Por Danilo Silveira
A espera acabou! Depois de 12 anos de seca, o Vasco pode enfim voltar a comemorar um título carioca. Depois de eliminar o incompetente Flamengo de Vanderlei Luxemburgo na semifinal, o time de São Januário desbancou o Botafogo (que jogava por dois empates) na grande final, vencendo as duas partidas.
O time do Vasco passa longe de ser um time brilhante, mas apresentou interessantes virtudes nos jogos decisivos da competição. Doriva conseguiu dar um padrão à equipe, começando por um sistema defensivo sólido, difícil de ser vazado. Contudo, não cabe dizer que o time jogue retrancado. Talvez seja o grande trunfo do comandante vascaíno: atacar com boa intensidade sem expor o time defensivamente.
O primeiro gol no Maracanã nesse domingo saiu justamente em um lance que o Vasco pressionou a saída de bola do Botafogo até rouba-la de Marcelo Mattos. Na sequência, Guiñazu serviu Rafael Silva, que foi muito feliz em bela finalização de canhota. O primeiro tempo que tendia ao 0 x 0, portanto, terminou com vantagem vascaína. Como havia vencido o jogo de ida, o time da colina jogava pelo empate, ou seja, precisava o Botafogo de dois gols para ficar com o título.
Durante a segunda etapa o Botafogo até tentou aumentar a intensidade ofensiva, mas era muito difícil entrar na defesa vascaína. René Simões até lançou Diego Jardel na vaga do discreto Tomas, no entanto, não muito adiantou e a equipe seguiu sem criar muitas chances. E nas esporádicas oportunidades, Martin Silva dava conta do recado. Se já havia defendido bem um chute de Bill na primeira etapa, teve boa participação em cruzamento de Carleto da ponta direita que se transformou em finalização.
Analisando-se o contexto do duelo, era plausível acreditar que o Vasco terminaria os 180 minutos da final sem sofrer gols, assim como fez nos 180 minutos da semifinal. Mas, a final precisava de um retoque de emoção. Em uma das raras vezes em que conseguiu envolver a zaga adversária, o Botafogo empatou com Diego Jardel. O relógio marcava 29 minutos! Isto é, tinha mais de quinze minutos o Botafogo para fazer um gol e levar a decisão aos pênaltis.
Se o que se esperava era uma pressão louca do Botafogo em busca da virada, o que se viu em campo foi diferente. O Vasco conseguiu, com sabedoria, não se encolher, avançando a marcação e ainda tentando explorar a velocidade no contra golpe. O prêmio foi além da manutenção do resultado. Nos acréscimos, Gilberto chutou cruzado para dar a vitória ao campeão carioca de 2015.
O título vascaíno serve para dar ânimo extra para um time que está sendo montado para uma temporada que parece ser muito difícil. Que os vascaínos consigam “utilizar” essa conquista da melhor maneira possível: sabendo que o time é inferior a muitos times de Série A, mas sabendo também que o time tem boas chances de não passar sufoco na parte de baixo da tabela no Brasileirão. Título ou classificação para a Libertadores parece uma missão muito difícil, mas terminar o ano na Série A sem sustos e campeão estadual parece uma ideia bem interessante. Quanto ao Botafogo, cabe dizer que o time parece mais que pronto para encarar a Série B e voltar à elite do futebol nacional em 2016.
domingo, maio 03, 2015
quarta-feira, abril 29, 2015
NA ALTITUDE DE SUCRE, TIGRES VIRA PARA CIMA DO UNIVERSITARIO.
Por Danilo Silveira
Na fase de grupos da Libertadores, o bom futebol apresentado
pelo Tigres, do México, me chamou atenção. E isso me motivou a assistir o duelo
de ida das oitavas-de-final, onde os mexicanos foram até a Bolívia duelar com o
Universitário de Sucre. Os 90 minutos foram mais que suficientes para o Tigres
confirmar a boa impressão deixada na fase de grupos e despontar ainda mais como
um dos favoritos à conquista da América.
Com um minuto de jogo, o Universitario abriu o marcador. Após
cobrança de escanteio da esquerda, Castro desviou no primeiro pau e Jorge
González cabeceou para o fundo das redes. Nem mesmo o gol sofrido precocemente
e os 2.810 metros de altitude foram suficientes para desestabilizar a equipe do
Tigres. Não demorou muito tempo para os comandados do brasileiro naturalizado
mexicano, Ricardo Ferretti, implementarem um bom toque de bola no meio campo e
terem a superioridade na partida.
