade, mostrar ao público o que a equipe pretende dentro das quatro linhas. Ter opções no banco de reservas para fazer substituições que proporcionem melhoras ao time ou a manutenção de um bom rendimento. Mexer na estratégia previamente estabelecida quando esta não mais estiver ajudando na obtenção do sucesso.

O parágrafo acima narra o que para mim são as funções de um treinador de futebol. Veja como a palavra vitória em momento nenhum foi citada, pois ela não é algo que esteja necessariamente atrelado ao bom desempenho de um treinador. O futebol é um jogo onde muitas vezes quem joga melhor não vence e quem joga mal consegue a vitória baseado na sorte. Fatores esses que não devem atrapalhar no julgamento do trabalho do treinador, que deve ser baseado nos quesitos citados no primeiro parágrafo.

E considerando esses quesitos, Marc Wilmots, treinador da Bélgica, tem se mostrado excelente. Os nove pontos adquiridos na primeira fase (cinco a mais que a Argélia, segunda colocada do grupo) podem sugerir que a equipe não encontrou dificuldades. No entanto, essa sugestão pode nos levar a um equívoco. A Bélgica sofreu muito nos três primeiros jogos da Copa do Mundo, mas sob a maestria do seu comandante, o time conseguiu superar todos os obstáculos que lhe foram impostos.

Até aqui, Wilmots não chegou nem perto de repetir a sua escalação de um jogo para outro. Fato esse que não se dá por contusão ou necessariamente falta de rendimento dos jogadores, mas sim por propiciar ao time diferentes maneiras de atuar contra diferentes adversários. Contra a Coreia, a Bélgica encontrou pela frente um time que gosta de explorar a posse de bola com passes rápidos e subidas em velocidade ao ataque.

O antídoto belga foi um meio-campo com três jogadores que ajudaram na marcação e ao mesmo tempo na retenção da posse de bola: Fellaini, Dembele e Defour. Os dois laterais, Vertonghen e Vaner Borre mostraram-se fortes fisicamente para ajudar na contenção das investidas coreanas pelas pontas e capazes ainda de subir à parte ofensiva de maneira constante. Com isso, os 45 minutos iniciais em Itaquera foram de um jogo muito corrido, com as duas equipes buscando o ataque. A melhor chance foi para o lado belga, com Mertens, que não foi feliz em sua finalização, dentro da grande área coreana. Já os asiáticos assustaram em chute de fora da área, executado por Sung-Yong Ki e defendido pelo bom goleiro Courtois. No lance seguinte, Heung-Min Son dividiu bola aérea com Dembele e Lombaerts e quando a bola rumava para o gol, Defour apareceu para espantar o perigo.

Se dessa vez apareceu para salvar, aos 43 minutos Defour apareceria como vilão: vilão para a equipe belga, vilão para os adeptos do Fair-Play. O camisa 16 deu um pisão em Shin-Wook Kim e acabou recebendo o cartão vermelho, deixando sua equipe mais de um tempo com um jogador a menos dentro de campo.

Se o jogo já se apresentava difícil para a Bélgica, imagina agora? Foi aí que mais uma vez entrou Marc Wilmots. Na estreia, ele fez substituições que melhoraram o time e culminaram na vitória de virada sobre a Argélia. No segundo jogo, depois de ver seu time superior na primeira etapa, conseguiu arrumar a equipe de maneira a conter uma pressão russa na segunda etapa e ainda lançou a campo Origi, que seria o autor do gol da vitória. O que faria Wilmots dessa vez?

No fim da primeira etapa e começo da segunda etapa, o treinador não fez nenhuma mudança entre jogadores na equipe. A Bélgica voltou do intervalo mais recuada, porém conseguindo conter uma possível pressão mais incisiva da equipe coreana. Aos 14 minutos, Wilmots mexeu duplamente: Origi e Chadli entravam nas vagas de Mertens e Januzaj. Repare que não se trataram de substituições que expressam defensivismo exacerbado, fato que costuma acontecer quando uma equipe perde um jogador de meio-campo. Podemos dizer que Chadli entrou um pouco mais recuado que Januzaj.

Com as alterações, Mirallas passou a jogar mais nas pontas e Origi centralizado. O fato é que as trocas mostraram mais uma vez que Wilmots sabe exatamente o que tem em mãos. Defensivamente, a Bélgica conseguiu conter as investidas coreanas e na parte ofensiva ganhou um contra-ataque qualificado. O duelo tático ficou muito interessante. A Coreia quase abriu o placar em um cruzamento de Heung-Min Son, que virou chute e tocou o travessão de Courtois.

Aos 33 minutos, veio portanto o gol que coroou mais uma boa atuação de Wilmots no banco de reservas. Origi (que ele havia lançado no jogo 19 minutos antes) chutou, Seung-Gyu Kim rebateu e Vertonghen apareceu para estufar as redes. O fato que realmente há de se lamentar nesse lance é que na hora do chute de Origi, Vertonghen encontrava-se centímetros à frente do último jogador de linha da Coreia, caracterizando impedimento. Impedimento muito difícil para o olho humano identificar. Será que em 2018 já teremos o chip para lances desse tipo?

O gol, mesmo que ilegal, premiou uma equipe que é muito legal de se ver jogar. As alternativas táticas proporcionadas pelo treinador ao longo de 270 minutos de futebol até aqui, tornam o time dinâmico, versátil, surpreendente. Agora, a missão da Bélgica de Wilmots é derrotar os Estados Unidos para chegar às quartas de final. O duelo acontece dia primeiro de julho, em Salvador.

Aos coreanos restam voltar para casa com duas derrotas e um empate. Por falar nisso, as três seleções asiáticas que vieram ao Brasil foram eliminadas na primeira fase sem conseguir sequer uma vitória. Japão, Irã e Coreia somam seis derrotas e três empates.

JOGO 46: PORTUGAL VENCE GANA E SELEÇÕES DÃO ADEUS ABRAÇADAS

Por Eduardo Riviello


Após estrearem com derrota (Gana para os Estados Unidos num equilibrado 2a1 e Portugal para a Alemanha num vareio de 4a0) e empatarem em 2a2 na segunda rodada (Gana com Alemanha e Portugal com Estados Unidos), o confronto entre ganeses e portugueses era de "vida ou morte". Ambos foram a campo em Brasília dependendo de uma vitória na capital enquanto também houvesse vencedor em Recife para Alemanha e Estados Unidos. Se lá deu Alemanha (1a0), no Mané Garrincha deu Portugal. Só que o 2a1 foi insuficiente para tirar a diferença no saldo de gols e as duas seleções deram adeus ao Mundial.

Fato é que não foi o melhor jogo de Gana na Copa - pelo contrário, foram cometidos erros de marcação e na compactação das linhas que raramente puderam ser vistos nos jogos anteriores. Portugal, pior ainda, mostrou ser uma seleção de onze jogadores que não chega a configurar uma equipe. Cristiano Ronaldo e seus múltiplos penteados jogam fora de sintonia ao conjunto geral lusitano, embora proporcionando algumas boas jogadas. Nani, nitidamente abaixo do seu rendimento ideal, não foi sombra do que dele se espera. Figura mais lúcida no meio foi João Moutinho, só que até ele parecia desentrosado do resto do time. Portugal de Paulo Bento não tem aquela figura que equilibra a equipe, como víamos em Maniche na década passada e Raúl Meireles em tempos mais recentes. Mas se despediu com uma vitória, se é que isso serve de consolação.

A seleção de Gana poderia ter tido melhor sorte no jogo e na Copa. No primeiro tempo, uma infelicidade de Boye rendeu um gol contra aos vinte e nove minutos, abrindo o placar para os portugueses. Após o intervalo, o selecionado africano juntou os cacos e teve uma boa notícia: Müller abria o placar em Pernambuco. Notícia boa para Gana, que precisava virar o jogo para arrancar o segundo lugar estadunidense, e para Portugal, que correria atrás de outros três para assumir a segunda colocação. Cerca de um minuto depois, veio o empate ganês: Kwadwo Asamoah cruzou cheio de estilo e Asamoah Gyan completou com cabeceio certeiro para estufar a rede de Beto.

O impacto psicológico daquele momento era diametralmente oposto nas duas seleções: ao mesmo tempo que os portugueses tomaram uma ducha de água fria após a boa notícia do gol alemão, os ganeses viram a chama da esperança tornar-se uma fogueira de possibilidade de classificação. Com ambos os times buscando o ataque, oportunidades foram surgindo. Novos personagens foram entrando em campo na tentativa de construir o resultado que os interessavam (Bento apostou em Silvestre Varela e em Vierinha nos lugares de João Pereira e Éder; James Appiah trouxe Jordan Ayew e Afriyie Acquah em substituição a Waris e Rabiu). E, numa falha da defesa de Gana como um todo e do goleiro Dauda em particular, Cristiano aproveitou o presente para recolocar Portugal na frente. Aquela ducha de água fria era agora sentida do lado de Gana. Faltava apenas um golzinho e agora essa nova realidade, ter que novamente correr atrás da virada. O time se entregou. Mas a imagem que marca o final do jogo foi a do goleiro Beto, que se entregou às lágrimas num lamento de quem queria porque queria saborear outros jogos na Copa do Mundo. Acabou substituído por Eduardo, deixando o campo lesionado. Mas aquelas lágrimas, aposto, não são de dores físicas. É daquelas que somente coisas como o futebol são capazes de explicar.

JOGO 45: ALEMANHA VENCE ESTADOS UNIDOS E OS DOIS SE CLASSIFICAM

Por Danilo Silveira

O duelo entre Alemanha e Estados Unidos desta quinta-feira trazia consigo um ingrediente que o tornava muito interessante antes mesmo da bola rolar. Jurgen Klinsmann, hoje técnico dos Estados Unidos, foi o treinador da Alemanha na Copa do Mundo de 2006. Joachim Low, hoje treinador da Alemanha, foi auxiliar de Klisnmann naquela ocasião e foi quem o sucedeu na missão de conduzir a Tricampeã do mundo.

Diante disso, cabe dizer que os dois treinadores se conhecem muito bem. Também era do conhecimento dos dois que um empate na Arena Pernambuco fazia com que as duas seleções avançassem à fase oitavas-de-final. Se isso fez alguém desconfiar de um possível "jogo de compadre", esse alguém se enganou.

O jogo começou e logo a Alemanha tomou a iniciativa ofensiva, mantendo a posse de bola no campo de ataque, tentando explorar as laterais do campo e os cruzamentos rasteiros para abastecer o atacante Thomas Muller. Cabe destacar que Schweinsteiger, recuperado de lesão, fazia seu primeiro jogo como titular no Mundial. Com ele em campo, ganha a seleção alemã, ganha quem está assistindo ao jogo.

Os Estados Unidos tinham uma proposta de jogo bem interessante. Braddley, Jones e Beckerman tornavam o meio-campo combativo, mas ao mesmo tempo leve para sair em velocidade no contra-ataque, tentando encostar em Dempsey, que jogava avançado. Zusi e Davis compunham a linha de marcação quando a Alemanha tinha a bola e avançavam  pelas laterais do campo em ataques norte americanos. Como por exemplo aos 21 minutos, quando Zusi apareceu pela ponta esquerda e finalizou assustando Manuel Neuer.

A movimentação dos homens de ataque da Alemanha surtiu efeito aos 34 minutos, quando Ozil apareceu bem para finalizar, mas o chute não saiu dos melhores e Tim Howard defendeu, dando rebote, que logo foi afastado. Era uma defesa aparentemente possível de se fazer sem rebater, mas provavelmente a bola e o gramado estavam molhados por conta da chuva que caía em Pernambuco, dificultando assim a vida do goleiro americano.

Estava faltando à Alemanha ser mais incisiva, para tentar fazer o seu domínio do jogo se transformar em mais chances de gol. Joachim Low sentiu a necessidade de mexer na equipe na volta do intervalo e lançou Miroslav Klose na vaga de Podolski, que teve atuação discreta na primeira etapa. Com isso, Muller saiu da função de centroavante para jogar aberto, deixando Klose com a incumbência de lutar contra os zagueiros norte-americanos.

Se em tese Muller se distanciava da possibilidade de balançar as redes norte americanas, na prática isso foi totalmente diferente. Aos nove minutos da primeira etapa, Mertesacker apareceu na área adversária para cabecear e Howard fez boa defesa, dando rebote, que foi aproveitado pelo camisa 13 alemão, que finalizou com extrema precisão e categoria, no canto esquerdo do goleiro. Muller chegava ao seu quarto gol no torneio, empatando na artilharia com Neymar, Messi e Shaqiri. O alemão Jurgen Klinsmann nunca deve ter lamentando tanto um gol da seleção do seu país de origem.

Os Estados Unidos não tiveram força para mudar o panorama do jogo. A Alemanha seguia dominando as ações, trocando passes em sequência na parte ofensiva. O resultado dava aos comandados de Joachim Low a primeira colocação do grupo e fazia com que os Estados Unidos passassem a depender do resultado do jogo entre Gana x Portugal.

Bedoya, que entrou na vaga de Davis, teve boa chance de empate, já nos acréscimos da partida. Só que Phillipp Lahm surgiu de carrinho para trocar a trajetória do chute do camisa 11. Na sequência, Dempsey também teve boa oportunidade de cabeça, mas acabou finalizando por cima. Apesar da derrota, os Estados Unidos se beneficiaram do outro jogo do grupo. Portugal venceu Gana por 2 x 1, resultado esse que fez americanos e portugueses empatarem na segunda colocação com quatro pontos. Melhor para os americanos, que com melhor saldo de gols, seguem vivos na competição, enquanto Portugal de Cristiano Ronaldo está eliminado.


Alemanha e Estados Unidos enfrentam nas oitavas, segundo e primeiro colocados do grupo H, respectivamente. Grupo esse que conta com Bélgica, Rússia, Coreia do Sul e Argélia. Os belgas já estão classificados, mas sem posição definida. As outras três seleções ainda têm chances de conquistar a outra vaga.

quarta-feira, junho 25, 2014

JOGO 43: QUANDO O TEMPO E O DESTINO SÃO OS MELHORES REMÉDIOS

Por Danilo Silveira

Há um simples ditado que diz: "o mundo dá voltas". Essa frase aparentemente simples, de quatro palavras, pode significar várias coisas, dependendo muito do ponto de visto e do contexto em que é aplicada. Uma coisa é fato: para a Seleção Suíça de futebol, a frase pode ser entendida como evolução.

Para falar do duelo desta quarta-feira, em que os suíços venceram Honduras por 3 x 0 é necessário voltar no tempo e desembarcar no ano de 2010, em solos sul-africanos. Na primeira Copa do mundo disputada naquele continente, a Suíça, comandada pelo alemão Ottmar Hitzfeld (que continua no cargo até hoje) caiu em um grupo com Espanha, Chile e Honduras. E naquela Copa, a seleção europeia apresentou um futebol extremamente defensivo, com pouquíssima inspiração no ataque. Depois de vencer a Espanha na estreia (em duelo onde os espanhóis foram infinitamente superiores) e perder para o Chile no segundo jogo, uma vitória por dois gols de diferença em cima de Honduras colocaria os suíços nas oitavas de final. No entanto, aquele jogo seria marcado por um empate em 0 x 0, que abriu caminho para Espanha e Chile avançarem, equipes que naquela ocasião apresentavam um futebol muito mais agradável de se ver do que a Suíça.

Quatro anos se passaram e a Suíça chegou ao Brasil bem diferente. Apesar de ser comandada pelo mesmo treinador, a filosofia mudou bastante. O defensivismo deu lugar a um time dinâmico, equilibrado, que joga um futebol muito mais legal de se ver. Depois da vitória na estreia sobre o Equador e a derrota para a França na segunda rodada, lá estava de novo Honduras no caminho suíço. Se você acha que a coincidência termina por aí, se engana. O duelo na África do Sul foi disputado no dia 25-junho-2010. E pasmem: quis o destino que Suíça e Honduras entrassem na Arena da Amazônia para duelar dia 25-junho-2014, exatamente quatro anos mais tarde.

Nove jogadores que atuaram no duelo de quatro anos atrás jogaram a partida dessa quarta-feira (quatro suíços, cinco hondurenhos). Partida essa que teve um desenrolar bem diferente do que naquela ocasião. O gol que não havia saído durante os 90 minutos, dessa vez demorou apenas cinco: Shaqiri finalizou de longe, de maneira brilhante, a bola tocou o travessão e venceu o goleiro Valladares. Cabe destacar que os dois jogadores citados nesse lance fazem parte da lista dos nove que jogaram há quatro anos.

E o gol suíço logo no início foi fundamental, pois Honduras se mostrou um adversário muito complicado. Passou o primeiro tempo apostando na posse de bola e na paciência para vencer o sistema defensivo suíço. No entanto, tal estratégia não culminou na criação de muitas chances de gol. A Suíça, por sua vez, mais objetiva, conseguiu ampliar o placar novamente através de Shaqiri, após assistência de Drmic. Se tirarmos uma foto durante a execução da jogada acima descrita, provavelmente Inler não aparecerá. Apesar disso, o camisa oito foi de fundamental importância no gol. Foi dos pés dele que nasceu o passe (do campo defensivo para o ofensivo) que colocou Drmic em ótimas condições. Aliás, muitos elogios merece Inler, que vem se destacando nesse meio-campo suíço.

Antes do término do primeiro tempo, o técnico de Honduras, Luis Suárez, precisou mexer na equipe: Costly, autor do único gol da seleção na Copa, saiu machucado para a entrada de Jerry Palacios. E na volta do intervalo, o treinador mexeu mais uma vez: saiu Espinoza para a entrada de Marin Chávez. O nome de Espinoza não foi citado aqui durante a narrativa da primeira etapa, no entanto, ele teve um papel importante no meio-campo hondurenho, fazendo a bola rodar. Sua saída me pareceu um equívoco do treinador.

Mas equívoco mesmo era desse que vos escreve. A substituição deu certo e a melhora de Honduras no jogo passou pela excelente entrada de Chávez. Pela ponta esquerda de ataque ele infernizou a vida daqueles suíços que tinham a incumbência de marcar naquele setor do campo. 

E logo aos três minutos, Bengston teve muito perto de diminuir o marcador: por muito pouco seu peixinho não alcançou a bola cruzada da esquerda. Só que aos seis ele teria nova oportunidade de marcar: recebeu belo passe de Juan García, driblou Benaglio e chutou. A bola sair dos pés dele e adentar as redes suíças era um fato que aconteceria se Ricardo Rodriguez não aparecesse no meio do caminho para interceptar o lance e salvar a pátria suíça.