Talvez o ponto mais forte do time do Tigres seja o trio de
ataque, formado por Rafael Sóbis, Guerrón e Álvarez. Talvez sabendo disso, o Universitario
avançava a marcação, tentando ao máximo impedir a transição da posse de bola do
Tigres do meio para o ataque. E de certa forma deu certo, pois os mexicanos,
apesar de uma boa atuação, não conseguiram criar muitas oportunidades de gol na
primeira etapa. Na melhor delas, aos 34 minutos, Guerrón achou Alvárez na ponta
esquerda e o camisa 11 chutou cruzado, não indo às redes por questão de
centímetros.
Quando o árbitro argentino Patricio Loustau apitou o fim do
primeiro tempo, Guerrón acabou se desentendendo com seu companheiro de equipe,
Pizarro, chegando a proferir-lhe um empurrão. O princípio de confusão logo
cessou e, coincidência ou não, Guerrón não voltou para a segunda etapa, cedendo
lugar a Enrique Esquerda.
Demorou apenas nove minutos na segunda etapa para o Tigres chegar ao empate,
que veio com uma pitada de competência de Ricardo Ferretti. Esquerda entrou
desempenhando bem o papel de “falso 9”, caindo pela ponta direita, mas também
aparecendo bem pelo centro, dando opção de jogadas de profundidade. E foi numa
dessas aparições que ele recebeu de Rafael Sóbis (em posição muito duvidosa,
mas acredito que não estava impedido), limpou o goleiro Robles e chutou para
empatar a partida.
A troca de um jogador por outro (Guerrón por Álvarez) foi
benéfica ao Tigres, mas houve outra mudança também positiva na equipe mexicana.
Só que essa não de uma peça por outra, mas sim no posicionamento de uma peça já
atuante. Arévalo passou a ter mais liberdade para atacar, para se aproximar da
área adversária. Em uma dessas investidas ele descolou excepcional passe para
Álvarez, que deixou o defensor Cuéllar sentado antes de chutar para virar o
jogo e colocar o Tigres em ótima situação para avançar às quartas de final.
No jogo da volta, os mexicanos podem até perder por 1 x 0 que
avançam à próxima fase. A vitória do Universitario por 2 x 1 leva o jogo para a
prorrogação e o triunfo por qualquer outro resultado dá aos bolivianos a classificação. Jogando o futebol que jogou hoje, cabe dizer que se torna muito difícil
outro desfecho que não seja a classificação do time mexicano.
quinta-feira, abril 02, 2015
São Paulo joga mal e perde para o San Lorenzo na Argentina.
O San Lorenzo entrou para jogar uma partida decisiva de Libertadores e o São Paulo parece ter entrado para disputar um amistoso qualquer. Mais ou menos por aí se resume o duelo em Buenos Aires, que terminou com a merecida vitória do time argentino.
Contanto com o quarteto ofensivo formado por Ganso, Michel Bastos, Alan Kardec e Alexandre Pato, o São Paulo teve um desempenho ofensivo pífio. O goleiro adversário quase nada trabalhou e o máximo que a equipe de Muricy Ramalho conseguia eram boas, e não tão corriqueiras assim, trocas de passes na intermediária de ataque.
No lado oposto, Rogério Ceni também não teve muito trabalho, é verdade. Mas o São Lorenzo incomodou mais, soube melhor usar o lado direito de ataque, com Buffarini tendo boa atuação. E o prêmio veio mais ou menos na metade do segundo tempo e dos pés de quem veio do banco de reservas. Cauteruccio deu um belíssimo chapéu em Tolói, avançou e soltou uma bomba para vencer Rogério e marcar o gol único do jogo.
Apesar do revés e da má atuação, o São Paulo ainda está na segunda colocação do grupo, mas só por conta do saldo de gols, já que o San Lorenzo, terceiro colocado, tem os mesmos seis pontos ganhos. O cenário para o São Paulo no grupo não é dos melhores, mas também não é dos piores. Mas, em uma Libertadores que até aqui tem nos revelado muitos times bons, o São Paulo dificilmente irá muito longe se continuar apresentando o futebol que jogou na noite dessa quarta-feira.
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