Aos 16 minutos foi a vez de Jerry Palacios ter a oportunidade de marcar, só que ele acabou sofrendo pênalti de Djourou no momento em que ficaria na cara de Benaglio em boas condições de finalizar. Lamentavelmente o árbitro argentino Nestor Pitana negou a infração. Ruim para Honduras, péssimo para o espetáculo. Por sinal, de quem é que foi a ideia de colocar um argentino para apitar esse jogo, do qual tinham boas chances de sair o adversário dos hermanos nas oitavas de final? Não estou aqui sugerindo nenhum tipo de favorecimento para A ou B, apenas me perguntando se tal fato não poderia ser evitado.

Quando Honduras parecia mais perto do gol, a dupla de ataque suíça funcionou novamente. Drmic deu belo drible em Victor Bernárdez e deixou Shaqiri em belas condições para anotar o seu terceiro gol na partida, o quarto na competição, igualando-se a Messi e Neymar na artilharia. 

Honduras continuou em busca do seu gol, que já era mais do que merecido. Marvin Chávez fez bela jogada pela esquerda, chapelou Behrami e cruzou na medida para Bengston cabecear e dessa vez ser parado pelo goleiro Benaglio. 

A vitória suíça por 3 x 0 combinada com o empate em zero a zero entre França e Equador, deram aos comandados de Ottmar Hitzfeld o direito de seguir na competição. Com o segundo lugar do grupo, a Suíça enfrenta agora a poderosa Argentina, com Messi em bela fase. 

Se a Suíça vai conseguir eliminar a Argentina, só tempo vai nos dizer, mas a classificação em cima de Honduras deve ter tido um sabor pra lá de especial para aqueles que estiveram presentes no duelo na África do Sul, quatro anos atrás. 

O tempo é algo que não volta atrás nunca. No entanto, muitas vezes temos no futuro a chance de fazer diferente algo que tenha dado errado em algum lugar do passado. E isso vai muito além de relacionamentos interpessoais, podendo acontecer em diversos ramos da sociedade. Inclusive no futebol, um esporte que ultrapassa os limites das quatro linhas, sem necessariamente ser uma bola fora. Ottmar Hitzfeld, Benaglio, Inler, Lichtsteiner e Shaqiri são cinco pessoas que podem comprovar tal tese, com uma história que começou na África do Sul e só terminou no Brasil, quatro anos mais tarde.

JOGO 41: MESSI DECIDE MAIS UMA

Por Danilo Silveira

Depois do Maracanã e do Mineirão, foi a vez do Beira-Rio sofrer (ou ser agraciado) com a "invasão" de torcedores argentinos. Remetendo um pouco à história do futebol gaúcho, cabe dizer que o Beira-Rio é a casa do Internacional, que tem como principal rival o Grêmio. Grêmio esse que tem as cores azul, branco e preto. Isso é, argentinos coloriram o estádio do Internacional com as cores do maior rival. Acho que só mesmo uma Copa do Mundo para nos apresentar esse tipo de situação. Brasil...Argentina...Grêmio...Interncional...haja rivalidade!

Se pela terceira vez nessa Copa argentinos lotavam um estádio, também pela terceira vez a Argentina vencia. E de novo Messi foi o grande nome do jogo e condutor da equipe ao triunfo. Foram dele dois dos três gols da equipe

Se já era totalmente sem lógica dizer que Messi não joga bem pela Seleção Argentina, tal afirmativa ganha ainda mais caráter irreal depois dos três jogos disputados em solo brasileiro. Dono da bola, dono do time. Time que joga em função dele. E não vejo isso como problema. Problema mesmo seria se a Argentina não tivesse Messi. Substituído ao longo da segunda etapa, Messi viu do banco de reservas como a equipe cai de qualidade sem a sua presença em campo.

Dizem por aí também que Mascherano é mau jogador. Nunca achei. Foi logo aos dois minutos que ele descolou belo passe para Di María, que bateu para o gol e por um instante o jogo de futebol virou "pinball": a bola bateu em Enyeama, tocou na trave, voltou no goleiro, bateu novamente no poste e rumou para o centro da grande área. Voltando ao futebol, cabe dizer que a jogada terminou com um chute forte, no alto. Messi abria o placar em Porto Alegre.

Se a Argentina tem Messi, a Nigéria tem Musa (não querendo comparar a qualidade dos dois, de maneira alguma). Mas o fato é que o camisa sete nigeriano foi muito feliz ao receber pela ponta esquerda, cortar Zabaleta e chutar para o gol, vencendo Romero e empatando o jogo, no minuto seguinte em que Messi havia aberto a contagem.

Se compararmos os três primeiros tempos que a Argentina fez até aqui, o contra a Nigéria foi o melhor. E o fato passa pela grande atuação de Messi, a melhor até aqui. Mas não só de flores vive a Argentina. Enquanto o camisa dez parece em casa no Brasil, Higuaín vem acumulando partidas ruins atrás de partidas ruins.

E a Argentina teve duas boas chances de ir para o intervalo em vantagem. Na primeira, Messi cobrou falta e Enyeama defendeu de forma espetacular. Na segunda, novamente o craque argentino cobrou falta, mas dessa vez o goleiro nigeriano não conseguiu impedir o gol. Curioso é que comparando-se as duas cobranças, dá para dizer que Enyeama defendeu a mais difícil.

Por falar em Enyeama, cabe aqui destacar o que ele fez há quatro anos atrás, na Copa da África do sul. O goleiro nigeriano teve atuação espetacular na estreia, contra a própria Argentina, sendo eleito o melhor em campo. Mesmo assim ele não conseguiu evitar a derrota da sua equipe naquela ocasião, mas evitou que o 1 x 0 se tornasse mais elástico.

Voltando para 2014, se na primeira etapa a Argentina abriu o placar cedo e a Nigéria chegou ao seu gol logo em seguida, os papéis se inverteram na segunda etapa. Com um minuto, Musa tabelou com Emenike e chutou para empatar novamente a partida. Só que aos quatro, Rojo apareceu para completar escanteio com o joelho a dar novamente a vantagem para os sul-americanos.

Aos 17 minutos,  Sabella resolveu fazer sua segunda mexida (Aguero já havia saído contundido na primeira etapa para a entrada de Lavezzi) na equipe, sacando Messi de campo para a entrada de Ricky Álvarez. E o restante do jogo não foi o mesmo.O impacto da saída de Messi foi grande, a Argentina perdeu a referência que tinha dentro de campo.

Logo após a substituição de Messi, foi visto em campo uma cena muito chata. Caído no gramado, o nigeriano Babatunde recebia atendimento médico, tendo seu braço engessado. A contusão se deu graças a uma bolada recebida naquela região.

Com a bola rolando, a Nigéria partiu para o ataque em busca do empate, mas foi a Argentina que chegou perto de ampliar, em cabeçada de Garay que passou à esquerda e chute de Di Mária defendido por Enyeama. Assim, o placar seguiu inalterado até o árbitro decretar o fim da partida.

Como a Bósnia derrotou o Irã na outra partida do grupo, a Nigéria conseguiu a sua classificação mesmo perdendo o jogo. Os africanos enfrentam nas oitavas de final o primeiro colocado do grupo E, que muito provavelmente será a França. Enquanto isso, a Argentina pega o segundo colocado desse mesmo grupo, que conta ainda com Suíça, Equador e Honduras.



JOGO 40: COM BELA ATUAÇÃO, COLÔMBIA DERROTA O JAPÃO

Por Danilo Silveira



Enquanto a Espanha foi eliminada precocemente, o Brasil vem jogando mal e outros campeões mundiais vão enfrentando muitas dificuldades nesta Copa do Mundo, a Colômbia vem se mostrando uma das grandes forças mundiais. Contra o Japão, os comandados de José Pekermann defendiam um tabu continental: nunca na história das Copas uma seleção asiática venceu um país da América do Sul. E os colombianos não vacilaram. Mesmo com boa parte do time reserva, venceram os japoneses por 4 x 1 em uma grande atuação.

Três coisas me chamaram muita  atenção nesse time colombiano ao longo da primeira fase. A primeira delas é a maturidade do time como um todo. Cada jogador parece entender perfeitamente o que precisa fazer dentro de campo e a sua importância para o grupo. Mesmo com substituições, com a escalação de alguns reservas o time não perde sua força e competitividade.

A segunda coisa é a capacidade do time jogar de mais de uma maneira. Existem times que só sabem atuar no contra-ataque, outros só sabem jogar com a bola nos pés, outros são reféns da bola aérea. A Colômbia não. O time é versátil, indo bem com a posse de bola, tomando a iniciativa ofensiva, sabendo se defender e sair em contra-ataque,  contendo a pressão adversária. A Colômbia parece mais do que pronta para enfrentar qualquer adversário nessa Copa do Mundo de igual para igual ou sendo superior.

A terceira coisa que me chama a atenção é o camisa 10, James Rodríguez. Contra o Japão ele entrou na segunda etapa e fez 45 minutos excepcionais. Deu duas assistências para Jackson Martínez e fez um golaço, participando assim dos três gols que a equipe fez enquanto ele esteve em campo (quando ele entrou o jogo estava 1 x 1).

Tivemos ainda em Cuiabá um momento de quebra de recorde. Faryud Mondragón, goleiro colombiano das antigas, adentrou o gramado da Arena Pantanal faltando alguns minutos para o término do jogo. Com isso,  o arqueiro de 42 anos, que presta serviços à seleção colombiana desde 1993, superou o camaronês Jorge Milla e agora é o jogador mais velho a ter atuado em um jogo de Copa do Mundo.


Mondragón foi à Copa do Mundo de 1994. Para quem não sabe, naquela ocasião a Colômbia chegou com muito status aos Estados Unidos, como forte candidata a ser a sensação da Copa. Porém, foi eliminada ainda na primeira fase, com duas derrotas e uma vitória.

Vinte anos mais tarde, James Rodríguez e companhia já levaram a Colômbia mais longe, às oitavas de final. E mostraram muita força, dando a entender que podem ir muito além. Na próxima semana, o Uruguai volta a pisar no Maracanã em uma Copa do Mundo, 64 após o fatídico Brasil x Uruguai. E do outro lado estará a Colômbia, disposta a mandar para casa a tradicional e bicampeã Celeste. Será possível?


Futebol por futebol, a Colômbia apresentou muito mais que os uruguaios na primeira fase!

JOGO 39: GRÉCIA ELIMINA ELEFANTES E SE CLASSIFICA EM JOGO DE DESFECHO ÉPICO

Por Eduardo Riviello



O que você prefere: um carro zero quilômetro com vários itens de última geração (só que o veículo não tem direção nem consegue engatar a segunda marcha) ou um carro usado que funciona perfeitamente, com direito a direção hidráulica e câmbio automático?

Comparando os elencos de Costa do Marfim e Grécia você entenderá a analogia. De um lado, os consagrados Yaya Touré e Didier Drogba na companhia de jogadores que atuam ou já atuaram em clubes de ponta na Europa, como Gervinho, Kalou e Kolo Touré. De outro lado, os ilustres desconhecidos Holebas, Salpingidis e Samaris, jogadores que requerem uma pesquisa para descobrirmos em que canto atuam ou deixam de atuar.

Só que uma das grandes graças no futebol é que ele não se limita aos nomes, às famas, aos pré-conceitos. Existe permeando tudo isso alguns aspectos imponderáveis e outros concretos, como o sistema de jogo e a organização. Nesse sentido, os gregos comandados pelo português Fernando Santos deram um banho nos marfinenses comandados pelo francês Sabri Lamouchi. Praticamente impecável no ponto de vista tático, a Grécia conseguiu uma vitória histórica em Fortaleza e conseguiu sua primeira classificação para a fase oitavas-de-final numa Copa do Mundo. Um feito que só foi possível porque os jogadores foram heróicos e fiéis. Heroísmo que era flagrante na determinação em cada jogada de ataque ou defesa, fidelidade que era explícita na confiança no modelo de jogo proposto pelo treinador.

E olha que o percurso da Grécia no jogo foi duríssimo. Logo aos onze minutos, Panagiotis Kone precisou ser substituído por motivo de contusão - Andreas Samaris foi o escolhido para entrar em seu lugar. Uma seleção européia, acostumada a temperaturas mais amenas, que gasta uma substituição tão precocemente num jogo que promete ser desgastante, certamente sofre algum tipo de abalo. Pior que isso é ter que fazer nova substituição forçada doze minutos depois: dessa vez quem deixou o gramado foi o goleiro Orestis Karnezis, dando lugar para Panagiotis Glykos. Ouvi vaias vindo das arquibancadas no momento em que Karnezis deixava o campo de jogo e juro que prefiro não entender o que as motivou. Comportamento de gente que não deveria estar num estádio, mas num hospício (com todo respeito à luta antimanicomial).

Duas substituições precoces, calor e um adversário tecnicamente superior. O que fazer para buscar a vitória nessas condições? Jogando bola e sendo organizado. Simples assim. A Grécia jogou bola e foi organizada, às vezes não necessariamente nessa mesma ordem, mas o fato é que por todo o jogo os gregos mostraram mais conjunto, mais unidade, mais sincronia coletiva que os marfinenses. Construiu chances claras, como na jogada de contra-ataque onde Georgios Samaras serviu Jose Holebas e o lateral-esquerdo, que cruzou o campo como se fosse um raio, chutou com a perna direita e acertou o travessão de Boubacar Barry.

Se não foi daquela vez nem de outras, a Grécia merecidamente acabou abrindo o placar no Ceará: após saída de bola errada de Cheikh Tioté, Samaris tabelou com Samaras e mandou para a rede, ajudando a si e aos Samurais, pois naquele momento o Japão também era concorrente à classificação e dependia de um tropeço dos Elefantes para ter chance de avançar.

Veio o segundo tempo e a superioridade tática grega se manteve. Apostando numa defesa sólida e em saídas ligeiras nos contra-ataques, as principais oportunidades de gol eram dos europeus. Lamouchi finalmente abriu mão de um de seus volantes (escolheu tirar Tioté) para colocar Wilfried Bony, tendo no setor ofensivo um quarteto que também incluía Salomon Kalou, Gervinho e Didier Drogba. E foi através de uma assistência de Gervinho, grande destaque da Costa do Marfim nessa Copa, que Bony recebeu na área para empatar o jogo e recolocar os africanos na zona de classificação para a fase oitavas-de-final.

Restavam cerca de quinze minutos mais os acréscimos para os Elefantes confirmarem sua primeira classificação para as oitavas na história das Copas. Só que era exatamente esse o sonho dos gregos: o ineditismo das oitavas. Àquela altura, a Colômbia já era soberana no jogo diante dos japoneses, confirmando o primeiro lugar na chave e a eliminação asiática. Cabia a gregos e marfinenses resolverem no confronto direto com quem ficaria a segunda vaga no grupo C.

No mesmo minuto (o 78º) que Lamouchi trocou o astro Drogba (que não jogou no nível que dele esperamos) por Ismael Diomandé, Santos tirou o capitão Giorgios Karagounis (que teve atuação fantástica tanto pelo esforço no alto dos seus trinta e sete anos quanto pela liderança que exerce dentro das quatro linhas, com direito a chute no travessão) para colocar Theofanis Gekas, outro jogador experiente no elenco da Grécia. Cinco minutos depois, Lamouchi fez o inconcebível, tirando Gervinho de campo e colocando Giovanni Sio.

A bola pune, caro Lamouchi. Nos acréscimos, em descida da Grécia pelo lado esquerdo, Salpingidis cruzou rasteiro buscando Samaras e Sio, ironicamente Sio, calçou o camisa sete dentro da área. Carlos Vera viu e assinalou a penalidade máxima. Os gregos desabaram em comemoração. Era a chance que eles precisavam para arrancarem a classificação. Era tudo o que eles poderiam pedir aos deuses do Olimpo e da bola. E a bola ficou para aquele que sofreu o pênalti: Samaras. Com um chute no canto esquerdo que passou a centímetros das luvas de Barry, a Grécia comemorou o desempate como se fosse um título. Uma classificação épica. Com tamanha organização e entrega, é possível que esse carro usado ainda deixe para trás outros automóveis mais badalados. Fernando Santos já provou que sabe o que está guiando. E os gregos provaram que não estão no Brasil a passeio. Melhor não duvidar de até onde os campeões europeus de 2004 possam chegar.

JOGO 38: EMPATE NO MINEIRÃO DÁ PRIMEIRO LUGAR DO GRUPO À COSTA RICA

Por Danilo Silveira


Se antes da Copa fosse dito que o duelo entre Costa Rica e Inglaterra se daria com uma das seleções já classificada e a outra eliminada, acho que 99,9% da população que assiste futebol diria que os ingleses já estariam com vaga assegurada na próxima fase. No entanto, o que de fato aconteceu foi o contrário. Com duas vitórias nas primeiras rodadas, a Costa Rica garantiu sua vaga nas oitavas de final, enquanto a Inglaterra acumulou duas derrotas que a eliminaram.

Evidente que um jogo disputado nessas condições perde um pouco o brilho. Apesar disso, tivemos um bom duelo no Mineirão. O 0 x 0 após os 90 minutos deu à Costa Rica o primeiro lugar do grupo, algo quase inimaginável há 12 dias atrás. Já para Inglaterra, o empate teve um gosto amargo: o de sair do Brasil sem vencer nenhuma partida.

Roy Hodgson lançou a campo uma equipe muito mudada em relação à que disputou as outras duas partidas. No entanto, isso não significa que tínhamos em campo uma equipe fraca. Pelo contrário. O time apresentou um futebol de qualidade, com destaque para a boa atuação da dupla de volantes, Lampard e Wilshere.

Já os costarriquenhos fizeram um jogo bem abaixo daquilo que apresentaram nos dois jogos iniciais. A zaga mostrou-se um pouco insegura, principalmente nas saídas de bola. O destaque da equipe foi o camisa 10 Bryan Ruiz, que mais uma vez mostrou muita técnica em solo brasileiro.

Se aos 11 minutos de jogo Sturrigde chegou perto de abrir o marcador em chute que passou muito perto da trave esquerda do goleiro Navas, a Costa Rica assustou aos 22 em cobrança de falta de Celso Borges, que explodiu no travessão, mas não sem antes o goleiro Foster tocar na bola. Ainda no primeiro tempo, Sturridge teve nova oportunidade, mas falhou ao cabecear por cima.

Veio a segunda etapa e a Inglaterra parecia disposta a lutar bastante para conseguir despedir-se do Brasil com um vitória. Roy Hodgon lançou Gerrard, Ronney e Sterling, enquanto Jorge Luis Pinto colocou em campo Ureña, Barrantes e o titular Bolaños, que estava sendo poupado. Modificações nas equipes, mas nada de mudança no marcador. Bom para Costa Rica, que avançou em primeiro lugar

A campeã mundial de 1966 vai fazer falta na fase mata mata da competição. Mais falta ainda vai fazer Steven Gerrard, caso se aposente da seleção inglesa, conforme está sendo especulado. Mesmo eliminada de forma muito precoce e conquistando apenas um ponto, a Seleção da Inglaterra mostrou pontos positivos e tem um futuro promissor. Wilshere, que com seus apenas 22 anos já sabe bem o que é sofrer com lesões, parece ter total capacidade de assumir a responsabilidade de ser o grande nome do meio-campo inglês.

Quanto à Costa Rica, cabe dar os parabéns pelo que foi apresentado até aqui. Conquistou mais que a classificação, conquistou o primeiro lugar do grupo. E o mais interessante é a forma com a qual o objetivo foi conquistado: com um futebol muito interessante e vistoso. Enfrenta agora nas oitavas o segundo colocado do grupo C, que tem Colômbia, Costa do Marfim, Grécia e Japão. Qualquer uma das quatro opções sugerem que teremos um jogo para lá de interessante.

JOGO 37: BATALHA DAS DUNAS!

Por Danilo Silveira


Quiseram as nuances do futebol fazer com que o duelo entre Itália e Uruguai fosse eliminatório, mesmo disputado ainda na fase de grupos. Desde o sorteio dos grupos até o desenrolar dos jogos da Copa do Mundo: tudo conspirou para que tivéssemos nesta histórica terça-feira, um Itália x Uruguai onde um daria adeus à Copa e o outro seguiria em frente. Os europeus tinham a vantagem do empate.

Tudo que foi dito acima já fazia o duelo mais que interessante. Quase que uma obrigação para cada amante de futebol sentar em frente a um televisor para assistir 90 minutos de futebol na Arena das Dunas. O misto de concentração com emoção e vigor que os jogadores cantaram o hino já fazia parecer que teríamos um duelo de tirar o fôlego.

Durante os 45 minutos iniciais, as duas equipes fizeram um jogo altamente estudado. Hoje em dia não é tão comum equipes de futebol atuarem no sistema tático 3-5-2. No entanto, Itália e Uruguai entraram em campo com três zagueiros, cinco meios-de-campo e dois atacantes. Indo além do que propriamente o plano tático de cada uma das equipes, cabe destacar que as ambas deram uma atenção mais que especial para a parte defensiva.

Talvez não fosse aquele duelo que agrada à grande maioria. Logo de início deu para perceber que o jogo caminhava para 90 minutos com poucas chances de gol e uma partida bastante movimentada no meio campo. Não deu outra. O grande destaque da primeira etapa foi o meio campista italiano Verratti. O camisa 23 conseguiu desempenhar múltiplas funções dentro de campo. Conseguia dar sustentação á marcação, ajudando a conter as investidas do ataque do Uruguai, conseguia dar qualidade à saída de bola e chegava bem à frente. Além disso, o jogador do PSG tinha ao seu lado Pirlo, que dispensa comentários. Que dupla de volantes tem a Itália!

Em um primeiro tempo onde as defesas prevaleceram em relação aos ataques, Suárez não conseguiu ser o jogador incisivo que todos estamos acostumados a ver. Mas foi dos pés dele que quase saiu o gol uruguaio. Só que a Itália conta com Buffon, que pegou tanto o chute do camisa 9, quanto a finalização de Lodeiro no rebote.

Balotelli, de quem muito se espera no lado italiano, pouco conseguiu fazer de produtivo. Além de não acrescentar muito coisa, o atacante recebeu cartão amarelo, o que lhe tiraria do jogo seguinte, caso a classificação italiana se concretizasse. Prandelli o tirou para a segunda etapa, lançando o meia Parolo e mudando um pouco o sistema de jogo, com Immobile passando a jogar sozinho no ataque e Parolo com a incumbência de ajudar Marchisio na criação.

Acontece que o treinador italiano não contava que Marchisio fosse perder a cabeça aos 13 minutos da segunda etapa. O camisa oito entrou de sola na canela de Arévalo Rios, na frente do árbitro mexicano Marco Rodríguez, que não hesitou em mostrar-lhe o cartão vermelho. Ótima atitude do cidadão que tinha por incumbência apitar o jogo. Sem muito papo, sem muita conversa, foi lá e aplicou a regra de maneira simples e objetiva.

Não foi dito ainda aqui que Óscar Tabárez também havia voltado para a segunda etapa com mexida no time. Maxi Pereira entrava na ala direita e Lodeiro deixava a equipe. Com isso, Álvaro González saía da direita e ia para o meio. Não gostei da troca, pois ele abria mão de Lodeiro e ganhava no meio um jogador aparentemente com características mais defensivas. No entanto, o treinador uruguaio ganhou de presente o direito de jogar com um homem a mais e parecia mais que obrigação, necessitando da vitória, lançar o time mais à frente. Foi o que ele fez colocando Stuani na vaga do lateral esquerdo Álvaro Pereira. Com a troca, Cáceres saía da zaga para atuar na direita e o time retornava ao sistema com dois zagueiros.

E o Uruguai passou a dominar o duelo territorialmente e mostrar-se mais perigoso que na etapa inicial. Suárez teve bela chance aos 20 minutos, mas Buffon foi simplesmente espetacular ao defender o chute rasteiro usando a mão direita.

Bom seria falar apenas do futebol de Suárez, mas o fato é que ele proporcionou em campo uma cena que seria cômica se não fosse lamentável. O atacante uruguaio simplesmente mordeu o zagueiro Chiellini, deixando marcas no ombro do seu companheiro de profissão. Mais que isso: Suárez já tem histórico em relação a isso. Já mordeu outros adversários. Inadmissível e o mais condizente seria banir o atacante uruguaio dessa edição da Copa do Mundo. Vamos ver que tipo de atitude tomará a FIFA, se é que algo será feito.


Voltando ao futebol, aos 25 minutos Cesare Prandelli decidiu fazer sua segunda alteração, colocando Cassano na vaga de Immobile. Minutos depois, Verratti desabou no gramado, aparentemente com câimbras. Não conseguiu permanecer e Thiago Motta entrou no time. Com isso, Prandelli não poderia mais fazer substituições. Cada vez mais a pressão uruguaia era maior e tudo cainhava para um final dramático.

E o drama para os italianos aumentou consideravelmente aos 35 minutos. Godín aproveitou cobrança de escanteio de direita e finalizou de costas para o gol, meio de ombro, meio de pescoço, vencendo Buffon e marcando o gol que tirava da Itália e dava ao Uruguai o direito de permanecer na competição.

Sem mexidas a fazer e com um homem a menos, a missão da Itália de empatar o jogo era muito complicada. Os torcedores uruguaios nas arquibancadas pareciam saber disso: cantavam alto, comemorando a vitória momentânea da sua seleção. O Uruguai, depois de uma derrota para a Costa Rica na estreia, vencia Inglaterra e Itália para conseguir o direito de seguir na Copa.

O árbitro assinalou cinco minutos de acréscimo e Buffon abandonou o gol, virou atacante. Acostumado a ficar debaixo da trave no campo defensivo da sua equipe, ele viu da outra metae do gramado, aos 50 minutos e 54 segundos o árbitro apitar pela última vez. Provavelmente, esses foram os últimos momentos de Buffon como jogador em uma Copa do Mundo.

No duelo de seis títulos Mundiais na Arena das Dunas, melhor para os sul-americanos, que agora esperam Colômbia ou Costa do Marfim na oitavas. Impossível terminar sem destacar uma coisa: Se Brasil e Uruguai ultrapassarem a barreira das oitavas, se enfrentam no dia quatro de julho, em Fortaleza, por uma vaga na semifinal. Brasil...Uruguai...Copa do Mundo disputada em solos brasileiros...coisas que a história explica!

terça-feira, junho 24, 2014

JOGO 36: QUANDO A ANDORINHA FAZ O CANÁRIO VOAR

Por Danilo Silveira


Diz o ditado que uma andorinha só não faz verão. Claro que ele não quer dizer ao pé da letra que apenas uma ave desse tipo não consegue fazer acontecer a estação mais quente do planeta Terra. Ele que dizer que em muitas situações de nossas vidas é mais fácil conquistar objetivos em conjunto que de forma solitária.

Nessa Copa do Mundo, a Seleção do Brasil tem conseguido contrariar esse ditado. A andorinha no referido trecho é Neymar. O camisa 10 da seleção tem tornado o futebol, que é para ser um esporte jogado altamente em conjunto, o mais individual possível. Vejam bem: não se trata de uma crítica e sim um elogio.

Neymar não age desse jeito por ser egoísta ou por não gostar da coletividade, mas sim por conta da falta de opções que o time lhe dá em campo. E isso passa diretamente por Luiz Felipe Scolari, o treinador dessa equipe. Felipão, como costuma ser chamado, tem se mostrado um desastre quando o assunto é tática. Dentre as 32 seleções participantes do Mundial fica difícil dizer uma pior que o Brasil na parte tática. Talvez não exista.

Contra o eliminado Camarões, que ainda não contou com Eto'o, Song e Ekotto, o Brasil precisou de doses de preocupação para vencer o duelo. Quando a seleção africana começava a impor seu domínio em campo, apareceu Neymar para completar cruzamento de Luiz Gustavo para as redes. Mas Camarões, mesmo sem chances de classificação, mostrava-se um time empenhado e disposto a atrapalhar o caminho brasileiro. Matip apareceu na área brasileira para diminuir o marcador aos 25. Vale lembrar que pouco antes a trave de Júlio César havia sido carimbada.

Se a andorinha tem dificuldades de fazer verão, Neymar tem facilidade para fazer gol. Aos 33 ele voltou a balançar as redes camaronesas em uma jogada que ele fez parecer simples: correu, limpou o marcador  e chutou. Assim, o Brasil foi para o intervalo em vantagem. Se não fosse Neymar, acho que dificilmente isso aconteceria.

Fred desencantou aos três minutos da segunda etapa, ampliando para o Brasil. O duelo ficou chato, sem graça. Neymar continuou correndo, tentando sua jogadas individuais em meio a um time carente de um esquema de jogo bem definido, carente de jogadas que demonstrem entrosamento dos jogadores, carente de um treinador que consiga implementar um estilo de jogo bonito, envolvente, que faça os amantes do futebol arte terem vontade de assistir, de saborear.

Antes do apito final, ainda deu tempo para Fernandinho, que havia entrado no intervalo, na vaga de Paulinho, deixar a sua marca. Em uma das raras jogadas bem trabalhadas em conjunto pela Seleção Brasileira, ele apareceu para finalizar de bico, vencendo o goleiro Itandje. Placar final: Brasil 4 x 1 Camarões.

A Seleção Brasileira é também conhecida por ser a seleção canarinho. Inclusive, uma música do passado que servia de incentivo, tinha um trecho que dizia "voa, canarinho, voa". Nesse papo que mistura futebol com aves, cabe dizer que a andorinha que anda fazendo o canário voar. Até quando sinceramente não sei. No próximo sábado, Brasil e Chile se enfrentam no Mineirão, em duelo válido pelas oitavas de final. Um jogo que promete!

JOGO 35: NÃO MEXE COMIGO: NA BOLA E NA RAÇA, MÉXICO SUPERA CROÁCIA

Por Eduardo Riviello


Quem disse que os confrontos eliminatórios começariam no dia 28? Croácia e México foram a campo em Pernambuco para decidirem o futuro de ambos na Copa: enquanto os mexicanos garantiriam classificação às oitavas com um empate, aos croatas só a vitória não os fariam depender de uma derrota do Brasil no jogo com Camarões. Se durante a semana rolaram provocações (principalmente a partir dos croatas), o clima no jogo foi tenso, sobretudo no segundo tempo e mais ainda a partir do momento que o México passou a estar vencendo a partida.

Escalada com Modric, Rakitic e Pranjic na armação, Olic e Perisic na aproximação e Mandzukic como referência, a Croácia parecia ter elementos suficientes para transpôr a defesa adversária. Só parecia. A linha de cinco defensores composta por Paul Aguilar, Rodríguez, Rafa Márquez, Moreno e Layún conseguiu levar vantagem quando ameaçada pelos croatas e ainda contou com a ajuda fundamental de três jogadores de meio-campo que tiveram atuações maiúsculas: Vázquez, Herrera e Guardado. E a bem da verdade, no time montado por Miguel Ernesto Herrera Aguirre, até os atacantes Giovani dos Santos e Peralta desempenham relevantes serviços defensivos. De quebra, o arqueiro é ninguém menos que Ochoa. Com todos esses ingredientes no caldeirão mexicano, a Croácia só iria conseguir sentir o sabor da classificação se estivesse com seus jogadores inspirados. Perisic jogou demais, confirmando uma ótima Copa por parte do camisa quatro. Só que Modric e Rakitic não conseguiram render aquilo que deles se esperava, fato que acabou comprometendo a articulação de jogo da equipe. Niko Kovac não encontrou alternativas táticas para reverter o cenário e ainda viu o México subir de produção no campo de ataque. Até tentou alguma solução, colocando Kovacic no lugar de Vrsaljko, mas o efeito da transformação não foi o suficiente para tornar a Croácia superior.

Aos vinte e seis minutos, começou a se desenhar a classificação que já estava esboçada: após escanteio cobrado por Herrera, o capitão Rafa Márquez conseguiu a proeza de subir mais que Corluka para abrir o placar com um cabeceio consciente. Um momento marcante para aquele que é o único jogador na história dos Mundiais a usar a braçadeira de capitão de uma seleção em quatro edições de Copas - a terceira edição marcando gol. Tem que respeitar!

Três minutos depois, uma rápida troca de passes com participação de Javier Hernández (que entrara no lugar de Giovani) e Peralta foi concluída por Guardado, estufando a rede de Pletikosa, que até chegou a encostar na bola. 2a0 México e festa incrível nas arquibancadas do Azteca, digo, de Recife.

O momento do jogo era de decisão, e ambos os treinadores àquela altura já haviam realizado as três modificações a que tinham direito. Kovac trouxe Rebic para o lugar de Olic e Jelavic no lugar de Pranjic, mantendo Eduardo da Silva no banco. Herrera pôs Peña no lugar de Peralta e Fabián no de Guardado. E o balanço disso foi tudo foi melhor para os mexicanos: aos trinta e seis, para alegria geral da nação que cantou o hino com força e que não cessava de apoiar seus compatriotas, Chicharito encerrou a seqüência de jogos sem marcar. Foi em nova jogada aérea com participação de Rafa Márquez, que dessa vez resvalou de cabeça e Chicharito completou. 3a0 no placar.

Houve tempo ainda para a Croácia contar com um lampejo de lucidez: Rakitic deu lindo passe para Perisic descontar aos quarenta e um. O primeiro gol marcado em cima de Ochoa nessa Copa. Só que a Croácia precisava de mais três. Era um convite a perder as esperanças. Mas não precisava perder a cabeça: aos quarenta e três, uma entrada desleal de Rebic em Peña deixou os croatas com um homem a menos.

No final das contas, 3a1 para o México e classificação de uma seleção que chegou aos trancos e barrancos ao Mundial. Dentro dele, fez três gols em Camarões (a arbitragem anulou erradamente dois deles), resistiu aos donos da casa criando ainda chances de vencer o jogo e poderia ter até goleado a boa seleção croata (o árbitro Ravshan Irmatov ignorou pênalti do "goleiro" Srna quando a partida ainda estava 0a0). O próximo adversário dos mexicanos é a Holanda, favorita para o confronto. Mas quer saber de uma coisa? Quem precisa de favoritismo quando se tem uma torcida apaixonada e um time determinado? Vem jogo imperdível por aí.

segunda-feira, junho 23, 2014

JOGO 34: LIDERANÇA LARANJA: HOLANDA VENCE CHILE E CONFIRMA PRIMEIRO LUGAR NO GRUPO

Por Eduardo Riviello




Holanda e Chile justificaram as circunstâncias do jogo nessa tarde de segunda-feira, em São Paulo. Um jogo que virou o confronto direto pela primeira e segunda posições num grupo que conta também com a atual campeã mundial, a Espanha. Espanha que fecha sua participação na Copa do Mundo 2014 com uma vitória por 3a0 sobre a Austrália, com direito a gol de letra de David Villa. Uma despedida como se imagina da seleção espanhola, não no momento em que se imaginava: não conheço ninguém que tenha em algum momento afirmado que os comandados de Vicente del Bosque cairiam na primeira fase. Mas aconteceu, faz parte do futebol, torcemos para que a Espanha consiga reencontrar o seu melhor rendimento (a goleada sobre os australianos talvez seja um passo nessa direção), e agora vamos falar especificamente da partida entre holandeses e chilenos.

Desfalcada de Bruno Martins (zagueiro que se lesionou) e de Robin van Persie (atacante que cumpre suspensão pelo segundo cartão amarelo), a Holanda foi para campo com uma escalação surpreendente: Georginio Wijnaldum entrou no meio-campo onde estávamos acostumados a ver Jonathan de Guzmán enquanto Daley Blind (que faz bela Copa até aqui) foi recuado para a linha de defesa, dando lugar para Dirk Kuyt estrear entre os titulares. Wesley Sneijder, Jeremain Lens e Arjen Robben eram os homens mais adiantados num sistema de jogo que tinha como ponto de equilíbrio a compactação entre as linhas, a recomposição precisa em todos os setores e o elemento Nigel de Jong, que se apropriava do entorno do círculo central como se fosse o verdadeiro dono daquele território. A solidez de Daryl Janmaat, Ron Vlaar e Stefan de Vrij aumentavam a segurança na meta protegida pelo bom goleiro Jasper Cillessen. Ou seja, Louis van Gaal tem o time e o elenco na palma da mão. Escalou surpreendendo e o rendimento foi positivo: diante da forte seleção chilena, a Holanda jogou seu melhor primeiro tempo nessa Copa.

Para alegria de quem gosta do futebol bem jogado, Jorge Sampaoli deu uma contribuição relevante para a qualidade do espetáculo. Honrando a alcunha de "discípulo de Marcelo Bielsa", o argentino montou o time com dois alas (Mauricio Isla e Eugenio Mena), dois volantes que subiam com alguma freqüência (Charles Aránguiz e Marcelo Diaz), além de Felipe Gutiérrez centralizado no que formaria um triângulo ao lado de Alexis Sánchez e Eduardo Vargas. A defesa parecia segura com o trio Gary Medel, Francisco Silva e Gonzalo Jara, contando ainda com o goleiro Claudio Bravo. Evidentemente, o impacto da ausência de Arturo Vidal, peça-chave no sistema tático da equipe, é de uma magnitude inestimável. Mas o Chile mostrou-se um time que pode sobreviver sem seu maior craque, jogando de igual para igual com a bela seleção holandesa e tendo amplo domínio no tempo de posse de bola.

Foi interessante observar o alto nível técnico, tático e de competitividade da partida. Um jogo daqueles em que era possível ver o dedo dos respectivos treinadores para procurar alternativas num confronto com cara e jeito de ser definido em detalhes. Me senti assistindo um jogo de dezesseis-avos-de-final. E o que é melhor, onde nenhum dos dois times seria eliminado. Entre ótimas jogadas individuais de Sánchez e grandes arrancadas de Robben, a partida contava também com a bravura de Medel e multi-utilidade de Kuyt, que parecia estar em todos os cantos no Itaquerão. Felizmente, a arbitragem não agiu para estragar o espetáculo nem complicar as coisas, embora fosse uma partida notadamente difícil de se apitar: eram muitas divididas onde o vigor dos zagueiros se chocava com a agilidade dos atacantes. Não houve pênaltis assinalados e um cartão amarelo para cada lado foi o suficiente para manter a partida estável no aspecto disciplinar. Parabéns para Bakary Papa Gassama, de Gâmbia. Um ótimo primeiro jogo de Copa do Mundo, marcado pela simplicidade em apitar e deixar de apitar, sendo o mais discreto quanto fosse possível, embora sem necessariamente agradar a todos.

Para encontrar um jeito de chegar à vitória, Van Gaal e Sampaoli tiveram que recorrer aos suplentes. O primeiro a mexer foi o argentino, que já no intervalo voltou com Jean Beausejour no lugar de um pouco participativo Gutiérrez. Só que Beausejour não conseguiu ser aquele Beausejour dos tempos de Bielsa, que aparecia no jogo esbanjando versatilidade entre as posições de ataque. A defesa holandesa conseguiu encontrar fórmulas de contê-lo nessa partida. Van Gaal, então, tratou de realizar sua primeira alteração: Memphis Depay no lugar de Lens. Como são dois jogadores de características parecidas, a Holanda não alterou significativamente o seu jeito de jogar, mas ganhou potência nos chutes de longa distância - Bravo evitou que Memphis abrisse o placar em remate de fora da área que tinha o endereço da rede, espalmando com estilo.

A torcida chilena (leia-se chilena, brasileira, paulista, palmeirense) gritou por Jorge Valdívia e Sampaoli acabou atendendo, colocando o camisa dez em campo no lugar de Silva. Uma modificação com explícito espírito ofensivo, diminuindo a marcação na linha de defesa e trazendo alguém para articular o jogo no ataque. Van Gaal, por sua vez, provavelmente não ouviu ninguém pedir por Leroy Fer, mas tratou de colocá-lo em campo no lugar do camisa dez Sneijder. E não é que Fer logo abriria o placar? Dois minutos depois de adentrar o gramado, Fer subiu bem após jogada de escanteio e aproveitou o cruzamento de Janmaat, mandando a bola no canto esquerdo sem dar qualquer possibilidade de defesa para Bravo. 1a0 Holanda em Itaquera, aos trinta e um no segundo tempo.


Se o empate já não servia ao Chile em sua tentativa de terminar em primeiro no grupo B, a derrota no placar foi encarada por Sampaoli como uma necessidade de mexer novamente: Mauricio Pinilla entrou no lugar de Vargas, aumentando a presença de área no ataque chileno. O camisa nove até se esforçou, mostrou-se "brigador" e manteve-se firme na difícil missão de fazer o pivô no meio de tantos zagueiros fortes e competentes. Sánchez continuava se apresentando como a melhor alternativa ofensiva, conseguindo encontrar espaços na base da habilidade. Mas faltava gente para trocar passe com o camisa sete, algo que pouco mudou mesmo com as presenças de Beausejour, Valdívia e Pinilla. O sistema defensivo laranja (é, finalmente a Holanda jogou de laranja nesse Mundial) beirava o impecável. Um dos maiores responsáveis por isso era Kuyt, que pediu substituição após cair no que parecia ser motivado por cãimbras. Terence Kongolo foi o escolhido para substituí-lo e restavam alguns minutos para o apito final. Naquela altura, a virada chilena era improvável, mas o jogo tinha cara de que poderia ser contemplado com mais um golzinho. Então, eis que, nos acréscimos, Robben partiu em disparada puxando contra-ataque pelo flanco esquerdo, foi até a proximidade da linha-de-fundo e tocou na medida para Memphis concluir. Conclusão: 2a0 Holanda e a justa comemoração de Memphis, que foi celebrar com o autor da assistência. Na opinião desse que vos digita, o autor da assistência é o melhor jogador na Copa do Mundo 2014.

JOGO 33: ESPANHA À LA ESPANHA: UMA DESPEDIDA NOSTÁLGICA NA COPA 2014

Por Eduardo Riviello


Muitos poderão não dar o devido valor a essa data, mas carrego comigo a nítida impressão de que 23.06.2014 trata-se de um momento na história do futebol que trará influências significativas para os anos que virão. Foi precisamente nesse dia, por volta das 15h, em Curitiba, que se encerrou a participação da seleção espanhola na Copa do Mundo 2014. Uma campanha abreviada pelas derrotas para Holanda e Chile, que causaram surpresa entre os analistas em geral e gerou mal-estar no elenco espanhol em particular. Mas tudo isso deve ser esquecido. Em nome do futebol, que fique registrado cada bom momento que a Espanha proporcionou e ainda proporcionará com a sua filosofia de jogo baseada na posse de bola. O momento é de realizar ajustes já pensando na Eurocopa 2016, mas mais do que isso: pensando na perpetuação de um estilo, o que se dará através de renovações e aperfeiçoamentos. Estilo esse que já se mostrou viável e eficiente. Que é maior do que a cultura do resultado. E que percorreu longas, incríveis e vitoriosas jornadas para ser derrubado com dois tropeços.

O jogo com a Austrália foi marcado por momentos de emoção, como quando David Villa foi substituído e flagrado às lágrimas no banco de reservas - era a despedida de um dos ícones de uma era vitoriosa, cujo ápice foi o título mundial em 2010, quando o camisa sete teve participação destacada. Meus mais respeitosos cumprimentos e gratidão ao Villa por ter jogado nessa Espanha, a qual tive o privilégio de assistir.

O jogo com a Austrália foi marcado por momentos de recordação, pois ver a excelência do desempenho de Andrés Iniesta com a performance igualmente encantadora de Villa fez lembrar dois, quatro, seis anos atrás. Villa distribuiu umas cinco jogadas de efeito só no primeiro tempo. Numa delas, recebeu cruzamento de Juanfran e abriu o placar no Paraná com um golaço de letra. Villa se escreve com cinco letras, digamos que cada uma para um grande lance da fera, que já deixa saudade.

O jogo com a Austrália foi marcado por momentos de reflexão sobre o futuro, o que ficou sugerido ao se ver um jovem da qualidade de Koke desempenhando função em campo muito similar a de um tal Xavi Hernández. Possivelmente seja Koke o sucessor de Xavi na seleção espanhola.

Fernando Torres foi um personagem que juntou quase tudo ao mesmo tempo: trouxe emoção, porque lembrar dele faz lembrarmos de seu companheiro Villa; trouxe recordação, porque vê-lo atuar em grande nível leva a ótimas lembranças de seu auge tanto nos clubes por onde passou quanto pela própria Fúria; e trouxe reflexão sobre o futuro, pois fica aquela dúvida cruel de se o ciclo de El Niño está encerrado ou se ainda seremos agraciados com seu talento por mais alguns anos. O desempenho diante dos australianos é um convite à segunda opção. Sua capacidade técnica, uma intimação.


Foi disparada a melhor atuação da Espanha em solo brasileiro nesse Mundial. Os erros na defesa vistos nas duas rodadas iniciais não se repetiram - a começar pelo seguro goleiro Pepe Reina, que qualificou a saída de bola com os pés. As entradas de Juan Mata, Francesc Fàbregas e David Silva no segundo tempo tornaram a Espanha ainda mais incisiva, sempre com a participação ativa e decisiva do brilhante Iniesta. Foi dele o ótimo passe à la Iniesta para a finalização de Torres à la Torres. Era a Espanha à la Espanha! Após assistência de Fàbregas, Mata fechou o placar. E espero que as portas da seleção espanhola se mantenham abertas para essa proposta. O mesmo público que hoje gritou "eliminado", em provocação hostil, poderá um dia olhar para trás e pensar que poderia ter reagido de maneira diferente quando teve a oportunidade mística e mágica de assistir a Espanha nas arquibancadas de seu país de nascimento numa Copa do Mundo. Se eu estivesse lá no estádio, aplaudiria de pé. Pensar e projetar a Espanha me traz emoção e não tem preço nem nacionalidade essa gratidão. Valeu, Villa! Valeu, Xavi! Valeu, Espanha!

domingo, junho 22, 2014

JOGO 32: EM DUELO ESPETACULAR, PORTUGAL E EUA EMPATAM NA ARENA AMAZÔNIA

Por Danilo Silveira



Em 1494, o tratado de Tordesilhas dividiu o domínio sobre o Brasil entre Espanha e Portugal. Conforme foi firmado, a parte onde hoje representa o Estado do Amazonas era espanhola. No entanto, diz a história que a região sofreu posteriores invasões portuguesas, em descumprimento do que havia sido acordado. Até que em 1750 o tratado de Madrid deu boa parte daquela região à Portugal.

O trecho acima narra de maneira breve a história do que é hoje o Estado do Amazonas. Algumas centenas de anos depois disso, Portugal e Amazonas se encontraram novamente. Só que dessa vez o assunto em nada tinha a ver com colonização. Tratava-se de futebol! Portugal pisou no gramado da Arena da Amazônia para jogar a sua sobrevivência na Copa do Mundo. E tinha como oponente a arrumada seleção americana, comandada pelo alemão Jurgen Klinsmann.

E as duas equipes travaram um duelo simplesmente espetacular em Manaus. Portugal saiu na frente, os EUA viraram e quando a alteação no marcador parecia impossível veio a equipe portuguesa e provou o contrário. Sensacional.

Demorou apenas quatro minutos para Portugal balançar as redes. Cameron falhou, Nani aproveitou. Os Estados Unidos responderam aos 12 minutos, quando Dempsey cobrou falta com perigo, mas não acertou o alvo. Falando em Dempsey, cabe destacar duas coisas: a primeira é que ele jogava com o nariz quebrado (e sem máscara! que coragem!). A segunda é que ele atuava de centroavante, na vaga de Altidore, que saiu machucado na partida de estreia. Falando em centroavante, Portugal também não contava com seu titular Hugo Almeida. Desfalque esse que estava sendo suprido pela presença de Hélder Postiga. Acontece que aos 13 minutos ele também se machucou, precisando deixar o campo. Paulo Bento lançou Eder na partida.


Não demorou muito para ficar evidente que os Estados Unidos tinham como estratégia os chutes de longa distância. Braddley tentou duas vezes e falhou. Johnson também teve sua tentativa e não venceu o goleiro Beto por centímetros. O jogo era lá e cá, eletrizante. Portugal quase ampliou. Nani carimbou a trave, Eder pegou o rebote e Howard salvou. Chegava ao fim um primeiro tempo eletrizante. Quinze minutos para os amantes desse cativante esporte ganharem fôlego para assistir a etapa derradeira.

Demorou nove minutos da etapa final para a Arena Amazônia testemunhar um dos lances mais incríveis até aqui na Copa do Mundo.O bom lateral direito Johnson cruzou, tirando a bola do goleiro Beto e servindo Braddley, que emendou para marcar o que seria o empate americano. Seria, mas não foi. Não foi porque Ricardo Costa usou a perna esquerda para bloquear o chute que fatalmente encontraria as redes, sem nenhuma chance para Beto, caído no gramado. Klinsmann não acreditou. Nem Bradlley.

Chegou a hora de falar sobre Cristiano Ronaldo. Para mim, um bom jogador que a mídia eleva a um patamar futebolístico o qual ele não se encontra. Aos 16 minutos, o camisa 7 português recebeu no mano a mano com seu marcador pela ponta direita, mas não tentou o drible, não tentou chegar mais perto do gol e optou pelo chute, o executando de maneira muito ruim. Copa muito fraca que faz Cristiano. Em sua defesa, o fato de estar contundido. Visivelmente ele não se encontra na sua melhor forma física.

E o que poderia ter sido o segundo gol de Portugal virou empate americano dois minutos mais tarde. Jones foi muito mais feliz que Cristiano Ronaldo em sua finalização. Beto viu a bola entrar no canto esquerdo, sem esboçar nenhuma tentativa de defesa. Belo gol!

E aos 35 minutos os Estados Unidos conseguiriam a virada em um gol de barriga. Zusi bateu cruzado da esquerda e Dempsey complementou. Dempsey, o mesmo do nariz quebrado, conforme citado acima. Dez minutos mais os acréscimos separavam os Estados Unidos da liderança do grupo e classificação antecipada. E os comandados de Klinsmann conseguiram a manutenção da vitória durante esses dez minutos, mas não durante a totalidade dos acréscimos.


Aos 49 minutos, Cristiano Ronaldo fez sua melhor jogada na partida. Recebeu na ponta direita e efetuou cruzamento milimétrico para Silvestre Varela cabecear e impedir a eliminação precoce da sua seleção. Portugal ganha sobrevida e continua com esperanças de jogar mais que três jogos nas terras que colonizou séculos atrás.

Agora o grupo G da Copa do Mundo ficou da seguinte maneira: Alemanha e EUA têm quatro pontos (Alemanha é líder por ter melhor saldo). Gana e Portugal têm um ponto (Gana está na frente por ter melhor saldo). Se Alemanha e EUA empatarem na última rodada, os dois passam de fase, com a Alemanha em primeiro. Caso haja um perdedor,esse ainda poderá ser alcançado, caso Portugal x Gana tenha um vencedor. Nesse caso, a segunda vaga do grupo seria decidida no saldo de gols. Pior para Portugal, que perdeu para a Alemanha por 4 x 0.

Cabe, por fim,lembrar que esse foi o jogo número 32 da Copa. Se o total são 64 significa que chegamos à metade.

JOGO 31: EM JOGÃO DE DOIS TEMPOS DISTINTOS, ARGÉLIA VENCE PARTIDA DE SEIS GOLS.

Por Eduardo Riviello



Regra número 1 do manual do amante do futebol: nunca nem jamais subestime um jogo pelo nome dos times que estão em campo (onde lê-se "nome", entender no sentido de "tradição", "fama", "histórico").

Argélia e Coréia do Sul são duas seleções sem qualquer tradição em Copas do Mundo. Quer dizer, a Coréia até conseguiu o feito histórico de chegar às semifinais no Mundial de 2002, quando foi sede ao lado do Japão, e trouxe alguma fama para o futebol asiático no geral e para si em particular.

Para a Copa 2014, sul-coreanos e argelinos vieram sem ser tratados com grande atenção. E o jogo entre eles, conseqüentemente, foi encarado como "mais um" no torneio. Não deveria. Nunca nem jamais deveria. Primeiro, por uma questão de respeito às equipes. Depois, em respeito à regra número 1 do manual do amante do futebol.

Fato é que tivemos no estádio Beira-Rio um jogo interessantíssimo e dos mais dinâmicos de toda a Copa até agora. Com um primeiro tempo pra lá de eficiente, a equipe africana comandada pelo bósnio Vahid Halihodzic criou situações pelo alto, por baixo, em diagonal, fazendo tabela, em jogada individual. O saldo disso foi um placar de 3a0 ainda no primeiro tempo: Islam Slimani, Rafik Halliche e Abdelmoumene Djabou marcaram nas respectivas assistências de Carl Medjani, Djabou e Slimani.

Só que a Coréia apática que rumou para o vestiário foi substituída por uma Coréia determinada na volta do intervalo. Provavelmente a conversa de Hong Myung-Bo com seus jogadores foi assimilada. Gostaria muito de saber o que foi dito para tamanha transformação, e sem ter a mínima noção do teor do diálogo, já fico imaginando como deve ser a tradução de "vergonha na cara" em sul-coreano.

Aos quatro minutos, após lançamento de Ki Sung-Yong, Son Heung-Min dominou com as costas de maneira involuntária (ou, se de propósito, temos um mágico vestindo a camisa nove vermelha), girou bonito para escapar dos três argelinos que o vigiavam e chutou rasteiro, entre as pernas do goleiro M'Bolhi.

A intensidade sul-coreana era tamanha que o jogo já era outro. Só que a Argélia conseguiu chegar ao quarto gol em jogada maravilhosa entre dois jogadores:Yacine Brahimi e Sofiane Feghouli. Aos dezesseis, Feghouli carregou a bola com habilidade, foi criando espaços e tabelou com o companheiro. Após receber a bola de volta, o camisa dez rapidamente enfiou para Brahimi finalizar e reestabelecer a diferença de três gols no placar.

Naquele momento, os 4a1 pareciam decretar a vitória definitivamente. Mas a hipótese do papo do vestiário é séria: a Coréia do Sul não se abateu e continuou com a pegada vista nos minutos iniciais de segundo tempo. Aos vinte e seis, Lee Keun-Ho encontrou Koo Ja-Cheol e o camisa treze encontrou a rede, diminuindo para 4a2. Halihodzic mexeu três vezes na Argélia, talvez não para necessariamente segurar o resultado, mas principalmente para encontrar alguma maneira de fazer seu time jogar mais perto do que jogou nos primeiros quarenta e cinco minutos e sair do sufoco estabelecido pelos adversários. Ghilas, Lacen e Belkalem foram os escolhidos. Mas a Coréia, entre uma alteração e outra do oponente, continuou melhor. E se o 4a2 se manteve até o final, a Argélia tem que agradecer ao goleiro M'Bolhi, que fez pelo menos duas defesas fantásticas para não permitir novas alterações no placar.


A Argélia está a uma vitória da classificação - talvez um empate sirva diante da já classificada Bélgica (caso sul-coreanos e russos empatem, argelinos avançam mesmo em caso de derrota). A Coréia do Sul não pode nem pensar em empatar: precisa vencer a Rússia e torcer pelos belgas diante dos argelinos. Se argelinos e sul-coreanos renderem em seus jogos o que renderam na metade do tempo em que foram superiores um ao outro nessa partida, teremos duas partidas obrigatórias para assistirmos na rodada derradeira no grupo H. Pena que aconteçam ao mesmo tempo.